Educação Marabá - PA
Serviço Público: A aposentadoria de um coração que nunca deixou de servir
Há vidas que se confundem com os lugares por onde passam. Há pessoas que, mais do que cumprir funções, deixam marcas. Dona Maria da Soledade da Sil...
17/09/2025 23h30
Por: Redação Fonte: Prefeitura de Marabá - PA

Há vidas que se confundem com os lugares por onde passam. Há pessoas que, mais do que cumprir funções, deixam marcas. Dona Maria da Soledade da Silva Chaves é uma dessas presenças raras. Foram 32 anos de serviço público, sendo 30 deles dedicados à mesma escola, a São Francisco, no Núcleo Cidade Nova. Onde atuou como merendeira, fazendo parte da história do lugar, que se mistura à sua própria trajetória de vida.

No dia 16 de junho de 1996, ela atravessou os portões da escola pela primeira vez. Era festa de São João, tempo de quadrilha, fogueira e música, mas para ela o momento tinha um sabor ainda mais especial. Era o início de uma caminhada que mudaria não apenas sua vida, mas a de milhares de alunos que cruzariam seu caminho.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
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Maria da Soledade da Silva Chaves, merendeira recém-aposentada

“Eu fui muito bem recebida. Me senti abraçada”, recorda. Aquele dia, tão simples, ficou gravado como o primeiro capítulo de uma história de amor ao ofício.

Além da cozinha

Quem imagina que o trabalho de uma merendeira resume-se a cozinhar, talvez nunca tenha passado pela Escola São Francisco. Para Dona Maria, cada prato servido era também um gesto de cuidado. Entre panelas, temperos e aromas, ela preparava mais que comida: preparava acolhimento. A cada sorriso, um aluno se sentia visto. A cada prato de arroz e feijão, era entregue também carinho e acolhimento.

A diretora Iselene Labres, que conviveu de perto com essa entrega, resume.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
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Diretora Iselene Labres

“Trabalhar com a Soledade foi muito prazeroso. Ela vai muito além da função de merendeira. Se vê um aluno triste, ela percebe, senta para conversar, descobre o que está acontecendo. É uma profissional humana, acolhedora, que põe amor em tudo o que faz”.

Batalha pela vida

Mas nem sempre os dias foram fáceis. Em 2018, Maria recebeu a notícia que estava com câncer de mama. A vida, que sempre havia sido rotina de escola, onde ia de bicicleta, de repente virou consultórios, exames e tratamentos.

“Foi um choque. Eu não sabia que estava doente. Mas quando descobri, enfrentei. Me afastei por cinco anos. E nesse tempo fui muito acolhida pela família São Francisco, abraçada por todos. Isso me fortaleceu para lutar e vencer”, relembra.

E venceu. Ela se recusou a se aposentar pela doença e disse a mesma que voltaria para encerrar seu trabalho e se aposentar por tempo de serviço. Retornou à escola não apenas como trabalhadora, mas como símbolo de resiliência. Sua volta foi também um recado de que é possível superar e recomeçar.

Aposentadoria e legado

Hoje, aos 63 anos, Maria despede-se do serviço público com o coração cheio de alegrias. Mãe de dois filhos, avó, moradora de Marabá há mais de três décadas, ela olha para trás e enxerga muito mais que números de tempo de trabalho. Enxerga gerações de crianças que cresceram, formaram- se, e ainda a cumprimentam nas ruas. “Isso é gratificante demais. Muitos eu considero como filhos. O que mais sinto falta é do companheirismo de todos”, confessa.

Sua mensagem para quem continua na jornada é simples, mas poderosa.

“Se dediquem mais, sejam compromissados. Façam como na sua casa. Sejam zelosos e mostrem quem vocês são. A escola era como a minha casa. A palavra que resume minha vida é gratidão”.

A história de Dona Maria não está apenas nos livros de registros funcionais da prefeitura. Ela mora nos corredores da escola, nas lembranças de professores e alunos, na memória da diretora Iselene e de tantos que trabalharam ao seu lado.

“Ela é uma batalhadora, humilde. Desejo a ela toda felicidade do mundo nessa nova etapa da vida”, conclui a amiga Elisene.

Texto: Osvaldo Henriques
Fotos: B
runo Eduardo Silva

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