Geral São Paulo
Final da Copinha 2026 celebra a inclusão de torcedores com deficiência nos estádios
Histórias de Vinicius, João Vitor e Juliana mostram como parceria entre SEDPcD e FPF está transformando a experiência nos estádios paulistas
25/01/2026 19h41
Por: Redação Fonte: Secom SP

A grande final da Copa São Paulo de Futebol Júnior 2026, a Copinha, realizada neste domingo (25) foi muito além da disputa esportiva. A partida, que terminou com vitória do Cruzeiro sobre o São Paulo por 2 a 1, na Arena Mercado Livre Pacaembu, marcou um momento histórico para a inclusão e acessibilidade no futebol paulista, resultado da parceria de sucesso entre a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD) e a Federação Paulista de Futebol (FPF).

No dia do aniversário da capital paulista, o Pacaembu recebeu torcedores com deficiência mostrando como a acessibilidade nos estádios pode mudar vidas e fortalecer o sentimento de pertencimento.

A final da Copinha 2026 foi a conclusão de um torneio realizado com diretores de jogos especialmente treinados para oferecer um atendimento mais acolhedor e acessível ao público com deficiência. Em iniciativa pioneira da SEDPcD, 98 diretores de jogos da FPF participaram, no final de novembro de 2025, de um treinamento voltado à recepção, atendimento e inclusão de pessoas com deficiência em arenas esportivas.

Os profissionais, responsáveis por coordenar a operação das partidas — desde organização de acessos e fluxo de torcedores até aspectos gerais do funcionamento dos eventos —, foram preparados para tornar a experiência nos estádios mais respeitosa e alinhada às necessidades individuais do público.

“A final da Copinha representa a consolidação de um trabalho que iniciamos com o objetivo de fortalecer um padrão de acolhimento compatível com a grandeza do futebol paulista e que sirva de inspiração para o país inteiro. O mais importante é garantir um atendimento respeitoso, que considere as individualidades e promova a autonomia de cada pessoa com deficiência”, afirmou o secretário de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Marcos da Costa.

Paixão sem barreiras
Vinicius Pereira do Nascimento assistiu à final acompanhado por seu fiel companheiro, o cão-guia Marley. “Eu vou sempre aos jogos do São Paulo, principalmente no estádio do Morumbis”, conta Vinicius, que é cego. Ele acompanha o desenrolar das partidas ouvindo rádio e aprecia sentir a energia contagiante da torcida. Vinícius gosta de vivenciar os jogos no meio da multidão, ao lado de Marley, que costuma ficar deitado enquanto o torcedor vibra intensamente nas arquibancadas.

Arnaldo Pereira de Oliveira levou o sobrinho João Vitor da Silva, de 21 anos, para torcer pelo São Paulo na decisão. “Ele adora vir ao estádio, é muito inteligente, sabe tudo sobre o time do coração”, destacou orgulhoso. João Vitor, que tem Síndrome de Down, acompanhou toda a partida em pé, vibrando a cada lance e se voltando para o tio a todo momento para comentar sobre o desempenho de seu time.

Entre as dezenas de faixas espalhadas ao redor do gramado estava a da Torcida Tricolor PCD, criada para promover a inclusão e acessibilidade de pessoas com deficiência nos estádios.

Para Juliana Manzano Rhein, que tem Transtorno do Espectro Autista (TEA), a integração das pessoas com deficiência nos eventos esportivos representa algo profundo e transformador.

“Todos nós temos nossas deficiências, às vezes as pessoas rotulam por algo que a gente tenha ou deixa de ter, como audição e visão. A acessibilidade nos estádios, o acolhimento das pessoas com deficiência, a existência de torcida referente a algum espectro ou alguma pessoa com deficiência lembra que nós também somos pessoas, também temos hobbies e temos coisas que gostamos de fazer”, reflete Juliana, que frequenta os estádios de São Paulo para assistir aos grandes jogos de futebol.

“Tudo isso mostra que nós também temos gostos, temos sonhos e que também somos pessoas. Às vezes a gente esquece que é ser humano e acha que a gente é só aquela pessoa que tem autismo, ou que tem alguma deficiência. E quando a gente está em um estádio onde as pessoas aceitam a gente por quem a gente é, lembra a gente que também fazemos parte de uma sociedade”, completou.

SEDPcD ofereceu treinamento
Durante o treinamento dos diretores de jogos da FPF, coordenadores da Secretaria apresentaram aos diretores de jogos os principais tipos de deficiência e condições equiparáveis, como o autismo, detalhando características e orientando como acolher diferentes perfis de público. Os especialistas também ensinaram como agir em situações comuns do ambiente esportivo, com foco no atendimento humanizado e na prevenção de práticas excludentes.

Entre os exemplos abordados, foram destacadas ações simples, porém essenciais, como compreender que a cadeira de rodas é uma extensão do corpo da pessoa e, por isso, não deve ser tocada sem permissão — um cuidado que preserva autonomia, conforto e segurança.

Os participantes também receberam informações sobre as diferentes barreiras que dificultam o acesso e a participação de pessoas com deficiência em espaços públicos — sejam elas físicas, comunicacionais, tecnológicas, pedagógicas e atitudinais — e estratégias de combate ao capacitismo, forma de discriminação contra pessoas com deficiência.

A parceria entre SEDPcD e FPF estabelece um novo padrão de inclusão no futebol paulista. Com a Copinha 2026 realizada sob essa perspectiva de acessibilidade e respeito, a expectativa é que a experiência inspire outras competições e contribua para transformar definitivamente a cultura de atendimento nos estádios de todo o país.

“São muitos os desafios, inclusive porque muitas estruturas foram construídas no século passado. Mas nosso foco é alcançar um nível de qualidade de acolhimento que respeite cada pessoa e faça com que todos se sintam em casa no estádio. Esta final representa um passo importante nessa jornada”, completou Marcos da Costa.