Nesta quarta-feira, 11 de fevereiro, é celebrado o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015 para ampliar o debate sobre igualdade de gênero no campo científico. No Paraná, o cenário aponta para um movimento de transformação impulsionado por políticas públicas e investimentos contínuos em ciência, tecnologia e inovação.
Com o apoio de programas de fomento e formação de recursos humanos, a Fundação Araucária tem contribuído para ampliar a presença feminina nas universidades e nos projetos de pesquisa do Estado.
Os resultados já aparecem nos indicadores acadêmicos: nas universidades estaduais paranaenses, as mulheres representam 51% do corpo docente e 59% dos estudantes de graduação. Na Universidade Estadual de Maringá (UEM), elas também são maioria na coordenação de projetos de pesquisa, evidenciando o protagonismo feminino na produção científica e no avanço do conhecimento no Paraná.
A coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ecologia de Ambientes Aquáticos Continentais (PEA) da UEM, Carla Pavanelli, destaca a importância da presença feminina em cargos de decisão na ciência. “As mulheres ainda ocupam menos posições de liderança em algumas áreas acadêmicas, mas fico feliz em ver esse cenário mudar e em fazer parte dessa transformação”, afirma.
Carla é, atualmente, coordenadora do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação - NAPI Taxonline, na UEM, iniciativa da Fundação Araucária, e integra o Comitê de Assessoramento em Zoologia do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Sob sua coordenação, o PEA manteve nota 7, a máxima, na avaliação quadrienal da Capes. O Programa ainda conta com um convênio de dupla diplomação de doutorado com o Instituto Politécnico de Bragança, em Portugal, com a intermediação da Fundação Araucária.
Já na Universidade Estadual de Londrina (UEL), 61% dos estudantes de pós-graduação são mulheres. Não por acaso, é na UEL que atua a professora do Programa de Pós-Graduação em Microbiologia e Biotecnologia, Mariangela Hungria. Em 2025, a pesquisadora foi laureada com o Prêmio Mundial da Alimentação (World Food Prize), conhecido como o “Nobel da Agricultura”, em reconhecimento às suas pesquisas voltadas ao desenvolvimento de insumos biológicos para a agricultura.
Também integrante do NAPI Taxonline, Mariangela defende que a agricultura do futuro carrega qualidades femininas. “Não significa que será feita apenas por mulheres, mas que essa visão prioriza produzir com responsabilidade, cuidando do solo, da nutrição, da redução da emissão de gases de efeito estufa”, explica a pesquisadora. “Devo muito à Fundação Araucária. Sem o apoio dela, eu não teria chegado até aqui”, diz.
Iniciativas de grande relevância da Fundação, como as colaborações científicas no Exterior, também contam com a participação de mulheres inspiradoras, como a professora Maria Zaira Turchi. Atualmente, ela atua como gestora de projetos especiais do programa Top Manager da Fundação Araucária, iniciativa que busca atrair e engajar profissionais do Brasil e do Exterior com ampla experiência e excelência na gestão de CT&I. “Em posições de tomada de decisão, as mulheres ainda são minoria em relação aos homens. Por isso, fico muito motivada a atuar como Top Manager”.
Não são apenas cientistas com longa trajetória que fortalecem a presença feminina na ciência. Estudantes do ensino fundamental e médio da rede pública do Paraná também participam da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, coordenada pelo NAPI com o mesmo nome.
Suzanna de Freitas, de 16 anos, conta que sempre se interessou por cosméticos e pela química envolvida nesse universo. Ela entrou no Clube de Ciências Bona, do Colégio Theodoro de Bona, em Almirante Tamandaré, para mergulhar mais no aprendizado. “A ciência por trás da beleza não é futilidade, já que impacta positivamente a vida de milhares de pessoas, inclusive homens", diz.
Para celebrar a presença e, sobretudo, a permanência feminina na ciência, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) definiu que, em 2026, o tema da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia será a participação de mulheres e meninas na área. Em sintonia com essa valorização de cientistas mulheres, a Fundação Araucária segue promovendo iniciativas para garantir que o Paraná se mantenha como referência na produção científica liderada por mulheres.