O bloco Apaxés do Tororó integrou a programação do Carnaval da Bahia 2026 no Circuito Osmar, levando ao Campo Grande manifestações culturais ligadas às matrizes africanas e afro-indígenas. O desfile reforça a diversidade que caracteriza a festa em Salvador e evidencia a contribuição das entidades culturais para a preservação da identidade da folia baiana.
Ao som dos atabaques e com figurinos inspirados na ancestralidade, o cortejo apresentou elementos simbólicos da formação cultural da Bahia, reunindo música, dança e expressões tradicionais. Para a foliã Marileide Costa, a participação no desfile representa reconexão com a própria identidade cultural. “É uma retomada. Acho que a gente precisa se apropriar, de fato, daquilo que é nosso. A cultura está aí, a gente produz muita cultura e, muitas vezes, acaba se afastando disso”, afirmou.
Com coreografias e musicalidade próprias, o bloco transformou o circuito em um espaço de afirmação cultural. Para os integrantes, a presença nas ruas representa a continuidade de uma trajetória marcada pela valorização das manifestações de origem africana. Para a foliã Verônica Mucúna o desfile tem um significado simbólico.
“Essa retomada do bloco, de origem afro-indígena e com tanta história para contar, é muito significativa. É uma honra fazer parte desse movimento histórico e de resistência”, declarou.
Neste ano, o desfile contou com a participação do cantor e percussionista Carlinhos Brown. O bloco também recebe apoio do Programa Ouro Negro, iniciativa da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA) que, em 2026, alcança investimento recorde de R$ 17 milhões para fortalecer entidades culturais de matrizes africanas e garantir a presença dessas manifestações no Carnaval da capital e do interior.
“O Ouro Negro é muito bom. Eu acredito que, se não existisse, muitas entidades já tinham acabado”, afirmou o presidente do bloco, Adelmo Costa.
Repórter: Monique Adorno/GOVBA