Geral São Paulo
Entenda como a água da Billings vai reforçar a resiliência hídrica de São Paulo
Interligação da represa com o Alto Tietê levará 4 mil litros de água por segundo para a região, fortalecendo o abastecimento da Grande SP
17/02/2026 08h22
Por: Redação Fonte: Secom SP

Considerada uma das estratégias mais importantes do Plano de Segurança Hídrica do Estado de São Paulo para acelerar a resiliência hídrica, a interligação Billings-Alto Tietê teve início em janeiro e deve ser entregue à população em 2027.

A obra permitirá a captação de até 4 mil litros de água bruta por segundo no braço do Rio Pequeno, na represa Billings, em São Bernardo. A água será bombeada para a represa Taiaçupeba, fortalecendo o Sistema Integrado Metropolitano, que abastece a Grande São Paulo e beneficia cerca de 22 milhões de pessoas. O investimento é de R$ 1,4 bilhão.

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Com isso, a represa Billings, cuja captação para abastecimento era pequena, passa a ter papel fundamental nos planos de resiliência hídrica do Governo de São Paulo. Isso porque a represa Billings, sozinha, tem capacidade de armazenar mais água que todas as represas do Sistema Cantareira (são cinco), somadas.

A capacidade total de armazenamento de água da Billings chega a 1,13 trilhão de litros, enquanto as represas de Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro, que compõem o Sistema Cantareira, possuem, juntas, um total de 982 bilhões de litros de capacidade, segundo dados da Sabesp.

Mais chuvas

Em função das mudanças climáticas, as chuvas, que já estão muito abaixo das médias históricas, tendem a se tornar cada vez mais irregulares e pulverizadas.

Esse é outro ponto que torna estratégica a captação de água na Billings. Por estar próxima à Serra do Mar, ela recebe mais chuvas do que as represas do Cantareira, que estão no Alto Tietê, em locais diversos e conectadas por túneis subterrâneos. Outro ponto importante é que a Billings está em um só plano e tem mais de 100 km de extensão, aumentando a probabilidade de captação de águas pluviais.

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A proximidade do manancial com a Capital também é um fator determinante, já que a represa está nos limites da cidade, com pouco desnível topográfico em relação a outra fontes, e por isso o gasto com obras e custo de energia para o bombeamento dessa água é muito menor do que quando retirada de regiões distantes da Grande São Paulo.

“A ampliação da captação da represa Billings vai fortalecer o Sistema Integrado Metropolitano e garantir segurança de abastecimento para todas as famílias que vivem na Grande São Paulo. A interligação com o Alto Tietê é mais um passo nesse projeto de segurança hídrica formulado pelo Governo de SP, em parceria com a Sabesp”, disse a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de SP, Natália Resende.

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Escassez de água

A Região Metropolitana de São Paulo enfrenta uma situação hídrica historicamente desafiadora. De acordo com a Sabesp, a disponibilidade de água per capita local é extremamente baixa – em torno de 143m3/s por habitante ao ano, comparável a regiões semiáridas e muito abaixo do recomendado internacionalmente. Esse quadro se deve à grande concentração populacional e à limitada oferta natural de água na bacia.

Em 2025, a região atravessou uma das piores estiagens em 10 anos, com índices de chuva entre 40% e 70% abaixo da média e vazões afluentes drasticamente reduzidas. Os efeitos das mudanças climáticas já são evidentes: chuvas cada vez mais irregulares, ondas de calor mais frequentes e demanda elevada agravam a escassez hídrica.

Universalização

O Plano de Segurança Hídrica previsto no novo contrato da Sabesp, firmado após o processo de desestatização promovido pelo Governo de São Paulo, prevê o investimento de R$ 70 bilhões até 2029 para universalizar a oferta de água e esgoto em todo o estado de São Paulo.

O Estado de São Paulo recebeu em 2025 o maior investimento da história em obras para ampliar o acesso da população à água e esgoto tratado. Foram R$ 15,2 bilhões aplicados pela Sabesp, valor 120% superior aos R$ 6,9 bilhões do ano anterior.