Cerca de 800 famílias organizadas acompanham, em Goiânia, os desdobramentos da modalidade Entidades do programa Minha Casa, Minha Vida, executado no âmbito do governo federal. A mobilização ocorre em um cenário de déficit habitacional significativo em Goiás, que alcança aproximadamente 171,2 mil famílias até 2024, segundo levantamento do Instituto Mauro Borges.
A modalidade Entidades prevê a participação direta de organizações da sociedade civil na organização da demanda habitacional, no acompanhamento social das famílias e na articulação institucional necessária para a viabilização de empreendimentos de interesse social. O modelo se diferencia de outros formatos do programa por priorizar a organização coletiva e o controle social ao longo das etapas do processo.
Especialistas em políticas públicas habitacionais apontam que o déficit habitacional envolve não apenas a ausência de moradias, mas também condições precárias de habitação, insegurança da posse e inadequação da infraestrutura urbana. Nesse contexto, iniciativas baseadas na atuação territorial e na participação social são consideradas estratégicas para alcançar famílias historicamente excluídas do acesso à moradia formal.
Em Goiânia, a organização dessa demanda tem contado com o apoio de entidades com atuação comunitária, entre elas a Liga dos Amigos do Jardim Guanabara, que participa do acompanhamento social e da estruturação das famílias organizadas no município. A presença de organizações locais contribui para aproximar a política habitacional da realidade dos territórios e para dar visibilidade a demandas coletivas ainda não atendidas.
O cenário tem ampliado o debate público sobre a necessidade de maior articulação entre governos e sociedade civil organizada para o avanço das políticas habitacionais, especialmente em regiões com maior vulnerabilidade social. A expectativa é que o fortalecimento desse diálogo contribua para respostas mais efetivas ao déficit habitacional registrado no estado.