A Central Estadual de Transplantes do Maranhão (CET-MA), vinculada ao Governo do Estado, promoveu na última semana o curso "Comunicação de Notícias Difíceis e Entrevista Familiar para Doação". A capacitação ocorreu no auditório da Secretaria de Estado da Saúde (SES), na Avenida Carlos Cunha, no Jaracaty, e foi voltada a profissionais que atuam no acolhimento familiar e na entrevista para doação de órgãos e tecidos.
"O curso contou com a participação de 123 profissionais, entre médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais, que atuam tanto na Grande Ilha quanto no interior do estado. O objetivo foi aumentar a sensibilização e a capacitação, com o intuito de reduzir o percentual de recusa familiar, que atualmente está em torno de 60%. Nós melhoramos o nosso percentual, porém ele ainda está acima da média nacional, que é de 44% a 45%", disse o coordenador do CET-MA, Hiago Bastos.
O curso contou com transmissão online e faz parte do programa mensal de Educação Continuada da CET-MA. O treinamento foi ministrado por profissionais especialistas na área de entrevista familiar para doação e transplantes e foi voltado à capacitação de profissionais da Rede Estadual de Saúde.
A capacitação aconteceu no turno da tarde e foi dividida em dois módulos, sendo um teórico e outro prático, com situação simulada. Para a enfermeira da Organização de Procura de Órgãos (OPO) de São Luís, Nayssa Pinheiro, o curso tem impacto no “sim” à vida das famílias.
"O curso vem agregar à nossa formação profissional, principalmente como enfermeiros da Organização de Procura de Órgãos, porque estamos ali na lida diária, conversando com familiares e tentando transformar o momento de perda em vida, já que uma pessoa em óbito pode auxiliar outras oito vidas. Dividimos vivências e experiências para que, por meio delas, as famílias digam sim à vida", compartilhou Nayssa.
A meta final é melhorar a qualificação do acolhimento familiar, a experiência das famílias e, consequentemente, aumentar o número de doações de órgãos e tecidos no Maranhão. O estado já chegou a registrar 80% de negativa familiar e o índice mínimo de 33%, conforme dado registrado em junho passado. Atualmente, está com 60% de negativa familiar, ainda acima da média nacional.
Segundo o enfermeiro responsável pela equipe de Doação de Órgãos e Tecidos (e-DOT) do Hospital São Domingos, Vitaliano de Oliveira, a entrevista familiar é um ponto crucial no processo de doação e transplante. "É necessário ter cursos e atualizações para estar capacitado, visando abordar a família com máxima ética profissional e humanização. O treinamento ressaltou também o aspecto humano da doação, o que sensibiliza as famílias. Os resultados no número de transplantes no Maranhão têm sido excelentes devido a essa abordagem".