Trabalhar com educação é um desafio, mas também uma missão, que algumas pessoas desempenham com excelência, cujas trajetórias atestam essa aptidão. É a trajetória de Maria Joilda Lourenço, que está encerrando uma jornada de 23 anos no Núcleo de Educação Infantil (NEI) Maria da Conceição, no bairro Amapá.
Natural de Juazeiro, na Bahia, Maria Joilda cresceu em Pernambuco e, na década de 1990, mudou-se para Marabá. Formada em pedagogia, começou como professora contratada na rede municipal de ensino de Marabá. Em 2000, passou no concurso público e, inicialmente, atuou no ensino fundamental. Em 2003, pediu remoção para a educação infantil e foi trabalhar no que hoje é o NEI Maria da Conceição que, na época, tinha outro nome e funcionava na Fundação de Assistência a Crianças e Adolescentes (Funcad).
“Eu vim como professora de maternal, minha primeira experiência com a educação infantil. Não sabia como fazer uma roda, não sabia nem como trabalhar, mas me apaixonei pela função. Fiquei sete anos na sala de aula e, na época, me convidaram para ser professora responsável, em que eu ficava cem horas na sala de aula e as outras cem horas eu era diretora, coordenadora e secretária porque não tinha esses profissionais; então, eu exercia todas as funções”, relembra.
Entre 2007 e 2008, foi convidada para ser diretora do núcleo, função que ocupou até hoje. Durante esse período, o núcleo passou por outros lugares como a Escola Basílio Miguel, Igreja Batista e Instituto Servir. O NEI recebeu o atual nome, Maria da Conceição, em homenagem a uma figura histórica do bairro Amapá, que foi professora e faleceu em 2001.
Quando chegou ao NEI, Maria Joilda tinha uma filha com três meses de vida e a diretora, na época, a ajudou a lidar com os papéis de professora e mãe. Além disso, filhos e sobrinhos estudaram no núcleo.
Ela conta que não gosta de desatrelar sua vida pessoal e profissional e que é grata ao bairro Amapá por fazer parte de sua trajetória de 23 anos de paixão pela educação infantil e pelo próprio bairro, que tanto contribuiu para seu desenvolvimento em todos os aspectos.
“Toda a minha trajetória eu fiz com meus colegas de trabalho. O que eu vou sentir mais falta é das pessoas. A gente é o que a gente constrói como ser humano. A parte técnica todo mundo aprende, todo mundo é capaz de aprender e o NEI Maria da Conceição me ajudou a ser uma pessoa muito humana. É um bairro que me deu muita devolutiva como pessoa, que acreditou na minha proposta. Todo dia, para mim, foi um aprendizado. Eu não tenho vergonha de dizer que eu não sei, que eu preciso aprender, não tenho vergonha de perguntar”, comenta.
Tantos anos trabalhando com educação fizeram Maria Joilda ter o privilégio de acompanhar a vida de alguns de seus alunos que, por coincidência, também trabalharam com ela, como é o caso de Maissa Silva.
Desde criança, Maissa tinha vontade de cursar pedagogia e lembra que brincava com os primos e irmãos de escolinha. Nessa brincadeira, ela sempre era a professora. Depois do ensino médio, ela cursou faculdade de pedagogia e atuou como estagiária no NEI Maria da Conceição. Depois, foi chamada no processo seletivo. E hoje, a filha de Maissa também estuda no NEI.
“Ela (Maria Joilda) lembra que eu era bem tímida. Ela fala: ‘Tu não tem que brigar com tua filha porque ela é igual a você quando era criança’. Ela tem a memória muito boa. Agora, já sendo professora, eu vejo o quanto a Jô é uma pessoa maravilhosa, muito humana mesmo, me ajudou em tudo. Como eu saí de estagiária para professora, era tudo muito novo para mim; ela e a coordenadora tiveram paciência para me explicar, me ensinar. O que eu sei hoje, eu devo a elas”, diz Maissa.
Ao ver que Maissa foi um dos frutos de seu trabalho, Maria Joilda reflete:
“Meu sentimento é de gratidão mesmo e, na verdade, a gente nem consegue perceber até que ponto a gente atinge de forma positiva a vida de outra pessoa. É gratificante você saber que eu colho isso como uma semente de ser uma pessoa melhor. Que o que eu plantei está dando retorno não para mim, mas para a própria comunidade”, afirma.
O trabalho com alunos com deficiência foi um diferencial na carreira da professora. Quando o NEI começou a receber esses alunos, foi um desafio para ela e sua equipe encontrar o melhor caminho para estarem preparados para a demanda. Foi quando perceberam que o acolhimento era essencial. Em 2025, o NEI Maria da Conceição atendeu 38 alunos com deficiência.
“Primeiro passo é acolher; então, a gente acolheu essa família, essa criança, e orientamos mediadores, estagiários, professores. É saber quem é essa criança, de onde ela está vindo, como ela come, o que veste, quais são os gostos, como ela se diverte. Apesar de serem 38, são 38 específicas, cada uma com sua singularidade”, explica.
Nos últimos anos, o NEI Maria da Conceição criou o Espaço de Calmaria, voltado para quando as crianças estiverem em momentos que precisem de suporte, e também desenvolveu didáticas para atendimento de qualidade a elas.
Em 2027, Maria Joilda se aposentará e optou por desacelerar o trabalho em 2026, passando agora a atuar como orientadora no NEI Edivan Alves Pereira, no bairro Belo Horizonte.
Antes da mudança, deixou uma mensagem.
“Só agradecer. A palavra realmente é gratidão e obrigada por tudo o que o bairro do Amapá me deu, pelo que a secretaria me proporcionou, por confiar no meu trabalho, pela equipe confiar. Então, é só agradecer mesmo. Obrigada”, concluiu.
Na última sexta-feira, 20, Maria Joilda participou de uma cerimonia com os novos diretores foi homenageada pela gestão com um certificado pelos serviços prestados.
Texto: Ronaldo Palheta
Fotos: Sara Lopes
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