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Projeto apoiado pela Fundect usa nanotecnologia para ampliar efeito de quimioterápicos
Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), com apoio do Governo do Estado, por meio da Semadesc (Secretaria de...
03/03/2026 06h52
Por: Redação Fonte: Secom Mato Grosso do Sul

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), com apoio do Governo do Estado, por meio da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) e da Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul), avançou no desenvolvimento de uma nova forma de “transportar” medicamentos usados na quimioterapia.

O transporte é como o medicamento entra no organismo, circula pelo corpo e chega à célula doente. Em testes experimentais, a tecnologia alcançou até 99,6% de inibição do crescimento tumoral e redução superior a 90% no peso dos tumores, ou seja, o câncer cresceu menos e permaneceu menor.

O projeto foi contemplado pela Chamada Especial Fundect/UFMS 23/2022 – Atração de Recém-doutores para Mato Grosso do Sul, com recursos da Fundect, e também recebeu recursos do Programa Pesquisa para o SUS (PPSUS), iniciativa voltada ao fortalecimento da pesquisa científica aplicada à saúde pública em parceria com o Ministério da Saúde.

O estudo trabalha com nanopartículas, estruturas extremamente pequenas (milhares de vezes menores que a espessura de um fio de cabelo, por exemplo). Produzidas a partir de sílica, essas partículas funcionam como “veículos” dos medicamentos, levando o quimioterápico, através do corpo, diretamente até as células doentes. Desta forma, é possível manter o efeito do tratamento utilizando quantidades menores do fármaco.

“O planejamento do tamanho e da morfologia da matriz carreadora, assim como a adição dos fármacos, foi bem-sucedido, mantendo a atividade anticâncer dos medicamentos e reduzindo as concentrações necessárias”, afirma o professor da UFMS, Marcos Utrera Martines, responsável pela pesquisa. Nos testes realizados em laboratório, as nanopartículas demonstraram forte capacidade de impedir a multiplicação das células tumorais. Os resultados também indicaram alta seletividade, ou seja, a tecnologia foi muito mais eficaz contra células cancerígenas do que contra células saudáveis, o que aponta para a possibilidade de reduzir efeitos colaterais comuns da quimioterapia tradicional.

Em uma etapa seguinte, os pesquisadores avaliaram o desempenho da tecnologia em testes experimentais que analisaram o crescimento e o peso dos tumores. As nanopartículas contendo citarabina e doxorrubicina apresentaram os melhores resultados, com índices de inibição do crescimento tumoral de até 99,6% e redução do peso tumoral acima de 90%.

A pesquisa também utilizou o ácido fólico como estratégia de direcionamento. Muitas células cancerígenas apresentam grande quantidade de receptores dessa substância, o que facilita que o medicamento seja conduzido preferencialmente até o tumor.

O professor Martines explica que o ácido fólico funciona como um 'endereço' para o medicamento, pois muitas células cancerígenas têm mais receptores dessa substância em sua superfície. “O ácido fólico é usado como direcionador de fármacos porque diversas células cancerígenas superexpressam receptores de folato na sua superfície”, completa.

O projeto resultou ainda em pedidos de patentes e apresenta potencial de transferência tecnológica para o setor produtivo e para o Sistema Único de Saúde (SUS), por meio de parcerias para o desenvolvimento produtivo ou da criação de empresas de base tecnológica. A expectativa da equipe de pesquisadores é que, com a continuidade dos estudos, a tecnologia contribua para ampliar o acesso a tratamentos mais eficientes e com menor impacto ao organismo.

“Ao apoiar projetos como este, a Fundect fortalece a pesquisa científica em Mato Grosso do Sul, estimula a formação de pesquisadores qualificados atraindo mais doutores para nosso Estado e contribui para o desenvolvimento de tecnologias com potencial de aplicação futura no Sistema Único de Saúde”, afirma Cristiano Carvalho, diretor-presidente da Fundect.

Fundect: MS ama Ciência

A partir desta publicação, a Fundect inicia a série de reportagens Fundect: MS ama Ciência. O objetivo é divulgar pesquisas apoiadas pela Fundect que já apresentam resultados com potencial de impacto para a sociedade.

Ao longo das publicações, serão divulgadas informações sobre os relatórios técnicos dos projetos financiados, acompanhados de entrevistas com os pesquisadores responsáveis, destacando como o investimento público em ciência tem contribuído para o desenvolvimento científico e tecnológico em Mato Grosso do Sul.

Comunicação Fundect
Foto: Acervo do Pesquisador