Geral DIA DO ARTESÃO
Governo do Pará incentiva produção artesanal e amplia oportunidades para artesãos do Estado
No Dia do Artesão, celebrado nesta quinta-feira (19), ações do Estado incluem capacitação, apoio à comercialização e espaços de exposição como o Sã...
19/03/2026 08h21
Por: Redação Fonte: Secom Pará

O governo do Pará desenvolve diversas ações de incentivo ao artesanato paraense, fortalecendo a geração de renda, a valorização cultural e a economia criativa no Estado. Além de garantir visibilidade aos produtores no Espaço São José Liberto (ESJL), em Belém, o Estado investe em cursos, oficinas e apoio à participação de artesãos em feiras e eventos. As iniciativas ganham destaque nesta quinta-feira (19), data em que se celebra o Dia do Artesão.

Artesão há 58 anos, o mestre ceramista Doca Leite destaca a importância da visibilidade proporcionada pelo espaço mantido pelo Governo do Pará. Segundo ele, as vendas realizadas no São José Liberto representam entre 30% e 40% da renda do negócio familiar. “O artesanato é a nossa fonte de renda e ganhar mais visibilidade para os nossos produtos faz toda a diferença no nosso orçamento, seja no São José ou com incentivo financeiro de ajuda de custo para passagens e para o frete de mercadorias para eventos”, ressalta.

O filho do mestre, Bruno Gonçalves, também segue a tradição familiar na produção artesanal. Natural de Icoaraci, ele afirma que o espaço para comercialização no centro de Belém amplia o alcance das peças, principalmente entre turistas. “Nasci no meio do barro e fui criado na olaria. Criar a peça e ver a admiração das pessoas pelo nosso trabalho é apaixonante. Nós somos de Icoaraci e poder ter um espaço no São José Liberto, em uma área central de Belém e com presença constante de turistas, ajuda muito. De forma estratégica, disponibilizamos peças pequenas, mais fáceis de transportar, tipo souvenir”, afirma.

Economia criativa

Mantido pelo governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), o Espaço São José Liberto é referência em economia criativa, turismo e cultura. No local funciona a Casa do Artesão, que reúne 220 empreendedores, incluindo 16 cooperativas, responsáveis pela produção e comercialização de artesanato, joias artesanais e biojoias — confeccionadas com metais nobres e insumos da floresta amazônica, além de moda autoral com design exclusivo.

O artesão de miriti Manoel Miranda, morador de Abaetetuba, expõe suas peças no espaço há 15 anos e destaca o impacto do apoio recebido. “Há quase 50 anos trabalho com esse tipo de artesanato e já são 15 anos no espaço. Temos muito apoio e só podemos agradecer por isso. Expor nesse espaço ajuda a gente a manter a nossa família, vendendo os nossos produtos e mostrando a nossa cultura”, afirma.

Além da vitrine permanente no São José Liberto, a Sedeme também promove cursos e capacitações de artesanato nas Usinas da Paz (UsiPaz). Entre os módulos ofertados estão Artesanato em Fibra de Malva Amazônica, Pintura em Tecidos, Arranjos Florais e Tapetes de Retalhos.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Paulo Bengtson, ressalta que o artesanato é uma das atividades com grande potencial dentro da economia criativa do Estado. “A economia criativa desponta como um dos pilares estratégicos para o desenvolvimento sustentável do Pará. O artesanato produzido por artesãos locais revela grande potencial para gerar emprego, renda e dinamizar a economia regional. Apoiar esse segmento significa incentivar o uso de matéria-prima sustentável e fortalecer um empreendedorismo que alia desenvolvimento econômico e responsabilidade ambiental”, destaca.

Capacitação e geração de renda

As oportunidades de qualificação também têm impactado a vida de quem busca uma nova fonte de renda. Aluna do curso de artesanato em malva amazônica na UsiPaz Bengui, Tereza Laurentino afirma que a capacitação abriu novas possibilidades. “Ter a oportunidade de expandir nossos conhecimentos e fazer disso uma renda extra nas nossas vidas abre muitas portas. Já estou vendendo bolsas e nécessaires que aprendi a fazer com as professoras da usina. Só temos a agradecer ao Governo do Estado pelo incentivo”, relata.

O incentivo ao artesanato também chega às comunidades rurais e ribeirinhas por meio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater), que atua no fortalecimento da produção associada à biodiversidade amazônica.

Entre as ações estão a orientação produtiva, apoio à organização de associações comunitárias e o mapeamento de comunidades com potencial para produção artesanal e geração de renda. “Com os agricultores familiares, a Emater trabalha aprimorando as técnicas que eles já dominam, valorizando produtos derivados do extrativismo e da biodiversidade e abrindo espaços de comercialização. Já nos centros urbanos, o trabalho é direcionado diretamente para a questão de mercados, promovendo espaços de comercialização e a divulgação do trabalho junto aos eventos da Emater”, explica Karine Sarraf, supervisora adjunta do Regional das Ilhas.

No município de São Domingos do Capim, a artesã e engenheira agrônoma Weise Martins, apoiada pela Emater, desenvolve projetos voltados ao fortalecimento da agricultura familiar e da bioeconomia junto às comunidades ribeirinhas e tradicionais. “Trabalho com a produção de cosméticos naturais e produtos artesanais elaborados a partir de matérias-primas da biodiversidade amazônica, como óleos e manteigas extraídos de frutos e sementes da região. Esses produtos valorizam os recursos naturais locais e o conhecimento tradicional das comunidades. A atividade tem se consolidado como uma fonte de renda complementar”, afirma.