Cidades Lucas do Rio Verde
“Hoje eu conto os dias para voltar”: oficinas culturais fortalecem vínculos, promovem bem-estar e transformam histórias em Lucas
Segurar um pincel pode parecer um gesto simples. Para Rosângela Cristina Almeida Brito, representa uma vitória.Depois de enfrentar dois Acidentes V...
21/07/2026 09h41
Por: Redação Fonte: Prefeitura de Lucas do Rio Verde - MT

Segurar um pincel pode parecer um gesto simples. Para Rosângela Cristina Almeida Brito, representa uma vitória.

Depois de enfrentar dois Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs) e conviver com a depressão, ela encontrou nas aulas da Oficina de Artes Plásticas, oferecida gratuitamente pela Prefeitura de Lucas do Rio Verde, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, um espaço para recomeçar.

Foi uma amiga quem apresentou a oficina. A intenção inicial era apenas sair de casa. Hoje, ela afirma que já não consegue imaginar a rotina sem os encontros semanais.

Rosângela Cristina em aula na Oficina de Artes Plásticas da Prefeitura. (Foto: Ascom/Janderson Kawano)

“Eu conto os dias para estar aqui de novo. Isso está me ajudando muito. Não é mais uma aula. É um lugar onde fui acolhida.”

Rosângela conta que, após os AVCs, passou um período sem conseguir caminhar normalmente e enfrentou limitações nos movimentos das mãos, o que parecia tornar impossível voltar a pintar.

“Hoje, para mim, segurar um pincel é uma vitória muito grande. Minha mão tremia, doía muito. Depois do AVC a depressão também piorou bastante. Então estar aqui significa muito.”

Segundo ela, o primeiro dia foi cercado de insegurança.

“Achei que precisava saber desenhar e pensei: se eu não gostar, não volto mais. Mas a professora (Sandra Birnfeld), acolhe a gente. Não era aquilo que eu imaginava.”

A experiência mudou completamente sua percepção.

“Hoje eu não falto. Eu espero a semana inteira pela aula.”

Professora Sandra Birnfeld ministrando aula para crianças da Oficina de Artes Plásticas (Foto: Ascom/Janderson Kawano)

Muito além do aprendizado

Em Lucas do Rio Verde, as oficinas culturais gratuitas vão além do ensino de técnicas artísticas. Os espaços se consolidaram como ambientes de convivência, troca de experiências, fortalecimento de amizades e incentivo à participação social.

Ao reunir crianças, jovens, adultos e idosos, as oficinas favorecem o desenvolvimento da criatividade, estimulam a autoestima, ampliam o círculo de convivência e ajudam a reduzir o isolamento social, fatores reconhecidos pela ciência como importantes para a promoção da saúde mental e da qualidade de vida.

No caso de Rosângela, o ambiente coletivo fez toda a diferença.

“Aqui é uma terapia para mim. Tanto para o AVC quanto para a depressão, que ainda me acompanha. O mais difícil é aceitar que a depressão é uma doença e buscar tratamento. Vir para um ambiente como esse ajuda muito. Aqui a gente conversa, aprende, é acolhido e ganha mais ânimo para viver.”

Ela acredita que iniciativas como essa deveriam existir em todos os municípios.

“Na cidade onde eu morava não tinha uma oficina assim. Quem dera toda cidade tivesse, principalmente para ajudar pessoas que passam por dificuldades.”

Cultura que acolhe

Outro aspecto lembrado por Rosângela é o acesso gratuito aos materiais oferecidos durante as aulas.

Tintas, pincéis, telas e demais insumos são disponibilizados pela Prefeitura, permitindo que qualquer pessoa participe, independentemente da condição financeira.

“Aqui temos tudo. Além disso, fazemos amizades, conversamos, aprendemos. A professora é uma companheira. Eu só tenho que agradecer à Secretaria de Cultura e Turismo e à Prefeitura por manterem essas oficinas.”

Antes de encerrar a entrevista, ela deixa um convite para quem ainda tem receio de participar.

“Eu recomendo para qualquer pessoa, não importa a idade. Se pudesse, eu vinha todos os dias.”

Cultura que transforma vidas

Mais do que oferecer cursos gratuitos, as oficinas culturais da Prefeitura de Lucas do Rio Verde cumprem um importante papel social. São espaços onde a arte aproxima pessoas, fortalece vínculos, desperta talentos e cria oportunidades para que histórias de superação, como a de Rosângela, encontrem novos capítulos.

Ao democratizar o acesso à cultura, o município investe também em inclusão, cidadania e qualidade de vida, mostrando que, muitas vezes, um simples pincel pode representar muito mais do que uma ferramenta artística: pode ser o primeiro passo para um recomeço.