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Com IA, empresas devem proteger capacidades humanas
Para o presidente da IAF Brasil, a abordagem centrada no ser humano deve orientar o uso da tecnologia para fortalecer escuta, diálogo, pensamento c...
23/07/2026 11h32
Por: Redação Fonte: Agência Dino

Marcelo Egéa, presidente da International Association of Facilitators (IAF) Brasil, afirma que a crescente adoção de inteligência artificial (IA) nas empresas brasileiras requer atenção à preservação de competências humanas. Segundo o levantamento TIC Empresas 2025, realizado pelo Cetic.br/NIC.br, a participação de organizações que utilizam IA subiu de 13% em 2024 para 17% em 2025, alcançando 50% entre as grandes empresas.

Para Egéa, o foco não deve limitar‑se à automação de tarefas, mas à possibilidade de enfraquecimento de habilidades como pensamento crítico, criatividade, empatia e colaboração quando decisões são delegadas excessivamente à tecnologia. "A discussão pública tem se concentrado muito em quais tarefas ou profissões podem ser substituídas. Mas existe uma pergunta igualmente importante: quais capacidades humanas podem ser enfraquecidas se começarmos a delegar excessivamente nossas reflexões, decisões e interações para a tecnologia?", destaca o presidente da IAF Brasil.

O conceito de IA centrada no ser humano (Human‑Centered AI) propõe que a tecnologia seja usada para fortalecer essas competências, e não apenas para acelerar processos. Egéa ressalta que a IA se diferencia de outras ferramentas por interagir por meio da linguagem, principal meio de comunicação humana, simulando diálogos, conselhos e questionamentos.

Um estudo da IDC, comissionado pela Microsoft Brasil, indica que 88% dos executivos brasileiros acreditam que a IA será o principal motor de competitividade até 2030, e que 51% das grandes organizações pretendem escalar a tecnologia nos próximos dois anos. Esses dados reforçam a urgência de repensar o papel da IA nas organizações.

Na prática, adotar uma abordagem centrada no ser humano implica mudar as perguntas feitas às tecnologias. Em vez de buscar apenas redução de custos ou aumento de velocidade, as empresas deveriam investigar como a IA pode ampliar a aprendizagem, a participação, a qualidade das conversas e a capacidade coletiva de tomada de decisão. "Se pedirmos apenas velocidade, eficiência e respostas prontas, é isso que receberemos. Mas, se orientarmos as IAs com as quais trabalhamos para ampliar reflexão, aprendizagem, participação, diálogo e pensamento crítico, começamos a direcionar a tecnologia para fortalecer capacidades humanas em vez de corroê‑las", ilustra Egéa.

O executivo também aponta que a IA pode ser útil em ambientes de conflito ou polarização, ao sugerir perspectivas ainda não consideradas e formular perguntas que ampliem a compreensão coletiva. Nesse contexto, a facilitação profissional ganha relevância, pois ajuda a transformar abundância de dados em entendimento compartilhado e a conduzir decisões coletivas.

"As respostas estão se tornando abundantes. Boas perguntas continuam escassas. Dados estão por toda parte. Entendimento compartilhado continua raro. É exatamente nesse espaço que a facilitação atua", acrescenta o presidente.

Segundo a visão da IAF Brasil, o diferencial competitivo futuro dependerá menos da sofisticação das ferramentas de IA e mais da capacidade das organizações de preservar, desenvolver e ampliar competências humanas por meio da tecnologia. "Quanto mais a tecnologia avança, mais importante se torna nossa capacidade de criar confiança, promover participação e construir soluções coletivas para problemas complexos. A facilitação não perde relevância na era da IA. Ela ganha", conclui.