Solidariedade e empatia são como ‘músculos’ da alma, sentimentos que só fazem sentido quando têm força de ação no mundo real, desenvolvidos diante do outro, uma pessoa igual a você.
Guiada por essa convicção, a Guarda Civil Municipal de São José do Rio Preto promoveu a visita dos seus mais de 140 alunos do Curso de Formação Especializada ao Hospital Nossa Senhora da Divina Providência, em Jaci.
Dos dias 27 a 30 de julho, grupos com cerca de 35 aspirantes, cada, e monitores revezaram-se no trajeto até a cidade vizinha.
O chamado Hospital de Jaci é classificado como complexo hospitalar, porque a maioria dos 245 leitos pactuados junto ao Governo Estadual são ocupados por pacientes moradores, pessoas totalmente dependentes, com condições neurológicas e/ou quadros psiquiátricos severos.
A Ala de Pronto Socorro atende urgências e emergências. O Polo de Saúde Integral (PAI) recebe pacientes em intenso sofrimento mental, com necessidade de intervenção no regime de curta permanência. Já a Ala Santa Catarina é exclusiva para os pacientes neuropsiquiátricos, residentes no hospital.
“Acreditamos que muitos pacientes, se não tivessem essa ala, essa instituição, esse hospital, estariam em situação de rua. Aqui uma equipe completa de saúde pode dar a eles dignidade e melhor qualidade de vida”, comenta a fisioterapeuta Fernanda Pontes, que chegou à instituição há 24 anos, como estagiária, e hoje coordena a Ala Santa Catarina.
Os alunos do curso de Formação foram conduzidos por Fernanda em cada uma das alas, conhecendo algumas das tocantes histórias dos pacientes. Pessoas gravemente comprometidas por sequelas de acidentes, complicações por abuso de drogas, com deficiência congênita, vítimas de crimes e também do abandono familiar, entre outras dores.
“Fazem parte dos princípios essenciais da Guarda Municipal a cidadania, o cuidado comunitário, o respeito ao próximo e a solidariedade. O intuito da visita é justamente colocar-nos sensíveis e atentos à humanidade uns dos outros, carregando isso no dia a dia do trabalho”, comenta o coordenador da Formação, cel. Maurício Marques.
A aluna Ana Cristina Aguera compartilhou o sentimento comum aos visitantes: “Não podemos esquecer que somos humanos. É muito comum olharmos só para o nosso umbigo e reclamar. Se olharmos ao lado, veremos que existem pessoas em situações mais delicadas”.
Apesar do trabalho intenso dos cerca de 300 profissionais que trabalham no Hospital e também dos imensos desafios vividos por cada paciente, o clima é de gratidão e respeito pelas manifestações de afeto e vida.
Jorge é um desses exemplos que inspiram. Cego e pessoa com condição neurológica atípica, é também autodidata e músico. ‘Tira de ouvido’ as músicas que toca no piano da capela local. Ele mudou-se para a Ala Santa Catarina há poucos meses, transferido de uma instituição desativada na região metropolitana de São Paulo.
“Antes tinha dia que não tinha café da manhã. Agora, como todos os dias. Também não toco por obrigação, mas sempre que quero. Tô muito bem aqui”, conta.
O aspirante a GCM Fabiano de Araújo Vieira foi um dos que não pôde conter as lágrimas ao ouvir o hino tocado por Jorge. “Não tem como não se emocionar. É vendo que essas pessoas estão felizes que a gente repara como nossos problemas não são nada.”
O Hospital de Jaci é o primeiro da Associação Lar São Francisco de Assis na Providência de Deus, que administra cerca de 80 obras assistenciais em todo o Brasil.
A visita ao Hospital Nossa Senhora da Divina Providência foi uma das atividades integrantes da semana de encerramento do Curso de Formação Especializada da Guarda Civil Municipal, parte obrigatória e eliminatória do Concurso Público (Edital nº 01/2024) que vai ampliar o efetivo da corporação.
Esta iniciativa contempla os itens 3, 4, 10, 16 e 17 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: Saúde e Bem-Estar (3), Educação de Qualidade (4), Redução das Desigualdades (10), Paz, Justiça e Instituições Eficazes (16) e Parcerias e Meios de Implementação (17). Conheça a Agenda 2030: https://brasil.un.org/pt-br/sdgs .