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Exposição “UNA”, de Roberto Galvão, reúne obras em Fortaleza
Mostra apresenta síntese da trajetória do artista cearense a partir da presença da cor preta em pinturas, esculturas, gravuras e desenhos; exposiçã...
13/08/2026 19h26
Por: Redação Fonte: Agência Dino

O Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza, apresenta, a partir de 29 de agosto, às 10h, a exposição "UNA", de Roberto Galvão, nome de destaque nas artes visuais do Ceará. A mostra reúne 114 obras, sendo 14 esculturas, 98 trabalhos sobre papel e duas telas, distribuídas nas duas galerias do Museu da Cultura Cearense. Com curadoria de Kadma Marques, curadoria adjunta de Júlio Mesquita e expografia assinada por Túlio Paracampos, a exposição permanece aberta ao público até 1º de novembro, com visitação gratuita. A realização é da Casadazartes Galeria de Artes.

Em suas exposições mais recentes, como "Jardim Interior" (2023) e "Sertão Galvão" (2024), o artista apresentou uma explosão cromática, celebrando a fertilidade da natureza e a vida que pulsa no Sertão. Inspirado pelas flores do seu próprio jardim e pela vegetação nativa — como mandacarus, damas-da-noite, chananas e orquídeas —, enveredou por um caminho em que o real é apenas o ponto de partida para o exercício da linguagem puramente pictórica. Nas duas mostras citadas, ele assumiu o colorido vibrante como um diálogo com a universalidade da arte contemporânea, mostrando a vida que também brota no solo árido do sertão.

Agora, num gesto de ruptura, Roberto Galvão apresenta a série "UNA", cujo título é um sufixo em nheengatu, língua indígena da região amazônica, que significa preto, negro. O artista vem trabalhando há algum tempo nesta temática para fazer ver a existência dos dois lados. "O sertão é luz, cor vibrante e, ao mesmo tempo, seco e agreste. A beleza encontra-se presente nas duas faces. A poética do sertão é luz e cor intensa, assim como também é silêncio e vastidão", diz o artista.

Entre criação, memória e transformação

Nascido em Fortaleza, em 1950, Roberto Galvão construiu uma trajetória marcada pela experimentação e pelo diálogo com diferentes linguagens das artes visuais. Assim como o colorido vibrante, a cor preta aparece em uma diversidade de temáticas, suportes e técnicas, da presença que se insinua até a afirmação do universo fecundo de onde brota a vida.

Nas décadas iniciais de sua trajetória, a cor preta aparecia muitas vezes como instrumento de construção do desenho, definindo contornos e registrando figuras. Ao longo dos anos, essa relação se tornou mais complexa. Nas xilogravuras e águas-fortes produzidas pelo artista, o preto ganhou densidade e passou a participar da construção de personagens, animais híbridos e criaturas que transitavam entre o imaginário e referências do universo sertanejo.

Essa investigação também se relacionou a trabalhos apresentados em exposições anteriores, como "Black White", em que a cor ocupava um papel central na composição das figuras, e "Mato Branco", projeto dos anos 2000 que reuniu pinturas, aquarelas, desenhos, gravuras e esculturas, em que as linhas escuras características da gravura foram transformadas em tramas vegetais brancas, retorcidas e entrelaçadas, muitas vezes marcadas por espinhos.

Em "UNA", essa produção é revisitada a partir de um elemento que atravessa diferentes momentos de sua carreira: a utilização do preto como matriz de criação. A partir do preto, Roberto Galvão desenvolveu figuras, paisagens, animais, formas híbridas e estruturas que transitam entre o reconhecível e o imaginário. O resultado é uma produção que permite diferentes interpretações e aproxima o espectador de um universo em permanente transformação.

A exposição parte justamente dessa recorrência para propor uma leitura de conjunto da obra do artista. O percurso evidencia como a cor esteve presente em diferentes fases de sua produção, assumindo funções distintas e estabelecendo relações com temas como a natureza, o sertão, a memória, o corpo e os processos de criação.

Assim, é por meio desse elemento que, no intenso trabalho de ateliê, Roberto Galvão segue na busca pela capacidade de abstração, síntese e sonho, transformando essa expressão em linguagem plástica e em fazer artístico.

Sobre Roberto Galvão

Roberto Galvão é graduado e mestre em História Social pela Universidade Federal do Ceará (UFC), onde defendeu a monografia "A Escola Invisível: Artes Plásticas em Fortaleza (1924-1958)". Sua atuação artística ultrapassou as fronteiras do Ceará e do Brasil. Ao longo da carreira, Galvão participou de exposições em países como Argentina, Cuba, Uruguai, Portugal, Espanha, Polônia, França, Alemanha e Bulgária, consolidando uma trajetória marcada pela circulação de sua produção em diferentes contextos culturais.

Serviço:

Exposição "UNA", de Roberto Galvão

Local: Museu da Cultura Cearense – Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Fortaleza (CE)

Período: 29 de agosto a 1º de novembro de 2026

Abertura: dia 29 de agosto, às 10h

Visitação: de quarta a sábado, das 9h às 18h30; domingos e feriados, das 10h às 19h

Acesso: gratuito