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Blefaroplastia estruturada trata olhar de forma completa
Oftalmologista Bárbara Mendes explica como a blefaroplastia estruturada avalia pálpebras, sobrancelhas e sustentação da região ocular de forma conjunta, buscando resultados mais naturais e funcionais do que a técnica tradicional focada apenas na r...
15/09/2026 14h35
Por: Redação Fonte: Agência Dino

A blefaroplastia, cirurgia voltada à correção do excesso de pele, flacidez e bolsas nas pálpebras, é hoje o procedimento estético mais realizado no mundo, somando mais de 2 milhões de procedimentos, segundo levantamento da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS). Nos últimos anos, a técnica vem passando por uma transformação conceitual: em vez de se limitar à retirada de tecidos, ganha espaço a chamada blefaroplastia estruturada, abordagem que analisa o conjunto de estruturas da região ocular antes de definir o que deve ser removido, preservado ou reposicionado.

A diferença entre os dois modelos está na forma como o cirurgião interpreta a pálpebra, explica a oftalmologista Bárbara Mendes, especializada em plástica ocular e com atuação em Brasília (DF) e Unaí (MG). "A blefaroplastia tradicional tem como foco principal a remoção do excesso de pele e das bolsas de gordura. A blefaroplastia estruturada enxerga a pálpebra como parte de um sistema dinâmico e interconectado. Isso significa que, em vez de simplesmente retirar tecidos, podemos preservar, reposicionar ou remodelar estruturas, buscando recuperar proporções e sustentação", detalha.

Segundo a médica especialista, o objetivo dessa mudança de abordagem é fazer com que o resultado da cirurgia respeite a anatomia individual de cada paciente, mantendo a naturalidade da expressão facial. "Saímos de uma cirurgia puramente reformativa para uma abordagem de escultura e restauração anatômica", resume Dra. Bárbara Mendes. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular (SBCPO) descreve esse modelo como uma evolução técnica que amplia o planejamento cirúrgico para além da simples retirada de pele.

Avaliação de múltiplas estruturas antes da cirurgia

No planejamento da blefaroplastia estruturada, diversos elementos da região dos olhos são analisados de forma conjunta antes de qualquer decisão cirúrgica. "Avaliamos a posição dos supercílios, qualidade e elasticidade da pele, volume e posição das bolsas de gordura, tanto as palpebrais quanto a gordura sob a sobrancelha, chamada ROOF, tonicidade do músculo orbicular e sustentação dos cantos laterais", informa a especialista. De acordo com ela, também entram na análise o formato dos olhos, a qualidade da pele, eventuais assimetrias e as proporções faciais do paciente.

Essa avaliação ampla é o que permite ao cirurgião decidir, caso a caso, o que deve ser preservado, reposicionado ou efetivamente tratado, afirma a Dra. Bárbara Mendes. Duas pessoas com queixas semelhantes podem, assim, exigir condutas cirúrgicas diferentes, a depender das características identificadas na avaliação pré-operatória.

O papel da sobrancelha na percepção do olhar

Um dos pontos que a blefaroplastia estruturada leva em conta é a posição da sobrancelha, que funciona como uma espécie de moldura da pálpebra superior. "Quando existe uma queda ou uma alteração importante na posição da sobrancelha, simplesmente retirar pele da pálpebra pode não solucionar a sensação de peso ou cansaço e, em alguns casos, pode até produzir um resultado artificial", alerta a oftalmologista.

Por essa razão, a posição da sobrancelha precisa integrar a avaliação pré-operatória, ainda que nem todo paciente necessite de intervenção específica nessa estrutura. "É fundamental entender essa relação para que o tratamento da pálpebra seja planejado de forma adequada e proporcional ao restante da face", pontua a Dra. Bárbara Mendes.

Equilíbrio entre estruturas favorece naturalidade

A especialista salienta que o olhar não depende de uma única estrutura isolada, mas da relação entre pele, gordura, músculo, pálpebras, sobrancelhas e elementos de sustentação da região. "Quando tratamos apenas um desses elementos, podemos melhorar uma característica, mas eventualmente criar uma desproporção em relação às demais", diz.

A abordagem estruturada busca justamente esse equilíbrio, o que pode significar, dependendo do paciente, a retirada de uma pequena quantidade de pele, a preservação ou o reposicionamento de gordura, ou ainda a associação com o tratamento de estruturas vizinhas.

"A ideia não é transformar o olhar, mas devolver leveza e proporção, respeitando as características individuais do paciente", frisa a Dra. Bárbara Mendes. Estudos publicados na Revista Brasileira de Cirurgia Plástica (RBCP) associam a cirurgia palpebral a ganhos relatados na autoestima de pacientes, somando-se ao componente emocional envolvido no procedimento, além do aspecto físico.

Função ocular permanece prioridade no planejamento

Apesar do avanço estético, a oftalmologista destaca que a função ocular segue como critério central de qualquer planejamento cirúrgico na região das pálpebras. "Como oftalmologistas e oculoplásticos, a função ocular é sempre a nossa prioridade número um. A pálpebra não é apenas uma estrutura estética: ela tem funções essenciais para a proteção e a lubrificação ocular, além de participar da dinâmica do piscar", acentua.

Por isso, uma cirurgia bem planejada precisa considerar não apenas o que será retirado, mas principalmente o que deve ser preservado. "A avaliação da função palpebral, da posição das pálpebras, da frouxidão e da sustentação é importante para reduzir o risco de alterações funcionais e buscar um resultado que seja simultaneamente estético, natural e funcional", conclui a médica.

Pesquisa publicada na Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões associa o procedimento bem indicado a bons índices de satisfação clínica entre pacientes avaliados no pós-operatório, o que confirma a relevância do planejamento individualizado defendido pela especialista.

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