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Webinário debate caminhos para investimentos sustentáveis
Evento online promovido pela LACLIMA e pela Amazon Investor Coalition reúne especialistas em financiamento climático, sociobioeconomia e negócios comunitários em outubro
24/09/2026 17h42
Por: Redação Fonte: Agência Dino

A corrida por investimentos ligados à conservação da Amazônia e à chamada economia verde ganhou espaço entre empresas, fundos, governos e organizações filantrópicas. Mas colocar dinheiro na região não significa, por si só, produzir desenvolvimento sustentável. Uma das questões centrais é saber como esses recursos são estruturados, quem participa das decisões e em que medida os projetos levam em conta a realidade dos territórios.

Esse assunto estará no centro do webinário "Amazônia em perspectiva: debatendo investimentos sustentáveis", realizado pela LACLIMA e pela Amazon Investor Coalition (AIC) em 6 de outubro, das 18h30 às 20h. O encontro será online e reunirá especialistas em financiamento climático e sociobioeconomia, além de uma representante de uma organização de produtores rurais da região. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas aqui.

"A discussão proposta parte de um problema recorrente em projetos voltados à Amazônia: a tentativa de aplicar modelos de investimento concebidos fora da região a territórios que têm formas próprias de organização econômica, social e comunitária. A diversidade de povos, ecossistemas, atividades produtivas e ritmos de tomada de decisão faz com que soluções padronizadas possam encontrar obstáculos na implementação ou produzir efeitos diferentes daqueles inicialmente previstos", diz Caroline Rocha, diretora executiva da LACLIMA.

Para Caroline, a questão também envolve a própria definição de sustentabilidade. "Para além da redução do desmatamento ou da geração de créditos e ativos ambientais, investimentos na região precisam considerar as condições para que negócios locais sejam economicamente viáveis e, ao mesmo tempo, contribuam para a conservação da floresta e para a melhoria das condições de vida das populações que vivem no território", ressalta.

Esses desafios foram reunidos na Cartilha de Investimentos Sustentáveis, publicada em 2 volumes, em 2025, pela LACLIMA e pela AIC. O primeiro volume identifica barreiras estruturais e condições necessárias para que investimentos sejam considerados legítimos, responsáveis e efetivos. O levantamento combina entrevistas com atores locais, análise documental e revisão de estudos sobre o tema. O segundo volume avança para recomendações práticas e reúne orientações jurídicas, culturais e institucionais para investidores e organizações que atuam na região.

"Investimentos éticos, sustentáveis e eficazes dependem de mecanismos contínuos de monitoramento participativo, indicadores co-construídos com as comunidades e canais de escuta ativos, garantindo que o poder de decisão permaneça integrado ao território. As cartilhas buscam justamente explorar essa fronteira, em que a arquitetura institucional encontra a execução real, destacando a necessidade de se superar métricas inadequadas à realidade local para promover parcerias legítimas e de longo prazo", diz Yanê Amoras Lima, Chefe de Integridade Jurídica da AIC.

O evento reunirá especialistas e representantes de organizações que atuam em diferentes frentes relacionadas ao desenvolvimento sustentável na Amazônia. Andrea Alvares, da fama re.capital, especialista em financiamento climático, e Isayana Oliveira, da Aliança Jurídica pela Amazônia, especialista em sociobioeconomia, estarão entre as participantes. Ana Alice, da Associação dos Produtores Rurais de Carauari (ASPROC), compartilhará a experiência de desenvolvimento de um negócio comunitário.

A abertura será conduzida por Caroline Rocha, diretora executiva da LACLIMA, e Yanê Amoras, diretora jurídica da Amazon Investor Coalition. Na sequência, Flávia Vieira, consultora sênior de políticas climáticas da LACLIMA, apresentará os Cadernos, enquanto Marina Guião, analista de políticas climáticas da organização, fará a moderação do debate.

As inscrições são gratuitas e estão abertas a investidores, gestores públicos, empresas que atuam na Amazônia, organizações da sociedade civil, pesquisadores e lideranças comunitárias. Os participantes também poderão contribuir para a discussão, enviando perguntas ao longo do evento.