Geral Legislativo - MS
Deputados denunciam episódios de retaliação a eleitores que votaram no presidente Lula
Em discurso na tribuna, na sessão plenária desta quarta-feira (28), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), os deputados da bancad...
28/10/2026 13h42
Por: Redação Fonte: Assembleia Legislativa - MS

Em discurso na tribuna, na sessão plenária desta quarta-feira (28), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), os deputados da bancada do PT denunciaram situações de ataques e assédio eleitoral contra pessoas que votaram no Presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição do dia 25 de outubro. A primeira a falar foi a deputada Gleice Jane. “Vamos encaminhar ao Ministério Público todas as denúncias, seja dentro do serviço privado ou público”, afirmou a parlamentar. O deputado Zeca do PT também disse que tem contato direto com o Ministério Público do Trabalho (MPT) e tem feito denúncias sobre a demissão de funcionários que votaram no presidente Lula.

Já o deputado Pedro Kemp usou a tribuna para reforçar que também recebeu diversas denúncias com o mesmo teor e comentou sobre o resultado das eleições. “Quero abrir meu pronunciamento fazendo registro do dia histórico que vivemos no dia 25 de outubro de 2026. Pela primeira vez um candidato à Presidência da República vira o resultado da eleição no segundo turno e amplia sua votação em mais de 10 milhões de votos, além de conquistar o quarto mandato”, destacou.

O parlamentar criticou a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil. “Se foi embora é porque deve. Ele jogou 59 milhões de votos no lixo. É um fato que será registrado na história do Brasil. Precisamos fazer uma reflexão sobre esse comportamento para que as pessoas não sejam enganadas e votem motivadas por sentimentos de raiva ou ódio ao atual presidente”, discursou. Kemp também registrou a mobilização popular no segundo turno, lembrando sobre o comício que participou no movimento “Diretas Já”. “Agora nós tivemos um verdadeiro levante popular, que começou com a juventude do Rio de Janeiro e se espalhou por todo País, inclusive aqui em Campo Grande, com cerca de 10 mil pessoas. Sem contar os idosos que saíram pra votar e isso me emocionou muito”, ressaltou.

Deputado Caravina falou sobre 1º turno

Denúncias

Sobre os ataques a eleitores que votaram no PT, o parlamentar disse que é preciso retomar o clima de debate civilizado, sem extremismo. “Não podemos aceitar ameaças de violência e outras tentativas de intimidação e retaliação para quem votou no presidente Lula”, argumentou. O parlamentar citou três exemplos ocorridos em Mato Grosso do Sul.

O primeiro delas foi sobre o prefeito de Chapadão do Sul, Walter Schlatter (PP), que postou uma imagem do mapa do Brasil transformando a região do Nordeste em uma figura de burro. “Um prefeito deve ter um comportamento civilizado. Essa atitude em uma rede social pode ser considerada crime de racismo”, pontuou. Outra denúncia é contra o soldado Souza Junior, de Cassilândia, que fez um vídeo afirmando que a polícia não vai atender mais petistas e que eles devem chamar o exército do Lula. “Esse soldado precisa responder por tal comportamento. Não reconheceu o resultado soberano das urnas. Isso é inaceitável. Vamos denunciar todas essas pessoas que agem pelo ódio”, destacou.

Ainda no município de Caarapó o deputado afirmou que foi feita uma lista de estabelecimentos comerciais cujo donos são petistas – para que as pessoas não comprem nesses locais. Também citou uma loja de perfumaria que estaria demitindo funcionários que postaram apoio à eleição de Lula. “Todos os trabalhadores que forem demitidos ou se sentirem ameaçados devem ir ao Ministério Público e denunciar. Já recebi várias denúncias e vamos denunciar os empresários por assédio eleitoral”, garantiu.

Em aparte, o deputado Caravina (PSDB) se pronunciou sobre o processo eleitoral. Ele lembrou que boa parte dos votos na direita durante o 1º turno foi de descontentamento com o envolvimento dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com o banco Master. “Eu espero que a reeleição não seja utilizada para esconder as denúncias contra o STF e o envolvimento com o banco Master. Gostaria de saber se o deputado Kemp concorda que essas denúncias não sejam jogadas embaixo do tapete”, declarou. Pedro Kemp respondeu que concorda plenamente com o aparte e que de fato é preciso exigir que tudo “seja passado a limpo” inclusive no STF. “Temos que tirar algumas lições desse processo eleitoral. Quando vemos a: América Latina praticamente toda governada pela direita e extrema direita seria natural ocorrer o mesmo aqui. Mas a eleição do presidente Lula representou uma resistência a essa extrema direita”, finalizou Kemp.

Deputada Lia Nogueira recebeu apoio de Paulo Duarte

Ataque às mulheres

Ainda na tribuna, a deputada Lia Nogueira (PSDB) denunciou violência contra as mulheres no âmbito da política. Segundo ela, foram registradas duas ocorrências de violência doméstica em Dourados praticadas por motivo político e também ataques às empreendedoras mães solos que estão sendo vítimas de perseguição política, também em Dourados. “São fatos que nos chamam a atenção. Sou uma parlamentar de centro direita e aqui defendo as mulheres e famílias atípicas, independente de partido”, afirmou.

Ela divulgou que também tem sofrido ataques nas redes sociais por não ter sido reeleita para deputada estadual. “As pessoas não estão conseguindo aceitar o resultado das urnas. Mas é preciso lembrar que a democracia e o respeito devem prevalecer. Venho sofrendo ofensas de todos os lados. Lembro que furei uma bolha porque cheguei aqui vinda da periferia. Entre esses ataques cito aqui a de um homem que entrou no meu stories e afirmou: vai ter que cozinhar agora. Era pra ser prefeita mas quis um salário melhor”, relatou.

A deputada finalizou afirmando que não responde por nenhum processo e que deixará o parlamento da mesma forma que chegou: com muita dignidade. Ela ressaltou que não vai aceitar esse tipo de ofensa. A parlamentar recebeu apoio dos demais deputados, entre eles, o colega de bancada Paulo Duarte (PSDB).