Geral SAÚDE
UTI do Hospital Regional de Cametá amplia acesso à assistência intensiva no Baixo Tocantins
Entregue em 2 de outubro deste ano, unidade registra mais de 40 internações no primeiro mês de funcionamento
06/11/2026 14h34
Por: Redação Fonte: Secom Pará

UTI do Hospital Regional de Cametá (HRCAM) completa um mês de funcionamento com 44 internações registradas em outubro

A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional de Cametá (HRCAM), no nordeste paraense, completou seu primeiro mês de funcionamento com 44 internações registradas em outubro. Entregue pelo Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Saúde Pública (SESPA), no dia 2 de outubro passado, a estrutura tem 20 leitos, sendo 10 destinados a adultos e 10 ao público pediátrico, e representa um avanço na assistência de alta complexidade para a população do Baixo Tocantins, que antes precisava recorrer a capital em busca de atendimento intensivo.

De acordo com o balanço assistencial, das 44 internações registradas, 38 foram encerradas até o dia 31 de outubro. Desse total, 17 resultaram em encaminhamentos para enfermarias, 2 em altas hospitalares e 7 em transferências para hospitais de referência. O tempo médio de permanência foi de 3,7 dias, e 9 episódios envolveram a necessidade de ventilação mecânica invasiva.

O hospital mantém equipes de médicos, enfermagem, fisioterapia e profissionais de apoio em regime de atendimento 24 horas, garantindo assistência contínua aos pacientes que necessitam de cuidados intensivos.

Para o diretor do Hospital Regional de Cametá, Klenard Ranieri, o primeiro mês de funcionamento demonstra a importância da implantação dos leitos para a rede pública de saúde da região. “Esses primeiros resultados mostram o quanto a UTI era necessária para Cametá e os municípios vizinhos", afirma ele.

Hospital tem equipes de médicos, enfermagem, fisioterapia e profissionais de apoio a atendimento e cuidado intensivo 24 horas

"Estamos falando de pacientes em estado grave que agora têm a possibilidade de receber cuidados intensivos mais perto de casa, sem precisar, necessariamente, enfrentar longos deslocamentos para outros centros. É uma conquista que representa mais segurança para os pacientes e tranquilidade para as famílias. Nossa equipe está empenhada em aperfeiçoar os serviços a cada dia, garantindo uma assistência cada vez mais qualificada e humanizada”, destaca o diretor.

Assistência perto de casa

Para a professora Gilma Lisboa, moradora de Cametá, a implantação da UTI representou alívio em um momento delicado para a família. Na segunda quinzena de outubro, seu cunhado, Antônio Lisboa, precisou ser internado no Hospital Regional de Cametá e, após o agravamento do quadro clínico, foi encaminhado para a unidade intensiva. Durante a internação, Antônio recebeu os cuidados necessários para sua recuperação, sem que a família precisasse enfrentar uma transferência para Belém.

“Ter esse atendimento no nosso município nos trouxe um alívio muito grande, porque não precisamos levá-lo até a capital, o que exigiria recursos financeiros e provocaria ainda mais desgaste emocional para todos nós. Ter uma pessoa que amamos em estado grave é muito difícil, mas poder acompanhar o tratamento de perto, manter contato com os profissionais e saber que ele está recebendo os cuidados necessários nos tranquiliza. Isso representa dignidade para a nossa população”, relata Gilma.

A professora também destacou o acolhimento recebido pela família durante a internação. “Quero ressaltar a delicadeza e a competência dos profissionais da UTI. Em um momento de tanta preocupação, fomos acolhidos com atenção e cuidado. É muito importante saber que temos esse serviço disponível aqui em Cametá”, acrescenta.

Menino atendido após acidente de pesca

Outro atendimento que marcou o primeiro mês de funcionamento da unidade foi o do menino Danilo Fonseca, que precisou de assistência de urgência após um acidente doméstico envolvendo um peixe. A mãe da criança, Maria Fonseca, de 36 anos, conta que o filho estava pescando próximo à residência da família quando colocou um peixe na boca, na tentativa de matá-lo, e acabou engolindo o animal acidentalmente.

Maria Fonseca: filho teve a vida salva, após um atendimento de emergência, por causa de um peixe alojado na garganta

A criança começou a apresentar dificuldade para respirar, acompanhada de secreção com sangue, o que mobilizou os familiares em busca de socorro. O primeiro atendimento ocorreu na Unidade Básica de Saúde (UBS) de Pindobal. Após, Danilo foi encaminhado de ambulância para Cametá. Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), a equipe realizou a avaliação inicial e, diante da gravidade do quadro respiratório, a criança foi encaminhada à sala vermelha e, posteriormente, à UTI do Hospital Regional de Cametá.

Segundo a mãe, durante o atendimento foi identificado que um peixe inteiro estava alojado na garganta do menino. Após a retirada do animal, Danilo permaneceu sob observação na UTI e, com a melhora do quadro, foi transferido para a pediatria, onde deu continuidade à recuperação.

“Foi um susto grande. Meu filho tentava respirar e não conseguia e a gente pensava que era apenas uma espinha de peixe, mas depois descobriram que ele tinha engolido o peixe inteiro. Fomos muito bem atendidos no Hospital Regional. A equipe cuidou bem dele, foi atenciosa o tempo todo e salvou a vida do meu filho. É bom saber que temos um hospital equipado para atender nossos filhos quando mais precisamos”, conta Maria.

Ampliação da assistência

A implantação da UTI integra o projeto de modernização do Hospital Regional de Cametá, que recebeu investimentos de R$ 57,7 milhões do Governo do Pará. A unidade é referência para os municípios de Cametá, Baião, Mocajuba, Limoeiro do Ajuru e Oeiras do Pará, fortalecendo a assistência hospitalar em uma região que, até então, não contava com leitos de terapia intensiva.

Hospital Regional de Cametá: implantação da UTI integra o projeto de modernização do hospital, com investimentos do Estado

A primeira etapa da reestruturação foi entregue em março de 2026, com a implantação do Serviço de Urgência e Emergência. Desde então, o setor contabilizou 5.535 atendimentos médicos, além de 160 tratamentos conservadores, 720 pequenos procedimentos e 474 imobilizações, ampliando a capacidade de resposta do hospital às demandas da população.

Com a entrega da segunda etapa, em outubro, o hospital passou a oferecer atendimento intensivo adulto e pediátrico, reduzindo a necessidade de transferência de pacientes em estado grave para outras regiões do Estado. A modernização da unidade também contempla a implantação do serviço de tomografia computadorizada e melhorias em setores de apoio, como Nutrição e Dietética, Central de Material e Esterilização e Processamento de Roupas.

Na terceira etapa, ainda em andamento, está prevista a implantação de 10 leitos de UTI Neonatal, além da ampliação e modernização de outros serviços hospitalares. Ao final das obras, o Hospital Regional de Cametá deverá passar de 56 para 135 leitos, um aumento superior a 140% na capacidade instalada.

Texto: Giullianne Dias / Ascom Sespa