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‘Mudou a trajetória da minha vida’, diz jovem de Taboão da Serra que passou em Engenharia Elétrica na USP pelo Provão Paulista
Beneficiado pelo ‘vestibular’ do Governo de SP, pelo ensino técnico e pelo programa de estágio BEEM, Eduardo Moura dos Santos ingressou na universi...
06/11/2026 15h51
Por: Redação Fonte: Secom SP

Morador de Taboão da Serra, Eduardo Moura dos Santos, de 18 anos de idade, ingressou este ano no curso de engenharia elétrica da Universidade de São Paulo (USP). Ex-aluno da Escola Estadual Professor Antônio Ruy Cardoso, na mesma cidade, ele conquistou a vaga na primeira chamada do Provão Paulista após concluir o Ensino Médio integrado ao curso técnico de administração. O resultado na edição do ano passado do Provão permitiu ao jovem ingressar na mesma área acadêmica em que seu pai, o técnico em alarmes de incêndio Marcelo Moura dos Santos, de 49 anos de idade, busca se formar após adiar o sonho de estar na universidade por duas décadas.

Eduardo garantiu a vaga direta na USP ao concluir o Ensino Médio aos 18 anos de idade. “É gratificante. É bem improvável passar na USP, é como se fosse um mito, um curso muito concorrido. Isso vai mudar a realidade da minha família. Eu quero ter um futuro próspero e o meu sonho é trabalhar na Google, com servidores e data centers”, afirma o estudante.

A história de Eduardo, o primeiro da família a ingressar na USP, reflete a mudança de acesso ao ensino superior promovida pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) ao implantar o Provão Paulista Seriado. A política pública garante acesso direto às universidades e faculdades públicas paulistas, como a USP, assim que os jovens concluem o Ensino Médio na rede pública. Seu pai, por sua vez, precisou adiar o sonho de se tornar engenheiro elétrico algumas vezes nas últimas décadas e, hoje, faz uma faculdade particular.

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Há 30 anos, ao terminar o Ensino Médio, o pai de Eduardo pretendia cursar engenharia elétrica, mas enfrentou a alta concorrência das universidades públicas e o custo elevado das faculdades privadas. Para manter o sustento da família e acompanhar a rotina médica do filho caçula, Guilherme, diagnosticado com autismo na infância, Marcelo adiou a graduação.

“Na época, os valores de uma faculdade privada eram muito além do que eu podia pagar. Estudei por conta própria, mas a fase adulta chegou e não havia condições de fazer curso integral porque eu precisava trabalhar. Em 2007, quando veio o Eduardo, a faculdade mais próxima ficava a duas horas de casa. Eu não queria sacrificar a minha família”, relata Marcelo. O pai ingressou recentemente em um curso a distância para atender às exigências do mercado de trabalho. “O formato EAD salvou o meu emprego. Hoje eu auxilio no setor da empresa e a expectativa é me tornar o engenheiro da firma.”

Foto: Marco Ankosqui/Governo de São Paulo

Pai e filho saem de casa todos os dias juntos: um, com destino à USP, outro, ao trabalho. O estudante acorda às 4h20 para percorrer um trajeto de duas horas e meia até o campus da USP Butantã.

Eduardo também já é uma inspiração para o irmão Guilherme: “Meu irmão já percebeu que ele pode entrar na faculdade, que é um caminho possível para a vida dele. Acho que sou uma inspiração pra ele, que tem autismo nível 1. Ele vai muito bem na escola, também está no curso técnico e já diz que vai querer fazer faculdade”.

Bolsa de estágio e economia para o futuro

Na 2ª série do Ensino Médio, a escola de Eduardo passou a oferecer o itinerário de Ensino Médio Técnico de administração. Por meio do programa Bolsa Estágio Ensino Médio (BEEM), o estudante trabalhou por seis meses como auxiliar de administração e vendas em uma empresa parceira da Secretaria da Educação, com jornada das 8h às 12h.

Com a bolsa de R$ 700 mensais recebida durante o estágio, Eduardo guardou e investiu os valores recebidos. A intenção inicial do jovem era guardar recursos e disputar uma bolsa de estudos em uma instituição privada, como a Universidade Presbiteriana Mackenzie. “Eu juntava a bolsa e decidi investir. Não gastei porque achei que ia fazer Mackenzie, mas veio a notícia da aprovação na USP e hoje o dinheiro continua rendendo. Se eu não tivesse passado pelo Provão, tentaria a bolsa no Mackenzie, porque a minha família não teria condições de pagar”, conta Eduardo.

A aprovação no Provão Paulista dispensou a necessidade de custos com mensalidades. Ao término do contrato de estágio, com o convite para ser efetivado na empresa, ele só não aceitou a oferta por incompatibilidade de horários com a graduação em período integral na USP.

“Eu me dediquei muito aos estudos durante o Ensino Médio e posso dizer que os dois programas da Educação, o BEEM e o Provão Paulista, mudaram a trajetória da minha vida e da minha família. Um dia vou comprar uma casa nova, um carro novo pro meu pai. Desejo ter um futuro próspero e um professor meu sempre diz que estar na USP é um primeiro passo para isso. Estou na melhor universidade que poderia estar”, avalia o jovem.

A mãe do jovem, a dona de casa Roseli Moura dos Santos, reforça a orientação dada em casa. “Sempre falo para o Eduardo estudar bastante e se dedicar, porque o futuro é construído pelas escolhas e ações diárias. Eu espero para ele um excelente emprego e que ele conquiste os sonhos planejados”, diz Roseli.

Políticas públicas para alunos do Ensino Médio

O Provão Paulista é o exame seriado da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo que avalia o desempenho dos estudantes ao longo dos três anos do Ensino Médio para a distribuição de vagas no ensino superior público. Desde a criação do sistema de avaliação, a iniciativa disponibilizou mais de 60 mil vagas nas instituições de ensino superior paulistas.

Na atual seleção — com provas que foram realizadas nesta semana por cerca de 380 mil concluintes do Ensino Médio na rede pública — , o Provão oferece 15,8 mil vagas distribuídas entre a Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (Fatecs) e Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp). Para o curso de engenharia elétrica no campus da USP Butantã, o mesmo curso do Eduardo, são 16 vagas em concorrência em 2026.

O programa Bolsa Estágio Ensino Médio (BEEM) concede bolsas de até R$ 883,66 para estudantes matriculados em cursos de Ensino Médio Técnico da rede estadual. As inscrições para o programa continuam abertas. Desde o início das operações, o BEEM registrou a contratação de 21,7 mil estagiários de cursos técnicos na rede pública de São Paulo.