

Para celebrar a trajetória de uma das artistas mais emblemáticas de Mato Grosso do Sul, o Governo do Estado, por meio da FCMS (Fundação de Cultura) e Setesc (Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura), leva obras de Lídia Baís, pertencentes ao acervo do Marco (Museu de Arte Contemporânea), para a Assembleia Legislativa.
As peças estarão em exposição durante sessão solene de concessão da "Comenda Lídia Baís", na sexta-feira (25), das 19h às 22h, no plenário Deputado Júlio Maia, no Palácio Guaicurus, em Campo Grande.
A exposição integra a programação do evento que marca a instituição da honraria por meio da Resolução n. 03/24, criada para reconhecer e valorizar a produção artística de autoria feminina em Mato Grosso do Sul. A iniciativa é da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, por proposição das deputadas Gleice Jane, Mara Caseiro e Lia Nogueira.
As obras que estarão em destaque pertencem ao acervo do Marco, museu administrado pela FCMS. Entre elas, estão Auto Retrato (Simboliza-Trindade), Virgem com Cruz e Micróbio da Fuzarca, todas executadas com a técnica de óleo sobre tela. As peças revelam a sensibilidade, ousadia e a espiritualidade que marcam o estilo inconfundível de Lídia Baís, artista pioneira na cena sul-mato-grossense.
Além de homenagear a própria Lídia, a Comenda também se propõe a reconhecer mulheres artistas que, assim como ela, deixaram e continuam deixando uma marca profunda na cultura do estado. A entrada é gratuita e aberta ao público.
Segundo a arte-educadora do Marco, Patrícia Aguena, a exposição é um resgate da artista como figura central na construção da identidade artística regional. “Levar o acervo da Lídia para o plenário é uma forma de inseri-la novamente no espaço público e de reafirmar o protagonismo feminino na arte sul-mato-grossense”.
Lídia Baís: arte, liberdade e pioneirismo
Nascida em 22 de abril de 1900, em Campo Grande, Lídia Baís foi uma artista multifacetada que desafiou as convenções sociais e culturais de sua época. Filha do maestro Gabriel Baís, demonstrou desde cedo uma inclinação para as artes, estudando pintura no Rio de Janeiro (RJ) com renomados professores como Henrique Bernardelli e Oswaldo Teixeira.
Sua busca por aprimoramento a levou a viagens pela Europa, onde teve contato com movimentos artísticos como o expressionismo e o surrealismo, influências perceptíveis em suas obras.
A produção artística de Lídia é marcada por temas místicos, religiosos e femininos, frequentemente explorando a dualidade entre o sagrado e o profano. Suas obras, como Auto Retrato (Simboliza-Trindade) e Virgem com Cruz, revelam uma profunda espiritualidade e uma crítica velada às normas sociais impostas às mulheres de sua época.
Além de sua atuação nas artes plásticas, Lídia também se dedicou à música e à literatura. Compositora e escritora, publicou o livro História de T. Lídia Baís sob o pseudônimo de Maria Tereza Trindade. Em 1950, fundou o Museu Baís em Campo Grande, embora este nunca tenha sido aberto ao público. Sua residência, a Morada dos Baís, tornou-se um espaço cultural importante na cidade.
Lídia viveu de forma reclusa por longos períodos, dedicando-se à meditação, ao estudo de filosofias espirituais e à caridade, frequentemente doando pertences aos necessitados. Faleceu em 10 de outubro de 1985, na capital sul-mato-grossense.
Lucas Castro, Comunicação Setesc
Foto: arquivo
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