


Com lirismo e profundidade histórica, o documentário ‘DaSilva DaSelva’, dirigido por Anderson Mendes, foi exibido na quarta-feira (21/05) no Teatro Gebes Medeiros, emocionando o público ao recontar a vida e a obra do artista plástico Sebastião Corrêa da Silva, conhecido como DaSilva DaSelva. A sessão integrou a programação do Cineclube de Arte e contou com entrada gratuita.
A obra é uma produção contemplada pela Lei Paulo Gustavo, promovida pelo Governo Federal e Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa. A iniciativa visa incentivar a difusão cinematográfica por todo o País, valorizando espaços culturais históricos, como o próprio Teatro Gebes Medeiros.
Um tributo à arte, à Amazônia e à memória
A obra audiovisual é resultado de um ano de pesquisa e mergulho afetivo no acervo pessoal, familiar e institucional do artista. Ao longo de sua vida, DaSilva DaSelva produziu mais de 600 obras, do desenho científico ao surrealismo, retratando com sensibilidade a fauna, a flora e o imaginário da floresta amazônica. Autodidata, escultor e ecologista, o artista é referência fundamental para a arte do Norte do Brasil.
Ainda em vida, ele doou mais de 500 peças de seu acervo para a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, atualmente expostas no Palacete Provincial. A decisão reforça o caráter público de seu legado e o compromisso com a preservação da identidade amazônica.
Narrativa poética e atuação marcante
O documentário se estrutura por meio de dramatizações sensíveis protagonizadas pelo ator Moacy Freitas, que interpreta DaSilva DaSelva em momentos inspirados em relatos e escritos do próprio artista. A atuação foi descrita como comovente pelo público e pela equipe.
A construção estética do filme, coordenada pela diretora de arte Keylla Gomes, recria o universo do artista com elementos da floresta, pigmentos naturais e objetos do cotidiano de DaSilva. A fotografia, assinada por Alexandre Pinheiro e Marcos Feitoza, dialoga com o artesanal, ao passo que a sonoplastia, liderada por Adailton Santos, insere o espectador no ambiente da selva, com sons captados em campo.
Direção pessoal e profunda
Além de diretor, Anderson Mendes também assina o roteiro, a montagem e a trilha sonora do filme. Para ele, o projeto representa não apenas um resgate cultural, mas uma homenagem pessoal ao tio. “Esse filme nasceu do meu desejo pessoal e afetivo de preservar a memória do meu tio. Mas, acima de tudo, de reafirmar a importância de uma arte que brota da terra, que fala com os bichos, com as folhas, com o barro”, afirma.


Durante a exibição, Anderson compartilhou momentos marcantes do processo de produção, como a primeira caracterização de Moacy Freitas no papel de Da Silva, que comoveu toda a equipe, e a visita à Pinacoteca do Estado, onde está guardado o acervo do artista. “A sensação que tivemos era que Da Silva literalmente estava presente acompanhando”, relembra.
Importância da difusão cultural
A exibição do documentário no Teatro Gebes Medeiros também lança luz sobre o papel estratégico dos espaços públicos na promoção da arte audiovisual. “É graças aos espaços como o Gebes e o Cineteatro Guarany que cineastas locais podem exibir seus filmes para uma plateia que sempre fortalece o cinema amazonense”, enfatizou Anderson Mendes.
Legado que inspira
O legado de DaSilva DaSelva, segundo o diretor, tem potencial para transformar e inspirar novas gerações de artistas da região. “Ele superou limitações de saúde, nunca desistiu de sua paixão e seguiu retratando uma Amazônia que poucos conseguem enxergar. A sua perseverança e a sua visão fantástica nos mostram que a arte pode florescer mesmo nas condições mais desafiadoras”, disse Anderson.
Próximas exibições
DaSilva DaSelva será exibido novamente nesta sexta-feira (23/05), na Mostra do Festival dos Povos da Floresta, em Porto Velho (RO). A expectativa é que o curta-metragem siga participando de mostras e festivais nacionais, ampliando o alcance do legado artístico de DaSilva DaSelva.
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