

Litoral Norte de SC concentra 96% da área plantada com palmeiras (Foto: Aires Mariga / Epagri)
Santa Catarina é o segundo produtor nacional de palmito, com 28,42 toneladas anuais (IBGE/2020). Quase toda a área plantada com palmeiras (96%) fica no Litoral Norte do Estado, assim como cerca de 60 empresas que beneficiam o produto.
Atentos a esse cenário, produtores, gestores e pesquisadores se reuniram no Centro de Treinamento da Epagri em Itajaí (Cetrei) para discutir os desafios da cadeia produtiva do palmito no Litoral Norte catarinense. A reunião, que aconteceu no dia 14 de maio, é a segunda da Câmara Técnica da Palmeira Cultivada, criada em outubro de 2024, para alavancar o setor. Em pauta, foram discutidos temas como readequação fiscal, cultivo agroflorestal e pesquisas sobre ganho de produtividade.
Na reunião inaugural, realizada no Centro de Treinamento da Epagri em Joinville (Cetreville) foi definida a composição da Câmara Técnica, com atores da cadeia produtiva. O objetivo é buscar soluções para entraves burocráticos e promover o desenvolvimento e a sustentabilidade da produção de palmito.
A reunião de Itajaí contou com a presença dos representantes da indústria Djalma Miranda (Natural Sabor), Darci Morastoni (PalmaSul) e Andrey Pabst (Alicon). Entre os produtores, participaram da reunião Gervásio e Alexandre Burig e Indalecio Sumech. Também compareceram Antônio de Castro, do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), a engenheira-florestal Camila Leal, do Instituto do Meio Ambiente (IMA), e a engenheira-agrônoma Fabiana Alexandre Branco, da Cidasc. A reunião foi completada pelos secretários de agricultura de Itajaí, Ilhota e Jaraguá do Sul, e a equipe da Epagri.
Na abertura do evento, o secretário executivo do Conselho de Desenvolvimento Rural, Paulo Arruda, leu a ata do primeiro encontro, quando foram discutidos os 11 pontos da Carta de Massaranduba de 2023. Uma das reivindicações dos produtores era a revisão da carga tributária para que o palmito produzido em Santa Catarina ganhe competitividade em relação a outros Estados. Outra questão é em relação ao destino sustentável do resíduo (biomassa verde), cuja parte comestível corresponde a apenas 3% a 4% da planta (600g).

Outra demanda é pelo registro de defensivos agrícolas exclusivos para o cultivo do palmito, a exemplo de outras culturas consolidadas, como hortaliças e cana-de-açúcar. Paulo disse que o assunto foi levado ao Congresso Nacional para elaborar um Projeto de Lei que permita o registro pelos Institutos de Ciência e Tecnologia (ICTs) de produtos similares aos existentes.
Em relação à regularização das unidades de processamento, ficou definido para a próxima reunião trazer um representante da Anvisa para discutir o assunto. Também será convidado um palestrante do IMA para esclarecer sobre o manejo da Juçara, e formular uma cartilha para produção de mudas de qualidade com a supervisão do MAPA.
Paulo Arruda lembrou que foram reajustados os valores do programa Financia Agro SC para quem está inscrito no Pronaf. Para a agroindústria e turismo rural com renda bruta de até R$ 500 mil ao ano, o financiamento de R$ 60 mil tem carência de cinco anos e pagamento sem juros. Para cooperativas, o empréstimo chega a R$500 mil. No caso de produtores, os valores foram para R$ 50 mil e R$ 120 mil. O novo Plano Safra catarinense inicia em junho.
O extensionista rural Marcelino Hurmus fez uma apresentação mostrando a evolução da produção de palmito no Litoral Norte catarinense, desde o tempo do extrativismo, que levou a um esgotamento dos estoques, até a regulamentação ambiental, nos anos 1990. Ele mostrou que as primeiras mudas de Palmeira Real chegaram ao Estado em 1996 e que o engenheiro-agrônomo Nilton Ramos, da Epagri, foi pioneiro nas pesquisas.
Marcelino também mostrou dados sobre a produção catarinense, cuja maior fatia se concentra em propriedades de até um hectare (36%) no caso da Palmeira Real. Em relação à Pupunha, 29% dos produtores têm de dois a cinco hectares. Já no caso da Juçara, que produz um fruto semelhante ao açaí , a área é delimitada pelos órgãos ambientais. É a espécie que mais leva tempo para produzir (cinco anos), comparada com a Pupunha (de 18 a 24 meses) e a Palmeira Real (24 a 30 meses).

O pesquisador e supervisor da Estação Experimental da Epagri em Itajaí (EEI), Alexandre Visconti, fez um relato sobre a evolução das pesquisas, e lembrou que a Palmeira Real chegou ao Estado como planta tropical ornamental. Com a proibição da atividade extrativista, os pesquisadores se debruçaram sobre a viabilização de outras espécies com fins alimentícios. Para isso foi criado uma fitotecnia para combater doenças que acometem a planta, e através do zoneamento climático, o Litoral Norte foi apontado como a região com maior potencial de cultivo por ser similar à região amazônica de origem, quente e úmido.
O engenheiro-agrônomo da Epagri Keny Mariguele mostrou os resultados da pesquisa sobre ponto de colheita e rendimento, que identifica a hora correta de executar o corte para obter mais toletes, considerado o “filé mignon” do palmito. Ele demonstrou que fazendo o corte no momento em que a folha “bandeira” se abre, é possível obter quatro toletes, restando apenas a parte basal para palmito picado. Se a palmeira estiver fechada, é obtido apenas um tolete. Keny também enfatizou a necessidade de fazer a adubação.
O gerente de projetos, Thiago Leal, lembrou que já existem propriedades que estão adotando o modelo, produzindo banana em consórcio com a Juçara e café, que por ser sombreado, fica protegido da geada.
Por Renata Rosa, jornalista bolsista da Epagri/Fapesc
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