

Escola conta atualmente com 246 alunos em período integral (Fotos: Pablo Gomes / Epagri)
Um legado de contribuição à ciência, à formação de cidadãos, ao progresso do agronegócio e, consequentemente, ao desenvolvimento de Santa Catarina. Nesta semana, um dos mais tradicionais e importantes colégios agrícolas do Brasil comemorou 85 anos e consolida-se cada vez mais como referência no ensino agrotécnico brasileiro.
Fundado em 1940, é o segundo mais antigo do Estado. O Cedup Vidal Ramos, de Canoinhas, no Planalto Norte, é de 1939. Os outros três, localizados nos municípios de Água Doce, Campo Erê e São Miguel do Oeste, são bem mais jovens, mas seguem o mesmo rumo exitoso.
O novo modelo de gestão compartilhada entre a Epagri e a Secretaria de Estado da Educação, em vigor desde fevereiro de 2025, potencializou ainda mais os Cedups agrotécnicos catarinenses.
“O objetivo desta parceria é fomentar a sucessão familiar. Toda família que tem um agronegócio, uma propriedade, sonha em dar sequência a esta história. Por isso, a Epagri entra neste novo momento com a missão de fortalecer o ensino, investindo em educação, em estrutura e nos professores, reconhecendo o grande trabalho que sempre foi feito e incentivando os alunos a se tornarem produtores rurais. Que eles possam trabalhar nas suas propriedades, fazendo a sucessão familiar e garantindo que o modelo catarinense, onde prevalece a agricultura familiar, continue existindo”, diz o presidente da Epagri, Dirceu Leite.

Fundado em 1940, o então Colégio Agrícola Caetano Costa funcionou por quase quatro décadas no espaço onde hoje está o Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), no bairro Conta Dinheiro, em Lages. Até que, em 1979, foi transferido para o município de São José do Cerrito, no local onde permanece até hoje, na localidade de Itararé, às margens da rodovia BR-282.
Em março de 2000, a nomenclatura da escola passou de Colégio Agrícola para Centro de Educação Profissional (Cedup) Caetano Costa. A homenagem a Caetano Costa foi mantida, numa reverência ao lageano nascido em janeiro de 1870 e que foi jornalista, militar, vereador, prefeito e seis vezes deputado estadual.
A instituição tem uma estrutura de escola-fazenda, onde se destaca um modelo educacional centrado no fazer reflexivo, aplicando o conhecimento nos laboratórios didáticos e preparando o estudante pautado em situações reais da agricultura e da vida.
Possui uma área de 173 hectares, onde desenvolve atividades como olericultura, fruticultura, bovinocultura de corte e de leite, suinocultura, ovinocultura, piscicultura, apicultura , silvicultura, jardinagem e paisagismo, avicultura de corte e de postura, culturas anuais, permacultura e indústrias rurais.
O Cedup Caetano Costa oferta o curso de técnico em agropecuária em concomitância com o ensino médio, tendo como entidades mantenedoras a Epagri e a Secretaria de Estado da Educação. A escola recebe alunos de várias regiões, a maioria do Sul do Brasil.
São filhos de pequenos, médios e grandes produtores, de centros rurais e urbanos. Convivendo em regime de internato e semiinternato, eles constroem suas identidades com valores de liderança, proatividade, criatividade, responsabilidade, organização, autonomia e respeito.
O curso tem duração de três anos e meio, dos quais, três na escola. Em seguida, vem o estágio curricular realizado em empresas do ramo. A escola conta com salas de aula, biblioteca, refeitório, grêmio estudantil, laboratórios, ginásio, quadras desportivas e alojamento.

Os alunos formam-se como técnicos em agropecuária e estão capacitados a atuar com atividades ligadas à cadeia produtiva da agricultura e pecuária, além de otimizar os recursos para a implantação de novas técnicas, visando elevar a produtividade, o desenvolvimento econômico e social do meio rural. Eles podem atuar também como empresários rurais, servidores de órgãos públicos ou colaboradores de empresas privadas do setor.
Destaque no modelo de oferta da educação profissional e tecnológica na rede estadual de Santa Catarina, a escola conta atualmente com 246 alunos em período integral, 37 professores e 28 servidores terceirizados.
Assim, o Cedup Caetano Costa caminha a passos largos rumo ao seu primeiro centenário, promovendo a qualificação profissional por meio da otimização de recursos físico-humanos no ensino agrotécnico, formando cidadãos participativos, críticos, solidários e comprometidos com o desenvolvimento sustentável.
“É uma trajetória de sucesso e muitas conquistas. A nossa escola é fundamental para a sociedade porque forma profissionais que engrandecem ainda mais o agronegócio de Santa Catarina. Mas além de profissionais, nós formamos cidadãos que colaboram com a nossa sociedade como um todo”, conclui o diretor da escola, Alberto Färber Júnior.
Por: Pablo Gomes, jornalista bolsista Epagri/Fapesc
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