

O Centro Cultural Teatro Guaíra lamenta o falecimento de José Tadeu Basso, aos 84 anos, ocorrido na manhã desta sexta-feira (29), em Curitiba. O velório ocorrerá neste sábado (30), das 8h às 15h, no Teatro José Maria Santos (R. Treze de Maio, 655, São Francisco).
Figura essencial da história do teatro no Paraná, com uma carreira de mais de 65 anos dedicados às artes cênicas, Basso deixa um legado inestimável para a cultura brasileira, especialmente em Curitiba, onde foi ator, diretor, produtor e dirigente de instituições fundamentais da cena local.
Sua trajetória iniciou justamente no palco do Guairão, ainda em construção, em maio de 1959, na histórica montagem de O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna. A peça, encenada em condições improvisadas e memoráveis, marcou não apenas a estreia do auditório Bento Munhoz da Rocha Neto, mas também o início da carreira artística de Basso, que seguiu como contrarregra e ator em radionovelas.
“Quando eu venho para o teatro, às vezes me sento aqui e fico imaginando aquele tempo. Tenho o prazer de saber que fui um dos primeiros a pisar nesse palco, é algo pra levar pra eternidade”, disse ele, em depoimento ao projeto O Palco e o Tempo , lançado em comemoração aos 140 anos do Teatro Guaíra, em 2024.
Basso se destacou como defensor do teatro itinerante, levando espetáculos que reuniam arte, educação e conscientização social por todo o Paraná e por outros estados do Brasil. Foi também um nome importante no cinema e na televisão, tendo participado de novelas marcantes ao lado de grandes nomes, como O Direito de Nascer (1966), com Claudete Baroni e Odelair Rodrigues, Vida Roubada (1967), com Delcy D’Ávila, e Estranha Melodia (1966), com Lala Schneider e Ayrton Muller.
Sua atuação também sempre foi marcada pelo compromisso com a classe artística e pela crença no poder transformador do teatro. Em suas palavras: “Eu só me encontrei na minha arte. Fora isso, nada me bastava”.
José Basso foi presidente da Associação de Produtores Teatrais do Estado do Paraná (APETEP), da Associação de Produtores em Artes Cênicas do Paraná (APAC-PR), e da Associação de Produtores Itinerantes do Paraná (APETI-PR) e do Sindicato de Empresários e Produtores em Espetáculos de Diversões do Estado do Paraná (Seped-PR).
Em 1985, assumiu a superintendência da Fundação Teatro Guaíra, atuando também na articulação que resultou no tombamento e preservação do Teatro da Classe — hoje Teatro José Maria Santos, espaço que desde 2011 coordenava com dedicação, fazendo dele um local de resistência e valorização das artes cênicas.
Casado com a atriz e autora Gilda Elisa Schimanski Basso, com quem compartilhou a vida e os palcos por mais de quatro décadas, é pai de Fernanda Basso. Deixa também a neta Maria.
O Centro Cultural Teatro Guaíra presta homenagem e agradecimento por sua incansável contribuição às artes.
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