

Uma espécie rara da flora da Caatinga, com nome científico Pitcairnia limae, foi encontrada na Área de Proteção Ambiental (APA) Bica do Ipu, durante uma ação de vistoria e monitoramento nas trilhas da Unidade de Conservação (UC) estadual, que é gerida pela Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima (Sema).
De acordo com o gestor da UC, Danilo Melo, responsável pela descoberta, já havia relatos da ocorrência dessa planta na Serra da Ibiapaba, mas nunca havia sido registrada oficialmente dentro da APA. “Estou emocionado e orgulhoso por poder identificar e contribuir para os estudos e pesquisas de uma espécie tão rara, que até então eu conhecia apenas por fotografias, em um planejamento do qual participei representando a COBIO/SEMA no PAN da Caatinga promovido pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro”, destacou.
A Portaria do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) nº 148, de 7 de junho de 2022, que lista as espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção, classifica a Pitcairnia limae como “Criticamente em Perigo” (CR), o que indica um risco extremamente alto de extinção na natureza.

Segundo o biólogo Christopher Morais, da Célula de Políticas de Flora da Coordenadoria de Biodiversidade da Sema, Pitcairnia limae é uma espécie endêmica do Ceará, ou seja, ocorre exclusivamente no Estado. “Na lista nacional , o Ceará possui 4 espécies classificadas como Criticamente em Perigo, 20 em Perigo e 15 como Vulneráveis. As Unidades de Conservação são fundamentais para a proteção dessas espécies, pois são territórios legalmente protegidos, onde atividades destrutivas são restringidas ou totalmente proibidas”, ressaltou.
A Sema colabora com o planejamento do Plano de Ação Nacional (PAN) para a Conservação da Flora Ameaçada de Extinção da Caatinga Ceará-Piauí, também conhecido como PAN Flora da Caatinga. A iniciativa integra o escopo do Projeto Estratégias de Conservação, Restauração e Manejo para a Biodiversidade da Caatinga, Pampa e Pantanal, financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF Terrestre) e abrange mais de 40 mil km², envolvendo partes dos estados do Ceará e do Piauí, desde a porção sul da Serra da Ibiapaba até o litoral, sendo delimitada pelos rios Acaraú (a leste) e Parnaíba (a oeste).

O gestor da APA, Danilo Melo, e outros técnicos da Sema, participaram da oficina de planejamento do PAN realizada em maio, no município de Fortaleza. O encontro teve como objetivo principal a definição de metas e compromissos concretos para a proteção da vegetação ameaçada do bioma nos próximos cinco anos. Em breve, uma equipe técnica do Jardim Botânico realizará visitas de pesquisa em três Unidades de Conservação do Estado: APA da Bica do Ipu, Cânion do Rio Poti e Parque das Carnaúbas.
Este é o primeiro PAN dedicado exclusivamente à flora do bioma Caatinga e é coordenado pelo Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), por meio da Coordenação de Projetos de Estratégias para Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção do Centro Nacional de Conservação da Flora (COESC/CNCFlora).
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