

O Instituto Estadual de Florestas (IEF) lançou um catálogo pioneiro que destaca o uso sustentável de plantas secas decorativas do Espinhaço Mineiro, com foco em espécies nativas como as sempre-vivas. A publicação integra as ações do Plano de Ação Territorial (PAT) para a conservação de espécies ameaçadas da região e representa uma importante ferramenta para o fortalecimento da bioeconomia local.
Mais do que reunir informações botânicas e dados históricos, o material propõe um novo olhar sobre a flora do Espinhaço, buscando aliar conservação ambiental ao desenvolvimento sustentável. Segundo Gabriela Brito, coordenadora do PAT Espinhaço Mineiro, o catálogo visa promover práticas conscientes e valorizar o conhecimento tradicional das comunidades locais.
“O catálogo não é apenas uma vitrine da flora regional, mas uma ferramenta estratégica para integrar conservação ambiental e desenvolvimento sustentável”, afirma. “A ideia é propor um novo olhar sobre o uso das plantas nativas, incentivando práticas que respeitem o meio ambiente e valorizem o conhecimento das comunidades locais”.
A iniciativa surge em meio ao desafio de conciliar a proteção da biodiversidade com as demandas econômicas das populações que habitam o território. Para isso, a publicação aposta na difusão de boas práticas de manejo e extrativismo sustentável, estimulando uma governança mais eficiente sobre a cadeia produtiva das plantas decorativas.
Além de servir como referência técnica para órgãos ambientais, pesquisadores e produtores, o catálogo busca inspirar uma relação mais equilibrada com o ambiente natural, promovendo o diálogo entre ciência, cultura e economia. A partir da busca em locais de comércio dessas plantas, durante o doutorado, o pesquisador Renato Ramos pôde identificar mais de 400 espécies de plantas que têm suas partes utilizadas, como flores, frutos, sementes e folhas.
“Esse é um trabalho de detetive, pois na maior parte das vezes temos apenas uma parte da espécie, o que dificulta muito o processo de identificação. Além disso, a origem das espécies é muito imprecisa, o que pode ampliar em muito as espécies possíveis”, relata Renato, um dos organizadores da publicação.
Segundo os organizadores, o objetivo não é esgotar o tema, mas abrir caminhos para uma nova etapa de relações sustentáveis com a vegetação do Espinhaço Mineiro. A publicação já está sendo distribuída entre comunidades tradicionais, instituições de pesquisa e gestores públicos, com a expectativa de fortalecer políticas públicas de conservação e incentivar práticas produtivas de baixo impacto ambiental.
O catálogo foi lançado no I Encontro do CRBio-04, realizado presencialmente na Universidade de Brasília (UnB), em Brasília, nos dias 30/9 e 1/10.
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