

A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) amplia sua atuação no planejamento urbano e territorial do Paraná, com a revisão dos Planos Diretores de quatro municípios: Adrianópolis, Imbaú, Reserva e São João do Triunfo. A parceria firmada nesta sexta-feira (28) com o Governo do Paraná coloca a instituição à frente da coordenação técnica do processo, que envolve estudos territoriais, mapeamentos atualizados e análises urbanísticas.
A iniciativa marca o início de um projeto-piloto do Escritório de Projetos Executivos de Engenharia e Arquitetura (Projetek), vinculado à Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti). Com o novo serviço, chamado “Projetek Mais Cidades”, a UEPG passa a integrar um modelo ampliado de apoio aos municípios, reunindo atualização de planos diretores e elaboração de projetos de obras para fortalecer o planejamento urbano, especialmente em cidades de pequeno porte. O objetivo é consolidar um modelo de apoio contínuo aos municípios com até 30 mil habitantes, unindo o conhecimento acadêmico das universidades estaduais à necessidade de planejamento urbano qualificado.
A revisão será conduzida por equipes do Laboratório de Planejamento Urbano e Regional (Lapur) da UEPG, que acumula mais de duas décadas de experiência em pesquisa e aplicação prática nas áreas de ordenamento territorial, políticas urbanas, mobilidade e desenvolvimento regional. O trabalho será realizado em parceria com as prefeituras e inclui uma ampla agenda de atividades: diagnósticos, produção de bases cartográficas, estudos de uso e ocupação do solo, análises socioeconômicas, oficinas participativas e audiências públicas.
Conforme a pró-reitora de Planejamento da UEPG, Andrea Tedesco, a parceria com o Governo do Estado permitirá a contratação de pessoal e a aquisição de equipamentos para o projeto. Serão 14 profissionais, entre bacharéis em Geografia, economistas, engenheiro civil e historiadores. A previsão é que a entrega dos planos diretores dos municípios ocorra entre um e dois anos. No futuro, a metodologia poderá ser replicada por outras universidades estaduais nos municípios de suas regiões.
Ainda segundo a pró-reitora, o investimento aproxima a universidade da sociedade ao aplicar conhecimento técnico na solução de problemas reais. “A gente usa o nosso know-how para resolver problemas de municípios, especialmente aqueles que têm pouca arrecadação”, afirma. Ela reforça que o projeto também amplia o aprendizado prático dos estudantes, que passam a atuar ao lado de profissionais formados e em contato direto com os municípios, avançando muito além dos conteúdos trabalhados em sala de aula.
De acordo com o coordenador do Lapur/UEPG, o geógrafo Márcio José Ornat, o projeto auxiliará os municípios a se desenvolverem de forma ordenada e sustentável. “Muitos municípios do Estado do Paraná têm seus planos diretores desatualizados. O município necessita dessa atualização para que consiga planejar o seu desenvolvimento econômico, social e ambiental. E também auxilia no ordenamento territorial”, afirma. Outro aspecto relevante de se ter o Plano Diretor atualizado, segundo Ornat, é a possibilidade de acessar recursos federais e estaduais para implantar infraestrutura e serviços públicos.
O secretário estadual da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná, Aldo Nelson Bona, destaca o papel da iniciativa no fortalecimento da capacidade de planejamento urbano. “Estamos avançando em uma agenda que promove a integração entre universidade e gestão pública para que os municípios paranaenses possam aprimorar os instrumentos de organização territorial e desenvolvimento sustentável, melhorando a qualidade de vida dos cidadãos em todas as regiões”, afirma o gestor.
Para o reitor da UEPG, Miguel Sanches Neto, o projeto representa uma oportunidade de atuação direta da Universidade no desenvolvimento regional. “Essa integração de vários agentes locais por meio da Universidade é o principal diferencial do nosso projeto. Ao mesmo tempo, os municípios se tornam também atores para a formação de nossos estudantes e abrem espaços de pesquisa para os professores”.
Ainda segundo o reitor, a iniciativa também fortalece a relevância científica da UEPG. “Este é um projeto modelo para a Universidade, pois cria uma visão georreferenciada dos conteúdos de nossos cursos, permitindo uma formação associada às demandas reais de comunidades, produzindo uma transformação social no mesmo instante em que se dá o ato de ensino-aprendizagem”, completa.
Texto: Gabriel Spenassatto, com informações da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná | Fotos: Abner Lobo









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