

Só no ano passado, a Prefeitura de Rio Preto, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social, ofereceu suporte a 550 venezuelanos. O montante representa 50% dos estrangeiros que receberam algum tipo de auxílio do município em 2025. Os dados são do Cadastro Único (CadÚnico), sistema controlado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, do governo federal.
Os dados apontam ainda que, de 2024 para 2025, houve aumento de 9,5% no número de venezuelanos atendidos pela Secretaria de Desenvolvimento Social de Rio Preto. Apenas em atendimentos diretos pela secretaria, foram 10 venezuelanos acolhidos e 149 atendimentos realizados pelas equipes do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas).
Em razão desse aumento, ao longo de 2025 foram realizadas capacitações das equipes da secretaria em espanhol e no uso de aplicativos de tradução, com o objetivo de qualificar o atendimento em todas as unidades de atenção básica.
Para atender essa demanda, a secretaria mantém convênio com a Rede Refúgio, organização da sociedade civil administrada e apoiada por denominações cristãs, que oferece apoio para a regularização da cidadania e encaminhamento para o mercado de trabalho.
Além disso, Rio Preto passou a integrar, em 2025, a rede de apoio Espaço da Cidadania do Imigrante, inaugurada no início de dezembro, no Memorial da América Latina, em São Paulo. “Nosso trabalho é preventivo, no sentido de oferecer atenção primária aos imigrantes para que nenhum deles fique nas ruas. São trabalhadores, profissionais dedicados que chegam ao Brasil buscando uma oportunidade”, esclarece a secretária de Desenvolvimento Social, Sandra Reis.
Entre os venezuelanos refugiados em Rio Preto está Jorge Maldonado Pino, de 58 anos. Nascido na capital venezuelana, ele precisou deixar o país em 2015, por medo da repressão. Ex-funcionário da petrolífera estatal PDVSA, saiu escondido da Venezuela após se recusar a assinar documentos de interesse do regime chavista. No sistema do governo venezuelano, está registrado como “opositor”. “Se eu entrar na Venezuela hoje, serei preso, como ocorreu com colegas de empresa”, relata.
Antes de chegar ao Brasil, em 28 de abril, pela fronteira do Acre com o Peru, na altura do município de Assis Brasil, Maldonado passou por Colômbia, Equador, Peru e Bolívia, além de tentar, sem sucesso, entrar no Chile.
Formado em hotelaria, turismo e gastronomia, em curso técnico superior pela Universidade Central da Venezuela, trabalhou em um restaurante de Ji-Paraná, em Rondônia, até novembro do ano passado.
“Quando faltou emprego lá, vim pegando ônibus, caronas e andando até chegar a Rio Preto. Inicialmente, eu pretendia seguir para Cuiabá, mas acabei me adaptando por aqui”, conta.
Ele se hospedou na Casa do Caminho — antigo Albergue Noturno —, foi atendido pela Rede Refúgio, regularizou a situação burocrática e atualmente trabalha como auxiliar de pintura com um amigo colombiano. Maldonado afirma que ainda considera cedo voltar ao seu país, mas sonha em rever a mãe e os dois filhos que ficaram na Venezuela.
“Espero que haja novas eleições e um novo momento no meu país. Quero abraçar todos que amo e voltar a viver minha vida em Caracas, de preferência trabalhando no setor de turismo”, conclui.
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