

Com trajes especiais e muito samba no pé, moradores de Cajazeira de Abrantes, na zona rural do município, coloriram a praça da localidade em uma celebração de fé e tradição na noite desta terça-feira (6), durante o Terno de Reis. A manifestação cultural e religiosa faz referência à visita dos três Reis Magos ao Menino Jesus, marcando a data como Dia de Reis.
A iniciativa, promovida pela comunidade com apoio da Prefeitura de Camaçari, através da Secretaria de Cultura (Secult), encerra o ciclo de festejos natalinos e dá início ao período de festas populares da cidade.
Rememorar a atitude dos reis que presentearam o Menino Jesus com ouro, incenso e mirra é um marco para fiéis católicos e admiradores da religião cristã.




O prefeito Luiz Caetano prestigiou de perto as apresentações. “O Terno de Reis é uma manifestação de tradição, cultura e identidade, uma história viva que atravessa gerações na nossa cidade”, pontuou.
A secretária de Cultura, Elci Freitas, destacou a alegria da celebração. “Cada canto e cada passo desse terno carregam a história de gerações e mostram a força da cultura popular de Camaçari. A Secult segue firme no cuidado e no fortalecimento de todas as manifestações que são patrimônio vivo do nosso município”, ressaltou.

Reunindo crianças, jovens e adultos, no festejo, os personagens bíblicos Melchior, Gaspar e Baltazar, além do anjo, foram representados por moradores de Cajazeira de Abrantes em uma encenação interativa. Entre cantigas e batuques, as sambadeiras deram o tom, animando a plateia que tomou a rua, em um clima de muita alegria e comunhão.
O Terno de Reis de Cajazeira de Abrantes é uma tradição perpetuada desde 2009 e que, ao longo do tempo, tomou corpo e força com a contribuição ativa da comunidade. É o que contou Janete Figueiredo Santos, 50 anos, uma das precursoras da festividade.
“Junto com a Mestra Nilcélia Santos, demos início a esta celebração aqui. Saíamos nas casas, de porta em porta, levando a folia. De lá pra cá, a festa foi crescendo mais e mais e ganhou outro formato. A cada ano fazemos roupas diferentes, com as saias para o samba de roda”, rememorou, bastante emocionada. “Gosto de sambar e de levar alegria. É uma cultura que mantemos viva, tudo feito junto com a comunidade”, completou Janete.

Filha da Mestra Nilcélia, que faleceu em 2025, para Neilma dos Santos Piedade, 42 anos, participar do festejo é uma maneira de manter vivo um legado, onde a cultura popular e a ancestralidade são epicentros.
“No ano passado, nesse período, minha mãe estava internada, mas estava lá pensando no Terno de Reis e disse para a gente não deixar de fazer. Outros lugares já deixaram de celebrar o terno, mas aqui em nossa localidade não vamos deixar morrer. Os moradores se reúnem, contribuem, colaboram para manter viva essa tradição”, pontuou ela, que é uma das cerca de 30 integrantes das Sambadeiras de Cajazeira.

O evento contou com apresentação dos grupos culturais Boi Janeiro de Parafuso, Burrinha Preciosa e Reisado, além de participação especial dos músicos Lucas Freitas e Rogério Bambeia.































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