

Com colaboração de Ellem Jady
Um dos principais objetivos do Programa REM Acre é alcançar os territórios mais diversos e distantes do estado, e para isso o programa tem uma base operacional: as parcerias estratégicas com as Organizações da Sociedade Civil (OSCs) locais. Sejam associações de produtores rurais, cooperativas de agricultura familiar ou entidades representativas de povos indígenas, as OSCs têm se revelado peças-chave para transformar projetos e ações em resultados concretos nas localidades.
Atuando como executoras diretas das iniciativas, com o suporte técnico do governo estadual, as OSCs garantem que os investimentos em sustentabilidade, produção e infraestrutura atendam de forma efetiva as populações e as comunidades, se adaptando as especificidades de cada comunidade e território, ampliando o impacto social, ambiental e econômico.

“O Programa REM foi concebido para gerar resultados concretos nos territórios, especialmente naqueles mais distantes e historicamente menos atendidos pelas políticas públicas. Para que isso seja possível, as parcerias com as Organizações da Sociedade Civil são fundamentais, pois elas conhecem profundamente a realidade local, os desafios e as potencialidades de cada comunidade”, destacou Marta Azevedo, coordenadora-geral do Programa REM Acre.
Em 2024 e 2025, essa estratégia foi intensificada, com a celebração de 17 termos de fomento em parceria com as secretarias de Povos Indígenas (Sepi), de Agricultura (Seagri) e da Fundação de Tecnologia do Estado do Acre (Funtac), que injetaram recursos para o gerenciamento de ações alinhadas ao desenvolvimento local e preservação do meio ambiente.
“Essa atuação conjunta reafirma o compromisso do Programa com o desenvolvimento local, a inclusão social e a preservação ambiental, demonstrando que a cooperação entre Estado e sociedade civil é essencial para transformar políticas climáticas em benefícios reais para quem vive e cuida da floresta” reforça Marta.
As parcerias com as OSCs indígenas têm como foco o fortalecimento da autonomia territorial e a garantia de segurança de renda. Ao todo, foram firmadas 9 parcerias e por meio delas, as associações indígenas passaram a gerenciar recursos destinados à aquisição de barcos e motores, reduzindo o isolamento logístico, além da instalação de poços artesianos para assegurar o acesso à água potável.

Para a secretária de Povos Indígenas (Sepi), Francisca Arara, essas parcerias ampliam o protagonismo das comunidades na gestão dos recursos e no fortalecimento das ações locais. “Por meio dessas parcerias, as associações indígenas passaram a gerenciar recursos destinados à aquisição de barcos motorizados, Starlink, construção de galinheiros e compra de pequenos animais, como galinha caipira e suíno, visando à melhoria da segurança alimentar desses povos e ao fortalecimento da merenda regionalizada”.
Por meio do edital Boas Ideias Geram Impacto, o Programa REM Acre, em parceria com a Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas (Sepi), tem levado resultados concretos para comunidades localizadas em áreas de difícil acesso. Na Terra Indígena Kulina do Igarapé do Pau, no Alto Rio Envira, em Feijó, foram entregues barcos para fortalecer o transporte entre as aldeias, materiais para a produção de artesanato e implantada internet, ampliando a comunicação.
“Os barcos também auxiliam no enfrentamento do isolamento e na logística desses territórios, somando-se à instalação de poços artesianos e à construção de cacimbas, ações essenciais para assegurar o acesso à água potável diante dos impactos de eventos climáticos extremos que afetam diretamente essas populações”, acrescentou Francisca.

Já as parcerias com as OSCs de agricultores familiares, produtores rurais e extrativistas, têm como objetivo implementar sistemas agroflorestais (SAFs), adquirir equipamentos para o beneficiamento de produtos e estruturar de forma efetiva as cadeias produtivas. Nesse eixo, foram firmadas oito parcerias.
Suellem Farias, diretora técnica da Funtac, pontua que as parcerias por meio do edital Boas Ideias Geram Impacto são importantes para ampliar os apoios as organizações coletivas: “Os recursos permitiram avanços concretos, como na parte de reestruturação física, treinamentos, qualificação de produtos gerados e fortalecimento da gestão dessas organizações e isso reflete no reconhecimento do papel dessas populações na conservação da floresta e, também, principalmente, no desenvolvimento sustentável do nosso estado.”

A parceria firmada entre o governo do Acre, por meio do Programa REM, com as Organizações da Sociedade Civil tem permitido ampliar o alcance geográfico para atender comunidades e territórios dos municípios como Feijó, Cruzeiro do Sul, Sena Madureira e Porto Walter, entre outros.
O método busca fortalecer as associações e cooperativas, demonstrando que esse é um dos investimentos mais estratégicos para o desenvolvimento regional sustentável. Mais do que executar projetos pontuais, o Programa REM Acre está contribuindo para a consolidação das organizações civis, capazes de protagonizar e gerenciar seu próprio futuro econômico e ambiental.
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