

Mostrar múltiplas possibilidades de geração de renda com a fabricação de produtos à base de cacau foi o objetivo de uma capacitação realizada nesta semana pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), no município de Iconha. A atividade reuniu 21 agricultoras e agricultores na agroindústria da Associação Vero Sapore, localizada na comunidade de Campinho.
O curso Derivados do Cacau foi ministrado pela extensionista Carolina Fernandes, do escritório do Incaper de Viana, e atendeu a uma demanda apresentada pelos próprios agricultores, interessados em diversificar a produção e agregar valor ao fruto.
Durante os dois dias de atividades práticas, os participantes aprenderam a preparar dez produtos diferentes, explorando tanto a amêndoa quanto subprodutos pouco conhecidos do cacau, como o mel e a sibira (membrana que envolve e sustenta as amêndoas dentro do fruto). Foram produzidos: geleia de mel de cacau com abacaxi, doce de sibira, amêndoa caramelizada, nibs temperado, achocolatado, pasta de cacau e barras de cacau com gengibre, coco, amendoim e banana — fruta muito produzida no município.
De acordo com a extensionista do Incaper em Iconha, Paula Bonadiman, o curso integra um conjunto de ações voltadas ao fortalecimento da cadeia produtiva do cacau no município. “Muitos produtores têm o cacau como complemento de renda. A venda das amêndoas para a produção de chocolate é uma alternativa mais comum, mas existem muitas outras formas de agregar valor ao produto. O curso apresentou opções de alimentos que podem ser processados de forma simples, com aproveitamento integral do fruto e grande potencial para a venda direta”, explica.
“A proposta é mostrar caminhos para ampliar a renda do cacauicultor a partir do processamento das amêndoas e do fruto. Inclusive, agricultores vizinhos aos produtores de cacau também podem ser beneficiados, porque têm a possibilidade de adquirir a matéria-prima e processá-la em suas próprias propriedades, contribuindo para a diversificação da produção e o aumento da renda”, complementa Carolina Fernandes.
A presidente da Associação Vero Sapore, Erenilda Ferreira Guio, destaca a importância da troca de experiências proporcionada pela capacitação. Agricultora agroecológica e agrofloresteira, ela conta que o cacau faz parte de seu sistema produtivo há mais de 20 anos. “Meu sítio é todo em sistema agroflorestal, e o cacau sempre fez parte dele. Eu já produzia alguns dos produtos ensinados no curso, mas precisava melhorar as técnicas, como no caso dos nibs e do cacau moído. O curso ajudou muito nesse aperfeiçoamento”, relata.
A capacitação também contou com a participação de produtores de cacau que não integram a associação, ampliando o alcance da ação. “A expectativa é que os conhecimentos adquiridos contribuam para a diversificação da produção, o fortalecimento da agricultura familiar e o aumento da renda por meio da comercialização de produtos artesanais à base de cacau nas feiras e mercados locais”, conclui Paula Bonadiman.
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