

A Escola Municipal de Educação Integral do Campo, unidade que entrará em funcionamento neste ano letivo de 2026 e acolherá crianças de oito escolas, seis delas da zona rural de Alagoinhas, é uma iniciativa que não só visa melhorar a qualidade da aprendizagem, como amplia as oportunidades para que mais crianças possam ter acesso à rede de ensino do município. Em 2025, as oito unidades educacionais que agora vão migrar para a nova estrutura somavam 377 vagas, a maioria em tempo parcial – somente uma delas ofertava educação integral, com apenas 18 alunos matriculados. A partir da mudança, este número salta para 424 vagas ofertadas, todas em tempo integral. Somente para crianças em idade de creche, o aumento na oferta é de 78%.
“No ano passado, nós só conseguimos ofertar nove novas vagas em creches, por falta de espaço físico. Agora, com a migração de algumas turmas para a Escola do Campo, teremos a oportunidade de ofertar mais 41 vagas, totalizando 50 para a região do Parque Sâo Bernardo. É importante ressaltar que o ensino em tempo integral garante o melhor desempenho dos estudantes, promove o desenvolvimento de habilidades socioemocionais e amplia o acesso a atividades culturais e esportivas. Para as famílias, proporciona tranquilidade no trabalho, reduz custos com atividades extracurriculares e simplifica a realização das atividades complementares e o reforço com a Língua Portuguesa e Matemática. É também uma forma de reduzir a evasão escolar”, explica Anne Nascimento, diretora de Desenvolvimento e Gestão Escolar da Secretaria de Educação de Alagoinhas (Seduc).
Localizada na antiga sede da Pastoral do Menor, no Km 101 da BR 101, a Escola de Campo está sendo preparada para oferecer uma estrutura moderna e completa, com salas de aula mais amplas, quadras poliesportivas, teatro, refeitório onde os estudantes terão acesso a cinco refeições diárias, entre outros espaços. Um dos pilares centrais da iniciativa é o fim do ensino multisseriado, modelo que reúne estudantes de diversas idades em uma mesma sala de aula e, historicamente, prejudica a aprendizagem das crianças e sobrecarrega os professores.
“Estamos trabalhando para que cada estudante aprenda no tempo e na idade certa, o que vai proporcionar mais qualidade na aprendizagem, um suporte personalizado para todas as crianças – sobretudo as pessoas com deficiência –, e outras melhorias, como na alimentação. Desde o transporte escolar que garanta a segurança dos estudantes durante o deslocamento, tudo está sendo cuidadosamente pensado e dialogado com a comunidade, a partir da plena consciência da responsabilidade que temos com os nossos estudantes e suas famílias”, comenta a secretária de Educação de Alagoinhas, Rita Bastos.
Para Ivonete Lima, presidente da Associação de Moradores do Parque São Bernardo, a mudança, embora desafiadora, é promissora. “No início, será difícil para os pais se adaptarem a essa situação de não estarem tão próximos dos filhos, mas acredito que a mudança será boa para todo mundo. Pelo espaço da escola ser maior, não haverá mais necessidade do ensino multisseriado, algo ruim para o desenvolvimento dos estudantes e para os professores também, que precisam se adaptar às atividades diferentes em um só ambiente”, diz.
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