

O Governo de São Paulo entregou na sexta-feira (23) as chaves dos apartamentos para 136 famílias do município de Santos, que vão morar no Residencial Novo Horizonte. O evento ocorreu no próprio condomínio, na Rua Dona Amélia Leuchtenberg, 645, com a participação do subsecretário de Desenvolvimento Urbano, José Police Neto. O empreendimento foi viabilizado a partir de dois aportes do Casa Paulista, que totalizaram R$ 12,3 milhões.
A demanda original é da Associação Habitacional Vila Sapo, que qualificou o projeto para receber recursos federais via Fundo de Desenvolvimento Social (FDS), no valor de R$ 95 mil por unidade. Como essa quantia não cobria o custo total da obra, a associação solicitou complemento ao Governo de São Paulo, que aportou a outra metade dos recursos necessários à construção do empreendimento. Os apartamentos têm 50 m² e são destinados a famílias com renda de até R$ 2,85 mil, indicadas pela associação.
“Esse é um terreno público bem localizado e grande, mas que possuía um uso muito ruim, com acúmulo de resíduos e doenças. A partir de 2023, com a participação do governador Tarcísio de Freitas, as obras do condomínio ganharam ritmo e, em cerca de dois anos, foram concluídas. Famílias que moravam há mais de 70 anos em um local insalubre agora passam a ter uma moradia de muita qualidade. O foco da política pública não é construir casas; é proporcionar que famílias habitem lugares dignos e decentes”, disse José Police durante o evento.
O Casa Paulista entregou 80 mil moradias desde 2023 e tem outras 104 mil em produção, considerando todas as modalidades de produção habitacional da CDHU ou de fomento por meio de cartas de crédito. Destas, 6,5 mil foram entregues na Baixada Santista, e outras 2 mil continuam em obras na região. Com investimento recorde, foram aportados R$ 8 bilhões nos últimos três anos, superando o investido nos oito anos anteriores (2015-2022).
O secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Marcelo Branco, avalia a importância de uma atuação conjunta entre as diferentes esferas de governo. “Temos um grande exemplo de como, ao juntar forças, conseguimos superar os desafios na área habitacional, que são enormes. Temos aportado recursos em obras federais, inscrito projetos em editais do Ministério das Cidades para captar recursos de Brasília e publicado, nesta semana, uma resolução para ampliar aportes, junto aos municípios, nos financiamentos do FGTS pelo Casa Paulista – CCI. São essas iniciativas que permitem avançar no enfrentamento do déficit”, destacou.
“Nesse caso de Santos, rachamos a conta com o Governo Federal. O município fez a articulação e a relação na ponta com a associação, o que resulta nessa entrega importante. Temos as construções da CDHU, com aporte massivo de recursos do Estado no financiamento habitacional”, completou Branco, ressaltando a importância das políticas de subsídio: “Temos muito sucesso com as Cartas de Crédito Imobiliário. Com subsídios de até R$ 16 mil a fundo perdido, conseguimos fazer com que famílias de dois salários mínimos realizem o sonho da casa própria via mecanismos de mercado. Com essa ajuda na entrada, temos o mesmo efeito dos outros programas: ajudar quem precisa a receber a chave do imóvel próprio”.
Um dos novos moradores do empreendimento é Bruno Melo, de 45 anos. Morador da Vila Sapo desde a infância, ele acompanhou de perto décadas de insegurança vividas pelas famílias da comunidade. “Já achamos que poderíamos ser removidos de uma hora para outra da área por meio de reintegração de posse. Foi muita tensão. Agora é diferente. Não há mais o pensamento de que ‘moro aqui, mas isso não me pertence’”, disse.
Bruno é presidente da Associação Habitacional Vila Sapo, fundada por sua mãe, Josefina, que faleceu em 2022 sem ver a entrega das chaves. Ele permaneceu à frente da entidade como forma de homenageá-la. “Um sonho sozinho, às vezes não se conquista. Mas um sonho coletivo sempre vira realidade”, afirmou.
Maria Adélia da Silva, de 50 anos, compartilhou desse mesmo sonho por anos. Para ela, a entrega das chaves do novo apartamento teve um significado ainda mais especial: ocorreu no dia de seu aniversário. “Eu não poderia ter um presente melhor”, disse. Moradora da Vila Sapo há 12 anos, após ter passado por anos pagando aluguel, ela agora vai se mudar com o filho, de 30 anos, e arcar com um financiamento mensal que corresponde à metade do que pagava anteriormente. “Vamos pagar por algo que é nosso. Vai mudar muita coisa nas nossas vidas, principalmente segurança e conforto.”
Gilda de Souza, de 57 anos, viveu por quase duas décadas na Vila Sapo e conheceu de perto a instabilidade de morar em um imóvel sem garantia legal. Natural da Bahia, ela chegou a Santos em 1991, construiu sua família na comunidade e, mesmo tendo comprado uma casa na área, sabia que o imóvel não lhe pertencia de fato. Agora, ela se muda para o novo apartamento ao lado do marido, Paulo, de 63 anos, e da filha Paola, de 18. “Receber as chaves da casa própria faz deste o dia mais feliz da minha vida. Hoje, eu sei que tenho um teto que é meu, um lugar seguro para morar”, contou.
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