

A rotina de agricultores familiares no norte da Bahia passou por uma mudança significativa após investimentos em mecanização e capacitação técnica realizados pela Associação Cidadania Rural, em Campo Formoso. Com a chegada de novos equipamentos, a cooperativa quadruplicou sua capacidade de processamento de milho, de 20 para 80 toneladas por dia, ampliando a renda das famílias envolvidas e fortalecendo a economia local.
Antes, a debulha do milho era feita manualmente, o que limitava a produção e exigia grande esforço físico. Com o novo maquinário, além do aumento do volume processado, cerca de 15 trabalhadores puderam ser realocados para outras funções, otimizando a organização do trabalho dentro da associação.
A cooperativa também mantém contratos de fornecimento de mamona e sisal, duas culturas adaptadas ao clima semiárido. Atualmente, a produção inclui cerca de 250 toneladas de mamona e 850 toneladas de sisal, contribuindo para diversificar a renda dos agricultores e garantir escoamento regular da produção.
Os investimentos foram viabilizados por meio do Selo Biocombustível Social, política pública federal que estimula a inclusão produtiva da agricultura familiar e estabelece preço mínimo para a compra de matérias-primas utilizadas na produção de biodiesel. Além da comercialização, os contratos preveem assistência técnica contínua e apoio à estruturação das cooperativas.
"Esses mecanismos garantem previsibilidade de receita e ajudam a fortalecer a produção local. São culturas resistentes à seca, com baixo custo de manejo, que têm papel importante na geração de renda, na permanência das famílias no campo e na conservação do solo", explica Elaine Carvalho, gerente de Sustentabilidade e Comunicação Integrada da Binatural, empresa parceira da associação no âmbito do programa.
Segundo Erielton Gonçalves Barros, diretor financeiro da Associação Cidadania Rural, a mecanização trouxe ganhos diretos para os produtores. "Aumentamos a produção, ampliamos as áreas plantadas e fortalecemos a economia da comunidade. Hoje, a agricultura familiar aqui tem mais estabilidade e perspectiva de futuro", afirma.
Além da infraestrutura e do fomento promovido pela Binatural, a associação investe em formação profissional, com cursos de tratorista, operador de máquinas, economia solidária, empreendedorismo rural e práticas agroecológicas. Técnicos agrícolas contratados localmente acompanham as famílias, orientando sobre boas práticas e produção sustentável.
Com planos de adquirir novos equipamentos e implantar uma estrutura própria de beneficiamento de mamona, a cooperativa busca ampliar sua capacidade produtiva e consolidar seu papel no desenvolvimento regional, mostrando como políticas públicas combinadas a parcerias privadas podem impulsionar a agricultura familiar em áreas de maior vulnerabilidade climática.
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