

Atualmente, cerca de 600 pacientes são acompanhados pelo Sertrans, por meio de atendimento multiprofissional e individualizado. Para Gael Baltokoski, 31 anos, do município de Brejo Santo, fazer parte do Sertrans representou uma mudança profunda na forma como se percebe e se posiciona no mundo. “Chegou um tempo que eu vi que não tinha saída, eu tinha que viver o que eu precisava de viver”, relembra.
Com apenas sete meses de transição, Gael relata transformações significativas em todas as dimensões da vida. “Estou só com 7 meses da minha transição e, em 7 meses, minha vida mudou totalmente, em tudo. Eu estou feliz, e é isso que importa. Cada dia eu sei que vou ficar mais feliz, porque, para mim, cada conquista vale muito”, afirma. Para ele, o acolhimento recebido no programa foi determinante para que pudesse se reconhecer, se fortalecer e, finalmente, se sentir bem consigo mesmo.

Ao longo do acompanhamento, Davina destaca que o cuidado recebido vai muito além das mudanças físicas. Para ela, o fortalecimento interno foi essencial para que o processo fosse saudável e respeitoso. “O programa também me ajudou a entender que a transição precisa ser muito mais algo dentro da gente do que apenas estético. O estético é consequência de um processo de transição saudável”, reflete.
Ela ressalta ainda que, embora a ansiedade faça parte do percurso, o respeito ao tempo de cada pessoa é fundamental. “A gente sabe que existe essa ansiedade de vivenciar aquilo que sempre almejou, mas também entende que as coisas vêm com o tempo”, pontua. Para Davina, o Sertrans se consolidou como um espaço seguro, de escuta e acolhimento. “Foi uma realização. O ambulatório acabou sendo, para mim, um espaço muito seguro, onde pude dar vazão às minhas demandas muito particulares, com humanização e respeito”, completa.
Segundo o responsável técnico do Sertrans, Victor Rezende, o respeito à identidade de gênero no cuidado em saúde tem impacto direto na saúde emocional e na continuidade do tratamento das pessoas trans. “Quando há respeito à identidade de gênero no atendimento, há redução do sofrimento emocional e promoção de bem-estar, com impacto positivo na saúde e na qualidade de vida. Esse ambiente favorece uma comunicação mais aberta e fortalece a relação de confiança entre paciente e equipe”, explica.
Victor Rezende também reforça que reconhecer a identidade de gênero é essencial para garantir o acesso e a permanência no cuidado em saúde. “O uso do nome social e dos pronomes corretos em consultas, exames e cadastros evita situações de constrangimento e desrespeito que afastam as pessoas do cuidado e podem configurar discriminação. Quando o atendimento é feito de forma respeitosa e segura em todas as etapas, a pessoa se sente acolhida, confia no serviço e consegue manter o acompanhamento contínuo, com impacto direto na sua saúde e bem-estar. Além disso, é importante lembrar que práticas de LGBTfobia são crime no Brasil, reforçando que o respeito no cuidado em saúde é um direito e um dever legal”, destaca.
O Serviço Ambulatorial Transdisciplinar para Pessoas Transgênero (Sertrans) passou a funcionar no Hospital Universitário do Ceará (HUC) em 24 de março de 2025, ampliando e fortalecendo o cuidado à população trans no âmbito da saúde pública. Anteriormente, o serviço era ofertado no Hospital de Saúde Mental (HSM), onde 204 pacientes realizavam acompanhamento ambulatorial. Com a transferência para o HUC, com a inauguração do equipamento, todos os pacientes tiveram a continuidade do cuidado garantida, sem interrupções no acompanhamento.
No HUC, a equipe multiprofissional é composta por endocrinologista, clínico, psiquiatra, psicóloga, assistente social e enfermeira. Além disso, os pacientes passaram a ter acesso a exames de imagem, exames laboratoriais e, quando necessário, a consultas com outras especialidades dentro do próprio hospital, o que facilita o acompanhamento integral e qualificado.
O serviço funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Para ter acesso ao atendimento, é necessário encaminhamento médico por meio da unidade básica de saúde, sendo os pacientes chamados conforme a ordem da regulação.
Até 31 de dezembro, o Sertrans registrou 3.626 atendimentos em consultas médicas, incluindo atendimentos com clínico geral, psiquiatra e endocrinologista, evidenciando o impacto e a relevância do serviço na promoção de uma saúde mais inclusiva, equânime e humanizada.
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