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Visibilidade, acolhimento e cuidado: Sertrans fortalece a saúde e a autoestima da população trans no Ceará

Ser visto(a), respeitado(a) e acolhido(a). Para muitas pessoas trans, esse ainda é um desafio cotidiano. No dia 29 de janeiro, Dia da Visibilidade ...

29/01/2026 às 14h52
Por: Redação Fonte: Secom Ceará
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Foto: Reprodução/Secom Ceará
Foto: Reprodução/Secom Ceará

Atualmente, cerca de 600 pacientes são acompanhados pelo Sertrans, por meio de atendimento multiprofissional e individualizado. Para Gael Baltokoski, 31 anos, do município de Brejo Santo, fazer parte do Sertrans representou uma mudança profunda na forma como se percebe e se posiciona no mundo. “Chegou um tempo que eu vi que não tinha saída, eu tinha que viver o que eu precisava de viver”, relembra.

Com apenas sete meses de transição, Gael relata transformações significativas em todas as dimensões da vida. “Estou só com 7 meses da minha transição e, em 7 meses, minha vida mudou totalmente, em tudo. Eu estou feliz, e é isso que importa. Cada dia eu sei que vou ficar mais feliz, porque, para mim, cada conquista vale muito”, afirma. Para ele, o acolhimento recebido no programa foi determinante para que pudesse se reconhecer, se fortalecer e, finalmente, se sentir bem consigo mesmo.

Foto: Reprodução/Secom Ceará
Foto: Reprodução/Secom Ceará
História semelhante é a de Davina Jeremias Morais (foto), 34 anos, de Fortaleza, acompanhada pelo Sertrans há cinco anos. O processo de transição começou fora do Ceará, marcado por incertezas e falta de orientação. “Meu processo de transição começou em São Paulo, um pouco no escuro, porque eu não tinha um direcionamento específico. Depois que mudei de estado, pesquisando na internet, descobri o Sertrans aqui em Fortaleza”, conta.

Ao longo do acompanhamento, Davina destaca que o cuidado recebido vai muito além das mudanças físicas. Para ela, o fortalecimento interno foi essencial para que o processo fosse saudável e respeitoso. “O programa também me ajudou a entender que a transição precisa ser muito mais algo dentro da gente do que apenas estético. O estético é consequência de um processo de transição saudável”, reflete.

Ela ressalta ainda que, embora a ansiedade faça parte do percurso, o respeito ao tempo de cada pessoa é fundamental. “A gente sabe que existe essa ansiedade de vivenciar aquilo que sempre almejou, mas também entende que as coisas vêm com o tempo”, pontua. Para Davina, o Sertrans se consolidou como um espaço seguro, de escuta e acolhimento. “Foi uma realização. O ambulatório acabou sendo, para mim, um espaço muito seguro, onde pude dar vazão às minhas demandas muito particulares, com humanização e respeito”, completa.

Segundo o responsável técnico do Sertrans, Victor Rezende, o respeito à identidade de gênero no cuidado em saúde tem impacto direto na saúde emocional e na continuidade do tratamento das pessoas trans. “Quando há respeito à identidade de gênero no atendimento, há redução do sofrimento emocional e promoção de bem-estar, com impacto positivo na saúde e na qualidade de vida. Esse ambiente favorece uma comunicação mais aberta e fortalece a relação de confiança entre paciente e equipe”, explica.

Victor Rezende também reforça que reconhecer a identidade de gênero é essencial para garantir o acesso e a permanência no cuidado em saúde. “O uso do nome social e dos pronomes corretos em consultas, exames e cadastros evita situações de constrangimento e desrespeito que afastam as pessoas do cuidado e podem configurar discriminação. Quando o atendimento é feito de forma respeitosa e segura em todas as etapas, a pessoa se sente acolhida, confia no serviço e consegue manter o acompanhamento contínuo, com impacto direto na sua saúde e bem-estar. Além disso, é importante lembrar que práticas de LGBTfobia são crime no Brasil, reforçando que o respeito no cuidado em saúde é um direito e um dever legal”, destaca.

Sertrans no HUC

O Serviço Ambulatorial Transdisciplinar para Pessoas Transgênero (Sertrans) passou a funcionar no Hospital Universitário do Ceará (HUC) em 24 de março de 2025, ampliando e fortalecendo o cuidado à população trans no âmbito da saúde pública. Anteriormente, o serviço era ofertado no Hospital de Saúde Mental (HSM), onde 204 pacientes realizavam acompanhamento ambulatorial. Com a transferência para o HUC, com a inauguração do equipamento, todos os pacientes tiveram a continuidade do cuidado garantida, sem interrupções no acompanhamento.

No HUC, a equipe multiprofissional é composta por endocrinologista, clínico, psiquiatra, psicóloga, assistente social e enfermeira. Além disso, os pacientes passaram a ter acesso a exames de imagem, exames laboratoriais e, quando necessário, a consultas com outras especialidades dentro do próprio hospital, o que facilita o acompanhamento integral e qualificado.

Acesso

O serviço funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Para ter acesso ao atendimento, é necessário encaminhamento médico por meio da unidade básica de saúde, sendo os pacientes chamados conforme a ordem da regulação.

Até 31 de dezembro, o Sertrans registrou 3.626 atendimentos em consultas médicas, incluindo atendimentos com clínico geral, psiquiatra e endocrinologista, evidenciando o impacto e a relevância do serviço na promoção de uma saúde mais inclusiva, equânime e humanizada.

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