

Nesta semana o ateliê da Academia Alfredo Andersen recebe o primeiro residente de 2026, Rafael Codognoto. Até 7 de março, o artista paranaense ocupará o ateliê para criar um mapa têxtil dos entornos do museu e, a partir de objetos coletados nas ruas, produzir obras que darão novo significado aos itens selecionados. O ateliê permanecerá aberto de terça a sábado, das 9h às 12h e das 13h às 17h.
Com o título provisório “Trajetos de Alfredo Andersen”, o projeto de Rafael parte de um mapa têxtil dos arredores do Museu Casa Alfredo Andersen, contando com as ruas e quadras das proximidades do espaço que um dia já foi a própria residência do pai da pintura paranaense. De terça a sábado, antes da abertura do museu, o público interessado poderá encontrar Rafael na frente da casa para participar das andanças pelas ruas próximas ao espaço, coletando diferentes materiais que encontrarem pelo caminho.
Para Rafael, a matéria é memória. Utilizando a assemblagem e a arte têxtil, ele desenvolve um método de ressignificação de materiais, em que plásticos, tecidos e madeiras coletados sofrem intervenções artísticas (como o encapsulamento e a queima) para se tornarem “objetos-pintura”. Segundo o artista, essas obras não necessitam de tinta. “Eu pinto criando objetos, eu não pinto fazendo pintura. Cada objeto é modificado e combinado com outros que criam padrões de cor”, afirma ele.
O resultado das obras ainda é um mistério até para o próprio artista. “Ainda não tenho uma ideia de como essa composição vai ficar. Você vai encaixando o que for achado. Vai ser algo único, porque o processo de criação não é apenas meu, mas da contribuição de todos os participantes. Eu vou escolher dentro do que for aparecendo, mas acredito que vários materiais sofrerão intervenção”, explica Rafael.
Durante o processo individual e coletivo de agrupamento dos objetos, intervenção e ressignificação, a costura atua como o elo final: os visitantes serão convidados a bordar esses trajetos, unindo fragmentos díspares e entrelaçando suas próprias memórias à carga histórica que cada material já carrega.
Em um ambiente como o MCAA, o artista afirma que sua pesquisa deve conversar com a arte de Andersen. “O meu projeto é uma caminhada, como se fosse o Andersen saindo da casa dele. Eu vou andar pelos caminhos que ele fez, quando ele saía de sua casa, observando a paisagem que ele observava. E a partir disso, pintar com objetos tendo suas obras como referência”.
COMO PARTICIPAR- A participação do público na residência de Rafael é gratuita e sem necessidade de inscrição. De terça a sábado, ele estará na frente do museu, às 8h50, para começar a caminhada e coleta de objetos. As pessoas que quiserem podem encontrar Rafael nesse horário e participar da caminhada, que durará uma média de 25 minutos. Após as coletas, os participantes são convidados a conhecer o museu e depois o ateliê da residência, onde podem ver mais dos trabalhos do artista.
SOBRE O ARTISTA- Rafael Codognoto é bacharel em Pintura pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná e trabalha desde sua infância com objetos ressignificados. Seu processo consiste, principalmente, em evidenciar a impregnação afetiva trazida pelos objetos descartados que coleta, em função de suas vidas e usos pregressos.
Agrupando-os em composições que transformam seu significado e mensagem, aborda questões urbanas e ambientais, assim como questões sociais relacionadas à infância, memória, gênero e repressão.
Entre as mostras de seu trabalho, já participou da exposição “Maria Bueno e Tantas Outras” em 2022 no Museu Casa Alfredo Andersen. Rafael Codognoto vive em Curitiba, mantendo um espaço expositivo e atelier em sua residência no bairro Boa Vista.
Serviço:
Trajetos de Alfredo Andersen - residência artística de Rafael Codognoto
Terça a sábado
Horário: das 9h às 12h e das 13h às 17h.
Entrada gratuita
Local: Rua Mateus Leme 336 – Centro – Curitiba
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