

A notícia da segunda gravidez chegou como um momento de alegria para a servidora municipal Edilânia Furtado, de 39 anos, moradora de Milagres, no interior do Ceará. Ainda nos primeiros meses de gestação, no entanto, durante o exame de ultrassom morfológico, a família precisou lidar com um diagnóstico inesperado: havia suspeita de que o bebê, Yan Furtado, tivesse Síndrome de Down. Mais tarde, já no sexto mês de gravidez, um ecocardiograma fetal confirmou que ele também nasceria com uma cardiopatia congênita grave, que exigiria intervenção especializada.
“A alegria deu lugar ao medo. Passaram mil coisas pela minha cabeça, principalmente por saber que teria que sair da minha cidade para buscar tratamento. Tive receio de não conseguir, de não dar tempo, de ele não resistir”, relembra Edilânia, emocionada.
Diante dos riscos identificados ainda na gestação, a servidora foi encaminhada pelo município para realizar o pré-natal na rede pública especializada da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), em unidade de Fortaleza. E foi na capital que Yan nasceu, no dia 30 de janeiro de 2025. O bebê foi encaminhado diretamente para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal, onde permaneceu internado por alguns dias até alcançar melhor desenvolvimento pulmonar.
Após a alta, passou a ser acompanhado ambulatorialmente pela equipe de Cardiologia Pediátrica do Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes (HM), unidade de referência no diagnóstico e tratamento de cardiopatias congênitas no Ceará.

Segundo a coordenadora do Serviço de Cardiologia Pediátrica do Hospital de Messejana, Klébia Castello Branco, o diagnóstico precoce e a definição da conduta adequada são decisivos para garantir um acompanhamento seguro desde o nascimento. Ela explica que a relação entre a Síndrome de Down e as cardiopatias congênitas é frequente e exige atenção desde o pré-natal.
“Estima-se que cerca de 50% dos bebês com Síndrome de Down nasçam com algum tipo de cardiopatia congênita. O defeito do septo atrioventricular forma total (DSAVT), que é o caso do bebê Yan, é o mais comum, presente em mais de 40% desses pacientes”, destaca a especialista.
A médica explica que a alteração cromossômica característica da Síndrome de Down está associada a falhas no desenvolvimento da região central do coração. “O DSAVT caracteriza-se por um defeito no coxim endocárdico. Essa alteração leva à formação de uma valva atrioventricular única e à presença de comunicações intracardíacas. Existem diferentes graus da doença, que podem demandar correção cirúrgica ainda nos primeiros meses de vida ou eletivamente, geralmente antes do primeiro ano”, detalha.
Durante os primeiros meses de vida, Yan foi acompanhado de perto pela equipe do HM até o momento ideal para a cirurgia de correção, realizada no início de janeiro deste ano. De acordo com Klébia Castello Branco, os sinais clínicos da cardiopatia costumam surgir precocemente. “São bebês que ficam mais cansados, apresentam dificuldade para mamar, aumento da frequência respiratória e dificuldade de ganho de peso”, alerta.
O diagnóstico precoce, preferencialmente ainda durante a gestação, por meio do ecocardiograma fetal, ou logo depois do nascimento, por meio do teste do coraçãozinho, realizado entre 24 e 48 horas após o parto, é fundamental para o sucesso do tratamento.
“Quanto mais cedo a doença for diagnosticada, mais adequado será o manejo e o planejamento do tratamento. Intervenções bem indicadas e realizadas no momento certo são decisivas e permitem que a criança tenha uma vida normal do ponto de vista da saúde cardiovascular”, acrescenta.

Para Edilânia, o dia da cirurgia foi marcado por medo, mas também por esperança. “Eu sabia que era um procedimento delicado, mas entendia a importância para a saúde dele. Quando vi meu filho entrando no centro cirúrgico, fiquei apreensiva, mas, ao mesmo tempo, tive minhas esperanças renovadas. Agora posso sonhar com um futuro para ele. Sonho em vê-lo ganhar peso, se alimentar sem cansar, se desenvolver, andar, falar e ir para a escola como outras crianças”, planeja.
A cirurgia de Yan foi um sucesso e, uma semana após o procedimento, ele recebeu alta hospitalar. O acompanhamento, no entanto, será contínuo. “As cardiopatias congênitas são consideradas condições crônicas, pois, embora tratáveis — seja por cirurgia, cateterismo ou uso de medicamentos —, geralmente exigem acompanhamento médico ao longo da vida. O diagnóstico precoce e o tratamento especializado são fundamentais para garantir mais qualidade de vida às crianças, especialmente aquelas com Síndrome de Down”, reforça a especialista.
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