

O Laboratório Central de Saúde Pública de Sergipe (Lacen), unidade gerida pela Fundação de Saúde Parreiras Horta (FSPH), tem registrado aumento no número de escorpiões enviados para identificação nos últimos anos. O crescimento acompanha tendência observada em outros estados do Nordeste e pode estar relacionado tanto ao aumento real da população desses animais quanto à maior conscientização da população e das equipes de vigilância sobre a importância da notificação e do envio das amostras para análise.
Em Sergipe, os escorpiões costumam aparecer com maior frequência nos períodos mais quentes e chuvosos, variando conforme o regime de chuvas de cada ano. Após períodos de chuva intensa, é comum que esses animais deixem seus esconderijos, aumentando o contato com a população.
De acordo com a bióloga do Lacen, Marta Maria Montes Leão, fatores climáticos e urbanos contribuem diretamente para esse cenário. “O aumento da temperatura, a alta umidade e os períodos chuvosos favorecem a atividade dos escorpiões. No entanto, as condições ambientais urbanas têm peso muito significativo. Acúmulo de lixo, entulho, esgoto a céu aberto e a presença de baratas, que são o principal alimento desses animais, criam um ambiente propício para a proliferação”, explicou.
O Lacen atua como referência no monitoramento desses animais no estado. O processo começa com a coleta segura do escorpião, que pode estar vivo ou morto, e o acondicionamento em frasco fechado. Em seguida, o material é encaminhado ao laboratório, onde passa por registro e identificação morfológica no Laboratório de Entomologia. O resultado é inserido no sistema e repassado à Vigilância Epidemiológica, contribuindo para o mapeamento das espécies e a definição de estratégias de controle.
A bióloga e biomédica do Lacen, Karine Dantas Moura, destaca a importância da identificação correta das espécies. “Nem todos os escorpiões possuem o mesmo nível de toxicidade. Identificar a espécie é fundamental para entendermos a distribuição geográfica, apoiar as ações de vigilância epidemiológica e subsidiar a tomada de decisão em saúde pública. Além disso, em casos de acidentes, saber qual espécie predomina na região auxilia na avaliação de risco”, afirmou.
Em Sergipe, a espécie mais encontrada é Tityus stigmurus, conhecido como escorpião-amarelo-do-Nordeste, considerado de importância médica e principal responsável pelos acidentes na região. Outras espécies podem ser identificadas no estado, mas nem todas representam risco significativo à saúde humana. No Brasil, os escorpiões de maior importância médica pertencem ao gênero Tityus.
O Lacen é porta aberta para o recebimento desses animais, e a população pode entregar os exemplares para análise. A iniciativa fortalece a vigilância ambiental e epidemiológica, permitindo acompanhamento mais preciso da presença e da distribuição das espécies em Sergipe. Em caso de acidente com escorpião, a orientação é procurar imediatamente uma unidade de saúde para avaliação e atendimento adequados.


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