

Aguiar sempre foi conhecida pela rotina tranquila do Sertão, pelas famílias ligadas à agricultura e pela construção coletiva de uma cidade que cresceu aos poucos. Agora, o município do Vale do Piancó passa a ocupar um lugar inesperado no mapa da ciência mundial. A chegada do radiotelescópio BINGO abre um novo horizonte para a cidade, conectando o cotidiano do interior paraibano às grandes perguntas sobre o universo.
Com a instalação do radiotelescópio BINGO, a expectativa é de que o município paraibano torne-se referência internacional na observação do universo, unindo ciência, tecnologia, turismo e desenvolvimento econômico em uma mesma narrativa de futuro.
Para o secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior da Paraíba, Claudio Furtado, o projeto representa mais do que um avanço tecnológico. “Investir em ciência no interior é investir em transformação social. O radiotelescópio não é apenas um instrumento científico, mas uma política pública que conecta o sertão paraibano ao futuro, gerando oportunidades, conhecimento e desenvolvimento regional”, destaca.
A história de Aguiar está ligada aos processos de ocupação do interior nordestino, marcados pela formação de comunidades rurais, pela religiosidade e pela organização social em torno da agricultura e das tradições locais. Ao longo dos séculos, o município construiu sua identidade a partir da persistência de sua população diante dos desafios do semiárido.
O morador Gilson Nunes relembra que a cidade já teve uma realidade bem diferente da atual. “Aguiar, quando eu era criança, era uma cidade muito simples, pacata, sem muito desenvolvimento econômico. A economia era mais oriunda da agricultura e as condições de vida eram mais difíceis. Mas vivíamos uma unidade familiar muito forte. Éramos felizes na simplicidade, com brincadeiras ao ar livre e responsabilidades desde cedo”, recorda.
Segundo ele, as transformações chegaram gradualmente, acompanhando o crescimento urbano e o acesso a serviços básicos. “As maiores mudanças vieram com a chegada da energia elétrica, água encanada, crescimento do comércio, escolas públicas bem equipadas, postos de saúde, pavimentação das ruas, acesso à internet e ao telefone celular. Isso mudou completamente a realidade da cidade”, afirma.
Se no passado o isolamento geográfico representava desafios, hoje ele se tornou um diferencial estratégico para a ciência. A baixa interferência eletromagnética e as condições ambientais da região criam um cenário ideal para projetos científicos de grande escala.
O coordenador do radiotelescópio BINGO, Elcio Abdalla, explicou que a escolha do local foi resultado de um processo internacional de análise. “Eu e o professor Wuensche procuramos várias áreas no Uruguai para observação do polo sul celeste, mas encontramos problemas locais. Decidi vir ao Brasil em vista de técnicas eletrônicas mais sofisticadas e, após extensas procuras, o professor Luciano Barosi nos conduziu a vários locais na Paraíba. Nos fixamos em Aguiar pela limpeza e proteção eletromagnética, sem torres de celular próximas que pudessem poluir as observações”, relata.
O radiotelescópio BINGO é dedicado ao estudo da matéria escura e à investigação da expansão do universo. Integrado a redes internacionais de pesquisa, o projeto posiciona a Paraíba no mapa global da astronomia.
Além da relevância científica, Abdalla destaca que a iniciativa deve gerar impactos diretos no território. “O município e toda a região vão ganhar melhorias ligadas à infraestrutura do telescópio, aumento do turismo científico, possibilidades de novos atrativos na cidade, melhoria da infraestrutura escolar e maior interesse científico entre crianças e jovens. Também há potencial para expansão da infraestrutura hoteleira e desenvolvimento econômico associado ao projeto”, afirma.
A iniciativa integra uma estratégia estadual voltada para descentralizar investimentos em ciência e ampliar o acesso à inovação em diferentes regiões da Paraíba. A presença de um equipamento científico de grande porte no interior reforça o papel das políticas públicas na interiorização do conhecimento e na criação de novas oportunidades.
Para a secretária municipal de Cultura, Esportes e Turismo de Aguiar, Cicera Maia Dantas, o impacto do projeto vai além da ciência. “A chegada do BINGO Radiotelescópio é um marco para o município. Os olhares da ciência estarão voltados para nós por vários países e seremos destaque nas páginas científicas por muito tempo”.
Ela destaca que a iniciativa abre novas perspectivas para o desenvolvimento local. “O futuro do município terá grandes mudanças no campo da cultura, ciência, tecnologia e principalmente na economia. Teremos oportunidade de modernizar cada vez mais nossa cidade, gerar renda e investir na educação, atraindo nossos jovens para a formação acadêmica em ciência e tecnologia”, disse.
Entre os moradores, o projeto desperta curiosidade e orgulho. A ideia de que cientistas internacionais possam circular pela cidade, antes distante da realidade local, hoje se torna parte do cotidiano imaginado para as próximas décadas. “A escolha do município foi uma surpresa para todos nós. Saber que receberemos pesquisadores e turistas é uma honra. O radiotelescópio trará reconhecimento nacional e internacional e pode evitar que muitas pessoas precisem sair daqui para buscar trabalho em outras cidades”, afirma Gilson Nunes.
Complexo Científico do Sertão
Tudo isso faz parte de um projeto ainda maior, chamado Complexo Científico do Sertão, um conjunto de equipamentos científicos implantados de forma estratégica, com o objetivo de interiorizar a ciência e promover o desenvolvimento regional no semiárido paraibano.





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