

Às margens do rio Guamá, na região insular de Belém, a Área de Proteção Ambiental (APA) da Ilha do Combu viveu um momento histórico, nesta quarta-feira (25), com o lançamento oficial do seu Plano de Gestão. Elaborado pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio), o documento consolida diretrizes que orientam o uso responsável dos recursos naturais e reafirmam o compromisso do Estado com a conservação ambiental aliada ao desenvolvimento social.
A ilha, reconhecida por suas belezas naturais e pela forte presença de populações ribeirinhas, abriga comunidades que mantêm práticas tradicionais como a pesca artesanal, o extrativismo e o artesanato. O Plano de Gestão surge como instrumento fundamental para assegurar que essas atividades continuem sendo exercidas de forma equilibrada, garantindo renda às famílias e a preservação dos ecossistemas de várzea que caracterizam o território.
O gerente da Região Administrativa de Belém do Ideflor-Bio, Júlio Meyer, destacou que o plano representa a consolidação de um propósito claro para a unidade de conservação, criada ainda na década de 1990, antes da regulamentação mais detalhada do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). Segundo ele, o documento estabelece uma direção sólida, definindo como prioridade a valorização do modo de vida tradicional e a proteção do ecossistema de várzea, além de oferecer ferramentas práticas e objetivas para alcançar esses objetivos.
Regramentos -O Plano também estabelece o zoneamento da ilha, delimitando áreas específicas para diferentes tipos de uso e disciplinando o manejo dos recursos naturais. A medida garante maior segurança jurídica para moradores e empreendedores, organiza a ocupação do território e orienta os processos de licenciamento ambiental, criando critérios claros para o funcionamento de atividades econômicas na APA.
A analista ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Márcia Segtowich, que ajudou diretamente na elaboração do documento, ressaltou que este é resultado de um processo iniciado há alguns anos, passando por diversas etapas de escuta com órgãos públicos, instituições parceiras e, principalmente, com as comunidades locais. “O ápice desse trabalho ocorreu durante oficina realizada em Mosqueiro, no ano passado, quando representantes de diferentes setores se reuniram para construir, de forma coletiva, o principal instrumento de gestão da APA. O resultado, segundo ela, é um plano estratégico, prático e alinhado aos anseios de quem vive e atua na ilha”, enfatizou.
Escuta -A participação comunitária foi apontada como elemento central na construção do documento. Moradores, empreendedores e conselheiros contribuíram ativamente para definir regras, prioridades e estratégias. Todos avaliam que o ordenamento ambiental fortalece a identidade cultural da ilha e assegura que pescadores, extrativistas, artesãos e barqueiros possam continuar exercendo suas atividades de maneira sustentável.
Moradora antiga da ilha e conselheira da APA, Izete Costa, conhecida como Dona Nena, celebrou o lançamento como a concretização de uma ferramenta legítima para proteger a floresta, os saberes tradicionais e a cultura local. “Como empreendedora que trabalha com produtos derivados da floresta, avalio que o instrumento agrega valor às iniciativas sustentáveis desenvolvidas na comunidade e contribui para frear práticas que vinham prejudicando o território e seus moradores”, disse a comunitária.
Outro eixo estratégico do Plano de Gestão é o incentivo ao turismo de base comunitária, considerado uma das principais vocações econômicas da Ilha do Combu. Com o ordenamento, a expectativa é fortalecer o ecoturismo responsável, ampliando a geração de renda e colocando as comunidades como protagonistas na recepção de visitantes, em um cenário de crescimento do fluxo turístico na região.
Trabalho conjunto -A assessora de Gestão do Ideflor-Bio, Lena Pinto, enfatizou que o documento é fruto de um trabalho coletivo, construído ao longo de diversas reuniões e articulações com parceiros e moradores. “O plano passa a nortear todas as ações e projetos a serem desenvolvidos na ilha, reforçando a legitimidade das iniciativas ambientais e consolidando o compromisso institucional com a qualidade de vida da população ribeirinha”, frisou.
Para o presidente do Ideflor-Bio, Nilson Pinto, o Plano de Gestão representa um acordo coletivo entre comunidade e poder público sobre a forma como a área deve ser administrada ao longo do tempo. “O documento garante que a ilha continue proporcionando vida digna às famílias, preservando sua integridade ecológica para as futuras gerações. Ao ser implementado, o plano consolida a APA da Ilha do Combu como referência na conciliação entre conservação ambiental e valorização das comunidades tradicionais, fortalecendo um modelo de desenvolvimento que respeita a floresta e as pessoas que dela dependem”, concluiu.
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