

Na Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV), localizada no campus de Jaboticabal da Unesp, uma disciplina de pedologia forense inédita no país vai permitir a estudantes de graduação dos cursos de engenharia agronômica e ciências biológicas se aprofundarem no campo da ciência do solo aplicada ao contexto jurídico e criminal.
De modo geral, a proposta reúne estudos sobre formação, classificação, propriedades e distribuição dos solos com o objetivo de aplicar tais conhecimentos científicos em investigações criminais, por meio de dinâmicas realizadas em salas de aula, laboratórios e atividades práticas, como a construção de cenas de crime simuladas.
A literatura científica em torno da pedologia forense mostra que vestígios de solo presentes no solado de um calçado, numa vestimenta ou mesmo no pneu de um veículo podem ser determinantes para a elucidação investigações, ao vincularem um suspeito à cena do crime, ou na reconstrução de trajetórias em crimes ambientais, por exemplo.
Oferecida como optativa, a disciplina começou a ser ministrada nesta semana para uma turma de 30 futuros engenheiros agrônomos e biólogos formada a partir de um universo de aproximadamente 60 estudantes interessados. Foram selecionados aqueles com os melhores desempenhos em mineralogia, gênese dos solos e geologia, que compõem parte obrigatória das graduações em ciências biológicas e engenharia agronômica. Os créditos atribuídos à disciplina de pedologia forense serão integralizados ao histórico dos estudantes participantes.
Segundo a professora Samara Alves Testoni, do Departamento de Ciência do Solo da FCAV, e responsável pela disciplina, a iniciativa está assentada em uma lógica interdisciplinar que une a ciência do solo às ciências forenses, área ainda em consolidação no âmbito acadêmico brasileiro. “A disciplina oferece uma oportunidade de obter um diferencial na formação desses alunos e, como docente, penso também que um dos principais pontos é permitir que o estudante visualize aquilo que está estudando conectado com uma aplicação existente lá fora, na sociedade. Um dos nossos desafios hoje como professores é fazer esse link”, afirma.
Samara Testoni, que ingressou como professora do quadro fixo da Unesp no final de 2024, desenvolve trabalhos na área de pedologia forense há cerca de dez anos, desde o doutorado em ciências do solo que defendeu na Universidade Federal do Paraná (UFPR), com período de estudos no Instituto James Hutton, da Escócia, sob a orientação da professora Lorna Anne Dawson, uma cientista credenciada na Agência Nacional de Combate ao Crime do Reino Unido (NCA, em inglês) e com vasta experiência na temática.

Ao longo dos últimos anos, já no Brasil, a professora da Unesp ajudou a consolidar conhecimentos científicos no campo da pedologia forense como apoio à atuação de peritos criminais. A professora tem publicado artigos na Revista Brasileira de Criminalística em que detalha técnicas construídas com base em seus trabalhos de campo – “fracassos e sucessos”, como gosta de frisar – em parceria com diferentes instâncias, como a Polícia Federal e polícias científicas.
Em um destes papers, é esmiuçado um Procedimento Operacional Padrão (POP) para perícia de locais de crime contendo vestígios de solo, assunto que a docente pretende levar para a sala de aula e que alude à essência do método científico: tão importante quanto saber distinguir as frações granulométricas de areia, silte e argila que compõem o solo de uma amostra, é ter cuidado ao coletá-la para não afetar a objetividade das análises. “Na disciplina, quero ensinar como fazer o método de coleta numa cena de crime simulada, utilizando o POP, e explicar as formas de se analisar esse material. A partir da análise do vestígio de solo, conseguimos revelar informações que estão ocultas”, diz Samara Testoni.
A docente também é uma das autoras do livro Ciências Forenses: Aplicações Científicas na Criminalística que em um de seus capítulos apresenta os avanços de técnicas analíticas em solos associados a contextos criminais. A professora explica que entre os diversos vestígios que podem ser deixados na cena do crime, como sangue, fio de cabelo, saliva ou digitais, o solo muitas vezes é negligenciado pelo autor do crime.
“É a primeira vez que oferecemos a disciplina de pedologia forense e tivemos uma lista de espera. Tenho recebido muitos alunos interessados nessa parte forense, inclusive pensando em pós-graduação. Acho que as pessoas têm curiosidade em aprender e estudar sobre isso. Eu também”, diz a professora da Unesp.
Cidades Vitória da Conquista coordena Fórum Unicidades e intermedeia webinário Agenda 2030 e ODS
Legislativo - MT Atendimentos no Espaço Cidadania estão mantidos durante o período eleitoral
Legislativo - MS Lei: Declaradas Utilidades Públicas de Associação de Moradores e Casa de Cultura
Caruaru - PE Prefeitura de Caruaru amplia arborização com plantio de mais de 1.000 árvores pela cidade em 2026
Caruaru - PE Prefeitura de Caruaru apresenta projeto Na Rota da Cultura e novas intervenções no Monte Bom Jesus
Legislativo - MS Deputados votam quatro projetos na sessão ordinária desta terça-feira Mín. 15° Máx. 24°





