

Impulsionadas pelo Governo do Pará, por meio do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio), as concessões florestais vêm fortalecendo o uso responsável das florestas públicas no estado, aliando conservação ambiental, geração de renda e fortalecimento da governança territorial. Em 2025, o Pará registrou um avanço expressivo nesse modelo de gestão, consolidando-o como uma das principais estratégias de desenvolvimento sustentável na Amazônia.
Até o momento, foram assinados 12 contratos de concessão florestal no estado, por intermédio da Diretoria de Gestão de Florestas Públicas de Produção (DGFLOP). Desse total, 11 são voltados ao manejo florestal sustentável e um à restauração ecológica. As áreas concedidas somam cerca de 680 mil hectares de florestas públicas sob gestão responsável, resultando em uma arrecadação superior a R$ 14 milhões para o Estado.
As concessões florestais permitem que áreas previamente delimitadas e licitadas sejam destinadas ao manejo sustentável de produtos e serviços ambientais, sempre sob regras rigorosas de monitoramento, transparência e controle público. O modelo garante que a floresta permaneça em pé, ao mesmo tempo em que contribui para o desenvolvimento econômico e social das regiões onde está inserido.
Responsabilidades e proteção das áreas
De acordo com a diretora de Gestão de Florestas Públicas de Produção do Ideflor-Bio, Ana Claudia Simoneti, o sistema estabelece responsabilidades claras às empresas concessionárias. “Além do pagamento de outorga ao Estado e da realização de investimentos sociais, as empresas assumem a proteção integral das áreas concedidas, com vigilância contínua para prevenir invasões, extração ilegal de madeira, desmatamento e queimadas”, enfatizou.
O manejo florestal segue critérios técnicos rigorosos. Segundo a diretora, a exploração ocorre de forma planejada e controlada. “O manejo ocorre por meio de um sistema de rodízio, que permite a produção planejada e contínua ao longo dos anos. Em cada hectare, área equivalente a um campo de futebol, são retiradas apenas de quatro a seis árvores selecionadas, respeitando padrões ambientais e legais”, explicou Ana Claudia.
Planejamento e regeneração da floresta
Outro ponto fundamental do modelo é o tempo necessário para a regeneração da vegetação. A mesma área só pode passar por um novo ciclo de manejo após um período entre 25 e 30 anos, tempo considerado suficiente para a recuperação da floresta.
Esse cuidado contribui para manter o estoque de carbono, favorecer a regulação climática, conservar a biodiversidade e garantir a continuidade dos serviços ecossistêmicos prestados pelas florestas.
O planejamento de longo prazo também prevê novos avanços. Para 2026, está previsto o lançamento de edital para concessões florestais em seis Unidades de Manejo Florestal localizadas nas Florestas Estaduais do Iriri e do Paru, ampliando o alcance do modelo no território paraense.
Referência em sustentabilidade
Segundo a gerente de Planejamento e Análises Florestais do Ideflor-Bio, Thais Novais, o pioneirismo do Pará torna as concessões florestais do estado uma referência nacional e internacional.
“Entre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) atendidos pelo modelo, estão o ODS 13, que trata da ação contra a mudança global do clima, e o ODS 15, voltado à vida terrestre. As concessões ajudam a combater o desmatamento em florestas públicas, promovem o uso sustentável dos recursos naturais e viabilizam a restauração de áreas degradadas ou desmatadas ilegalmente”, ressaltou.
Para a gerente, a concessão florestal também se consolida como um importante instrumento de governança pública. “Ela ordena o uso das florestas brasileiras e transforma áreas públicas em territórios sob regime de uso sustentável, com ganhos expressivos em ordenamento territorial, proteção florestal, desenvolvimento local e fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis”, concluiu Thais Novais.
Texto: Sinval Farias, com supervisão de Vinícius Leal (Ascom/Ideflor-Bio)
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