

Reconhecer, lutar e ter orgulho da sua identidade. Este é o caminho trilhado pelo Centro de Excelência Dr. Milton Dortas, unidade escolar da rede pública estadual de ensino de Simão Dias, centro-sul sergipano. O Centro é finalista do Prêmio Professor Porvir, uma premiação nacional com foco na relevância de projetos e atividades pedagógicas que beneficiam a educação da rede básica. Dos mais de 600 projetos inscritos, 30 foram selecionados para concorrer à premiação. O ‘Milton Dortas’ é a única escola que representa Sergipe no prêmio, com três documentários que abordam a existência e a luta contra o racismo, além do orgulho da identidade preta.
O projeto, de nome ‘Fala, Milton! – Edição: Documente-se!’ é uma produção dos alunos do 3° ano do Ensino Médio, coordenada pelo professor Marcelo Menezes, em conjunto com os co-orientadores Hudson Santos e Uedson Lima. Originária da eletiva ‘Documente-se’, em 2025, a ação trouxe três produções audiovisuais com a proposta de trazer uma reflexão crítica e profunda sobre o racismo estrutural existente na sociedade.
Os documentários estão classificados para a final do Prêmio Porvir, que possui duas categorias: etapa de ensino, composta pela Educação Infantil, Ensino Fundamental (Anos Iniciais), Ensino Fundamental (Anos finais) e Ensino Médio; e as categorias especiais, com a Educação Socioemocional, Educação Antirracista, Educação Financeira, Língua Inglesa, Tecnologia e Votação Popular. Nesta última, os 30 projetos selecionados para a final podem concorrer a uma votação aberta, em que será eleito o finalista que poderá comparecer ao Festival Encontro com o Porvir.
O resultado final dos vencedores por categoria estará disponível em abril. Os vencedores de cada categoria serão contemplados com a publicação de um livro digital, além do Selo Professor Porvir. Os ganhadores receberão uma viagem paga para São Paulo a fim de participar da premiação, e também serão convidados para o Festival Encontro com o Porvir.
A diretora do colégio, Karina Pereira Santana, parabeniza toda a equipe. “A instituição está muito feliz, porque é um projeto que movimentou a comunidade escolar, trazendo o nosso trabalho que fazemos com os jovens protagonistas, tornando-os críticos e conscientes”, reforça.
Conforme o professor coordenador da eletiva, Marcelo Menezes, as disciplinas eletivas proporcionam uma liberdade à prática pedagógica. E nesse contexto, foi observada pelo professor uma boa desenvoltura pelos documentários. “O próprio nome da eletiva - ‘Documente-se!’ - traz a perspectiva de abordar o próprio pensamento crítico do aluno por meio da comunicação audiovisual. E os principais objetivos são o fomento à discussão de temas sociais no âmbito escolar e o protagonismo dos alunos”, diz o coordenador, que é professor de Filosofia.
Produção dos documentários
Os próprios alunos foram os responsáveis por toda a pesquisa, gravação e edição dos documentários, sob a orientação dos professores. Foram ministradas aulas técnicas sobre aula de edição, filmagem com o celular e elaboração de roteiros, além de oficinas ofertadas pela Diretoria Regional de Educação (DRE) 2, da qual o ‘Milton Dortas’ faz parte. A produção dos documentários foi feita com base em um questionário etnográfico aplicado na escola, que mapeou a predominância de estudantes pretos e pardos, além do nível de consciência deles sobre a existência do racismo estrutural na sociedade e da necessidade de lutar contra este preconceito.
“A gente fica muito orgulhoso do trabalho que foi produzido, porque a gente acaba percebendo que o que nós fazemos aqui tem potência, ciência e método. Fica aquele gostinho de que ‘poxa, nós estamos indo no caminho certo’. O âmbito nacional é muito bom”, conta o professor orientador, Hudson Santos, que leciona Geografia e Projeto de Vida.
“O ‘Milton Dortas’ é uma escola de gente preta. Muitos estudantes daqui vêm de religiões de matrizes africanas, e esse é um tema que sempre esteve muito presente nos corredores da escola. Então, essa realidade é forte por aqui, mas nem sempre foi de uma forma saudável. Foi a partir disso que a gente entendeu que precisava discutir essas questões”, explica Hudson, que ressalta a comunidade da escola com forte influência dos moradores do povoado quilombola Sítio Alto, moradia de muitos alunos.
Para o professor Uedson Lima, a alegria está presente ao ver aonde os estudantes conseguiram chegar. “Embora eu seja professor de Biologia, minha identificação com o tema é profundamente humana. Como pessoa parda, a questão racial também atravessa minha história, mas acredito que não é preciso pertencer a um grupo para defender uma causa justa”, afirma o professor.
O primeiro documentário é intitulado ‘A cor do invisível’ e problematiza a existência do racismo, enraizado na sociedade de formas abertas e, também, silenciosas. Uma das alunas que participou na produção foi a Gabriella de Menezes. “Em 2025, nós começamos o ano revendo as produções do ano passado, para aprimorar no documentário deste ano. Fizemos algo com ótimos tutores. Algo de que nós gostamos. E ‘furamos a bolha’ neste ano, com a exibição em outros lugares. Foram muitas conquistas que a gente tem até um pouco de dificuldade de acreditar”, diz a aluna.
O segundo é o ‘Amanheceremos’, filme que mostra as práticas culturais pretas como resistência a uma sociedade que busca apagá-las pelo preconceito. O estudante Enzo Menezes foi um dos que fez essa produção, e conta que aprendeu muito com a produção da obra. “No documentário, isso aparece quando a gente percebe que, dentro da escola, muitas pessoas não conhecem ou não conseguem falar sobre referências da cultura negra. Isso não é só desconhecimento; é reflexo de um apagamento histórico”, enfatiza.
Já o terceiro é o “Por uma outra abolição”, em que se explica o surgimento do teatro feito por artistas pretos e a entrada destes no cinema nacional, marco histórico na luta contra o racismo institucionalizado nas artes. Um dos estudantes responsáveis por esse documentário foi Daniel de Andrade. “Desde já, me senti entusiasmado com a temática geral da disciplina, pela sua intersecção com as experiências estruturais minhas próprias, que sou negro. É importantíssimo somar o discurso antirracista à materialidade histórica dos acontecimentos e tentamos comunicar isso”, explica.














Dourados - MS Prefeitura debate desenvolvimento local com representante da Câmara de Comércio Brasil-Ásia
Bahia Funceb inaugura exposição com artistas contemplados na 10ª edição do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger
Bahia Em Salvador, governador entrega ônibus escolar para Palmeiras e discute investimentos para o município
Piauí Sesapi promove curso para qualificar servidores em equidade e saúde
Cidades Prefeitura mantém ações emergenciais em resposta aos danos causados pela chuvas em Vitória da Conquista
Gurupi - TO Gurupi recebe equipe técnica da CAF para avançar em projeto de financiamento internacional para obras estruturantes em diversas áreas
DIA MUNDIAL DA... Hospital de Clínicas Gaspar Vianna alerta para os impactos da obesidade na saúde física e mental
São Paulo Detran-SP lança página para guiar lojistas pelo Renave e pela Transferência Digital de Veículos
Legislativo - MS Renato Câmara pede ponte de concreto no Córrego Boa Vista em Rio Brilhante Mín. 16° Máx. 28°





