

Neste dia 5 de março, o Brasil celebra o Dia Nacional da Música Clássica. A data, instituída por Decreto Federal em 2009, não foi escolhida ao acaso, é uma homenagem ao nascimento de Heitor Villa-Lobos, o maestro que apresentou a alma brasileira ao mundo em forma de partituras.
Em Marabá, a celebração vai além dos palcos e ganha corredores de hospitais e lares de acolhimento através do projeto Música, Arte que Cura , da Fundação Casa da Cultura de Marabá (FCCM).
A iniciativa, que já completa um ano de vigência, rompe a rigidez do ambiente clínico. Músicos da Fundação visitam regularmente o Hospital Municipal (HMM), o Hospital Materno-Infantil (HMI) e o Lar São Vicente de Paulo, provando que a música clássica e instrumental é uma linguagem universal capaz de tocar as emoções mais profundas.
Para o violinista e instrutor da FCCM, Danilo Oliveira, o projeto é uma missão de humanidade. Ele, que iniciou sua trajetória musical aos 26 anos e hoje vive da arte, vê na música um remédio que ele próprio já utilizou.


“A música me tirou de momentos de ansiedade e problemas psicológicos. Ela tem essa missão de transformar vidas, assim como transformou a minha”, revela Danilo.
O músico explica que o repertório variado, que inclui instrumentos como violino e clarinete, busca oferecer conforto a quem enfrenta o isolamento do leito hospitalar.
“Às vezes o paciente se sente deprimido, excluído. A música ameniza essa dor, tanto física como emocional e espiritual. É também uma forma de incentivar e mostrar novos instrumentos para quem nunca teve esse contato”, pontua.
No Hospital Municipal de Marabá, o impacto é visível na rotina de quem cuida e de quem é cuidado. A enfermeira Alina Roberta Ferreira, que também é musicista, destaca que o ambiente hospitalar é naturalmente pesado e que a música atua como um “choque de vida” contra a tristeza do adoecimento.
“O paciente está longe de casa, da família, comendo uma comida diferente. O projeto é um alento. Alguns choram para liberar sentimentos, outros sorriem. A música tem um poder extremamente curativo”, afirma a enfermeira.


Alina ressalta que as melodias despertam lembranças positivas e aceleram a recuperação. “Isso traz sensação de conforto e ajuda muito na perspectiva da alta do nosso paciente. É um projeto fundamental que temos a graça de realizar junto à Casa da Cultura”, conclui a enfermeira.
O projeto Música, Arte que Cura vai ao Hospital Materno Infantil (HMI) toda terça-feira e ao HMM na quarta-feira, com apresentações dos artistas em diferentes áreas do hospital.



Texto: Fabiana Alves
Fotos: Paulo Sérgio Santos
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