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Projetos da educação pública sergipana são selecionados para etapa nacional do Prêmio Educador Transformador

Quatro projetos desenvolvidos por profissionais da rede pública estadual de ensino foram selecionados para a etapa nacional do Prêmio Educador Tran...

06/03/2026 às 21h21
Por: Redação Fonte: Secom Sergipe
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Projetos da educação pública sergipana são selecionados para etapa nacional do Prêmio Educador Transformador// Fotos:Ascom/ Seed
Projetos da educação pública sergipana são selecionados para etapa nacional do Prêmio Educador Transformador// Fotos:Ascom/ Seed

Quatro projetos desenvolvidos por profissionais da rede pública estadual de ensino foram selecionados para a etapa nacional do Prêmio Educador Transformador, promovido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A iniciativa reconhece práticas inovadoras na educação e, em sua 3ª edição, é direcionada a professores e gestores de instituições de ensino públicas e privadas que desenvolvem projetos voltados à transformação da aprendizagem e ao fortalecimento das práticas pedagógicas.

No centro-sul sergipano, a gestora da Diretoria Regional de Educação (DRE) 2, Daniela Silva, garantiu a segunda colocação na categoria Gestão Educacional Transformadora, exclusiva para gestores. O projeto ‘Lidera Aí’ surgiu como um programa de formação voltado a estudantes com perfil de liderança nas escolas, com o objetivo de desenvolver e potencializar habilidades que os capacitem a atuar de forma colaborativa como agentes de transformação. O projeto é estruturado de modo a atender o currículo sergipano nos componentes curriculares, sendo intermediado pelo professor responsável em cada escola. As ações são desenvolvidas pelos estudantes e voltadas à escola, baseadas nas habilidades na Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Ainda segundo a gestora, os alunos têm obtido resultados expressivos. “Nossos estudantes têm sido impactados com melhoria na comunicação e oratória, na escrita e construção de raciocínio lógico, na resolução de problemas, desenvolvimento de habilidades com tecnologias, além de terem recebido formação de qualidade ofertada por vários parceiros”, diz, acerca dos efeitos do projeto da comunidade escolar.

Integrantes da Diretoria de Educação de Aracaju (DEA), os centros de excelência Governador Augusto Franco e de Educação Profissional José Figueiredo Barreto destacaram-se na categoria Inclusão e Sustentabilidade na Educação, destinada a professores e gestores. A iniciativa desenvolvida no Centro de Educação Profissional tem como uma de suas principais propostas estimular o protagonismo estudantil e engajar meninas na pesquisa científica, incentivando a participação feminina nas áreas de ciência, tecnologia e inovação.

A partir da observação do grande volume de cascas de caranguejo descartadas diariamente na região na Orla da Praia de Atalaia, na capital sergipana, estudantes de iniciação científica desenvolveram o ‘Das cascas de caranguejo no lixo à biocerâmica no laboratório: Solução sustentável para o aproveitamento de resíduos do caranguejo na Orla da Praia de Atalaia/SE’, projeto voltado ao reaproveitamento desse resíduo. Após o consumo do crustáceo nos restaurantes, os restos costumam ser descartados no lixo comum e encaminhados para lixões ou aterros, onde se decompõem e liberam gases contribuintes para o agravamento do efeito estufa, além de provocar impactos ambientais como mau cheiro e acúmulo inadequado de resíduos.

Diante desse cenário, as alunas, orientadas pela coordenadora Darcylaine Martins, investigaram formas de transformar as cascas em biocerâmica, material com potencial de aplicação em produtos sustentáveis. A iniciativa alia educação científica e consciência ambiental ao propor uma alternativa responsável para o reaproveitamento de resíduos, além de incentivar a valorização da economia circular. O projeto também se destaca pelo impacto social e educacional, ao envolver estudantes em todas as etapas da investigação e estimular o protagonismo juvenil e ampliar o interesse pela ciência e a participação feminina na produção do conhecimento científico.

“Considerando que o JFB é uma escola de educação profissional, o projeto também incorporou uma dimensão empreendedora. As alunas pesquisadoras elaboraram um plano de negócios com o objetivo de transformar os resultados da pesquisa em uma proposta de empreendedorismo sustentável, explorando a possibilidade de produção e comercialização de artefatos feitos com biocerâmica. Essa iniciativa amplia o alcance do projeto ao integrar ciência, sustentabilidade e empreendedorismo, demonstrando como a pesquisa escolar pode gerar inovação e oportunidades de desenvolvimento econômico para a comunidade”, expressa Darcylaine, sobre a proposta que conquistou a segunda colocação em sua categoria.

No Centro de Excelência Gov. Augusto Franco, o projeto ‘Dispositivo de detecção de nível sonoro em sala de aula com controle remoto via dispositivos inteligentes’ surgiu a partir da percepção do barulho, que ultrapassava os 70 decibéis de intensidade, e do calor, que testava os limites de conforto térmico dos alunos nas salas de aula. O projeto monitora os níveis de ruído em tempo real, temperatura e umidade das salas de aula, transmitindo alertas automáticos para professores e gestores por meio de um aplicativo simples e acessível.
Desde sua implementação em três salas da unidade escolar, em setembro de 2025, o ‘InSpectra IoT 2.0’, como foi chamado o aplicativo, acumula conquistas que vão muito além dos números, com o nível médio de ruído reduzido de 72 para 47 dB, a fadiga vocal dos professores reduzida em 30% e o índice de satisfação entre docentes e alunos, o NPS (Net Promoter Score) do sistema, chegou a 92. Tudo isso com um custo unitário inferior a R$180,00 e instalação realizada pelos próprios estudantes em menos de cinco minutos.  

“O alcance do projeto já transborda os muros do CEGAF. Oficinas de mapeamento sonoro em empreendimentos de pequeno porte nos bairros circunvizinhos da escola, diálogo com familiares e amigos das comunidades, formação de jovens para o mercado de tecnologias verdes e proposta de uma parceria em construção com a Seed para piloto em três escolas estaduais de Sergipe em 2026, uma urbana central, uma periférica e uma do interior, mostram que essa solução foi concebida para funcionar exatamente onde mais importa. Todo o kit de replicação será disponibilizado gratuitamente com participação de aporte financeiro de órgãos de pesquisas, para que qualquer escola do Brasil possa reproduzir o sistema sem royalties e sem barreiras”, destaca Silvio Leonardo Valença, educador responsável pelo projeto que conquistou o 1º lugar na categoria para professores e gestores.

Já na DRE 3, que abrange o agreste central, o projeto ‘Borra de café e serragem como matéria-prima para bioprodutos agrícolas’, desenvolvido pelo professor Danilo Oliveira Santos, do Centro de Excelência Abdias Bezerra, em Ribeirópolis, conquistou o terceiro lugar na categoria Inclusão e Sustentabilidade na Educação. A iniciativa investiga o potencial da borra de café e da serragem de madeira como matérias-primas sustentáveis para a produção de bioplásticos e artefatos artesanais, com foco na valorização de resíduos lignocelulósicos e na promoção da economia circular.

Para sua realização, foram desenvolvidos materiais biodegradáveis e peças artesanais por meio de diferentes formulações, avaliando-se sua consistência, aplicabilidade e desempenho ambiental. Um teste qualitativo de biodegradação foi conduzido com a inserção dos materiais no solo, indicando redução na resistência à tração, mais manutenção da funcionalidade em aplicações específicas, como tubetes para produção de mudas.

“Os resultados demonstram viabilidade técnica, potencial educativo e benefícios ambientais, reforçando a importância do reaproveitamento de resíduos para a construção de práticas sustentáveis alinhadas à ODS 12 da Agenda 2030. O estudo evidencia que soluções de baixo custo podem contribuir para a redução de resíduos, ampliar a conscientização ambiental e estimular a adoção de tecnologias sustentáveis em contextos escolares e comunitários”, afirma o professor Danilo.

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