

Nas unidades da Fundação ParáPaz, o trabalho de acolhimento a vítimas de violência é realizado diariamente por equipes multiprofissionais, compostas por mulheres. Psicólogas, assistentes sociais, pedagogas e outras profissionais atuam na escuta, orientação e encaminhamento de mulheres - incluindo crianças e adolescentes -, que buscam apoio na instituição.
Em 2024, foram realizados 8.910 atendimentos nas 17 unidades especializadas que funcionam na Região Metropolitana de Belém e municípios do interior, envolvendo escuta psicológica, orientação social, atendimentos médicos e encaminhamentos para a rede de proteção. Em 2025, foram registrados 9.534 atendimentos.
Com 19 anos de atuação em Serviço Social, e há sete anos na Fundação, a assistente social Rosa Paes, coordenadora da ParáPaz Mulher- Casa Brasileira, em Ananindeua (na Região Metropolitana de Belém), destaca que o atendimento realizado pelas profissionais é fundamental para garantir acolhimento e segurança às vítimas. A diretriz está prevista na Lei Maria da Penha, que garante a mulheres em situação de violência o atendimento, preferencialmente, feito por profissionais do sexo feminino.
“Evita a revitimização e cria um ambiente de identificação e segurança. A mulher agredida, muitas vezes, sente receio do olhar julgador masculino. Ao ser acolhida por outra mulher, cria um vínculo de confiança, que facilita o relato e o rompimento do ciclo da violência. É uma questão de humanização prevista em protocolo”, ressalta Rosa Paes.
A experiência no atendimento às vítimas tem mostrado à psicóloga Marilúcia Bezerra, que atua há cinco anos no ParáPaz Mulher, em Belém, o impacto do acompanhamento oferecido às mulheres. Para ela, alguns momentos deixam ainda mais evidente a importância desse trabalho. “Nos momentos de alta percebemos o quanto elas são resilientes. Muitas relatam que conseguiram se reencontrar, entender o que querem para suas vidas, tanto no aspecto pessoal quanto profissional, e passam a reconhecer também quais relações podem ser saudáveis ou não para elas”, explica a psicóloga.
Programação itinerante- A Coordenação da Mulher, tendo à frente a advogada Patrícia Potiguar, desenvolve ações de prevenção e enfrentamento à violência por meio de atividades itinerantes, como palestras, rodas de conversa, atendimentos e encaminhamentos para a rede de proteção, além de iniciativas de formação e inclusão voltadas ao fortalecimento da autonomia de mulheres em situação de vulnerabilidade.
Segundo ela, “uma política pública estruturada é fundamental para garantir que as assistidas tenham acesso à proteção e ao atendimento especializado, além de conhecer seus direitos e encontrar caminhos para reconstruir suas vidas”.
Proteção à infância- No atendimento a crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência, o acolhimento também é especializado. Nas unidades, equipes multiprofissionais, compostas por profissionais femininas, garantem atendimento humanizado tanto às jovens quanto a seus responsáveis, de forma gratuita.
A assistente social Vania Tangerino, que está há seis anos no Centro de Atendimento Integrado (CAI) ParáPaz, da Polícia Científica, em Belém, e já percorreu diversos municípios ministrando palestras de capacitação para a rede de proteção, afirma que um dos maiores desafios é lidar com o impacto emocional das histórias que escuta diariamente. Segundo ela, é preciso buscar equilíbrio para continuar exercendo a profissão de forma responsável e sensível.
“Acredito que o que me faz continuar é saber que cada criança ou adolescente atendido pode ter sua história transformada. Mesmo diante de tantas dificuldades, ver um olhar que volta a ter esperança, uma família que encontra apoio ou um direito que finalmente é garantido me lembra que essa luta vale a pena todos os dias”, ressalta a profissional.
No CAI ParáPaz Santa Casa, na capital, a assistente social Angélica Guerreiro explica que o trabalho exige sensibilidade de toda a equipe. Como a unidade atende exclusivamente casos de violência sexual contra crianças e adolescentes, conta com equipe formada por ginecologista, pediatra, enfermeira e pedagoga, além das demais profissionais responsáveis pelo acolhimento desde a chegada das famílias.
“A recepção tem papel fundamental porque é o primeiro momento de quem chega. É um trabalho delicado porque escutamos histórias que não deveriam ter acontecido, situações que acabam roubando a infância dessas crianças. Mas, ao mesmo tempo, é gratificante saber que fazemos parte de uma equipe que ajuda a amenizar esse trauma, e a dar mais esperança para essas famílias”, enfatiza Angélica Guerreiro.
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