

A mobilização comunitária em defesa da biodiversidade marcou mais um capítulo importante para a conservação ambiental no Oeste paraense. Moradores da comunidade do Português, localizada na Floresta Estadual de Faro, participaram da segunda edição da soltura de quelônios promovida na localidade, neste domingo (8). A iniciativa, coordenada pela própria comunidade em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-Bio), reuniu instituições públicas e organizações da sociedade civil em um esforço coletivo para fortalecer a proteção das espécies aquáticas da região.
Neste ano, foram reintegrados à natureza 1.101 quelônios, número que mais que dobrou em relação à primeira edição da ação, realizada em 2025, quando 500 filhotes foram devolvidos ao ambiente natural. A atividade também contou com a parceria da prefeitura de Faro, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e da Associação de Moradores da Floresta Estadual de Faro (Amoflota), consolidando uma rede de apoio voltada à conservação dos rios e lagos amazônicos.
Os animais pertencem a três espécies que desempenham papel essencial para o equilíbrio ecológico da região: a tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa), o tracajá (Podocnemis unifilis) e a calalumã (Rhinoclemmys punctularia). Além de integrarem a biodiversidade amazônica, esses quelônios contribuem para a dispersão de sementes e para o controle de populações aquáticas, funções fundamentais para a manutenção dos ecossistemas fluviais.
A soltura ocorreu às margens do lago do Peixe-Boi e reuniu autoridades e lideranças locais, entre elas o prefeito de Faro, Paulo Carvalho, o diretor de Gestão e Monitoramento de Unidades de Conservação do Ideflor-Bio, Ellivelton Carvalho, além de representantes comunitários e moradores da região. O momento simbólico reforçou a importância do engajamento coletivo para garantir a sobrevivência das espécies.
Conscientização -Durante o evento, o prefeito Paulo Carvalho destacou que a iniciativa nasceu do protagonismo da própria comunidade e vem ganhando força a cada edição. Segundo ele, o poder público tem buscado apoiar e incentivar a continuidade do projeto. “Estamos participando da segunda soltura de quelônios aqui na comunidade do Português, uma iniciativa dos próprios moradores, que anualmente realizam essa ação para manter a espécie e ajudar na preservação. Como poder público, estamos aqui para incentivar e dar total apoio para que esse projeto cresça cada vez mais, com a parceria do Ideflor-Bio, do Imazon e de todos que contribuem para fortalecer essa iniciativa”, afirmou.
A atividade também foi marcada pela participação ativa das crianças da comunidade, que acompanharam o momento da soltura e interagiram com os filhotes antes de devolvê-los ao rio. Ao final das falas das autoridades, os estudantes realizaram uma apresentação cênica destacando a importância da conservação dos quelônios e da proteção de seus habitats naturais.
Engajamento -Para o professor Josenildo Machado, um dos coordenadores da ação, o projeto representa um esforço coletivo de educação ambiental e valorização da cultura local. Ele explica que a mobilização envolve a coleta dos ovos, o cuidado com os ninhos e o acompanhamento do nascimento dos filhotes até o momento da soltura. “Essa ação é muito importante porque ajuda a preservar espécies que já enfrentam risco de desaparecimento. A iniciativa nasceu da própria comunidade, junto com a escola, e hoje envolve moradores, parceiros institucionais e órgãos gestores. É gratificante ver que, graças ao empenho de todos, conseguimos devolver à natureza 1.101 quelônios neste ano”, destacou.
O educador também ressaltou que o aumento no número de filhotes soltos demonstra o fortalecimento da mobilização comunitária. Segundo ele, no primeiro ano o projeto reuniu um grupo menor de participantes, mas a iniciativa foi ganhando adesão ao longo do tempo. “Em 2025 soltamos 500 quelônios, e agora já ultrapassamos mil. Isso mostra que a comunidade está cada vez mais envolvida, coletando os ovos e ajudando no manejo para garantir que essas espécies continuem existindo nos rios da região”, acrescentou.
Incentivo -Representando o Ideflor-Bio, o diretor Ellivelton Carvalho destacou o protagonismo dos moradores no desenvolvimento da atividade e a importância do manejo comunitário para a conservação das espécies. “Essa ação é um exemplo de como a comunidade pode atuar diretamente na proteção da biodiversidade. Os próprios moradores realizam o manejo, fazem a coleta dos ovos e acompanham todo o processo até a soltura dos filhotes. O Ideflor-Bio tem orgulho de apoiar iniciativas como essa, que fortalecem a educação ambiental e contribuem para a preservação dos quelônios e dos ecossistemas do rio Nhamundá”, afirmou.
A assessora de Gestão do Ideflor-Bio, Lena Pinto, também ressaltou a importância do envolvimento comunitário nas ações de conservação. “Quando a própria comunidade se mobiliza para proteger a fauna e os recursos naturais do seu território, o resultado é ainda mais significativo. Essa iniciativa demonstra que a união entre moradores, poder público e instituições parceiras é fundamental para garantir a conservação da biodiversidade amazônica e fortalecer a consciência ambiental nas novas gerações”, destacou.
Sobre a UC -Criada como uma unidade de conservação de uso sustentável, a Floresta Estadual de Faro abriga uma rica biodiversidade e desempenha papel estratégico na proteção dos ecossistemas amazônicos. Ações como a soltura de quelônios tem reforçado a importância de preservar esses territórios e incentivar práticas comunitárias que contribuem para a recuperação das populações de espécies nativas, a qual tem garantido que os rios da região continuem sendo habitat para a fauna amazônica e fonte de vida para as comunidades locais.
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