

Um desmaio repentino, caracterizado pela perda transitória de consciência, pode indicar situações de risco à saúde e merece atenção. Uma dessas situações é a síncope cardíaca, condição considerada grave, que pode indicar risco de morte súbita e frequentemente ocorre sem sintomas prévios. O Instituto de Promoção e de Assistência à Saúde de Servidores do Estado de Sergipe (Ipesaúde) orienta os beneficiários sobre os cuidados necessários diante de quadros como esse ou similares e explica quando é necessário procurar atendimento especializado.
Recentemente, chamou a atenção o caso da cantora Ivete Sangalo, que sofreu um episódio de síncope vasovagal em sua casa. O incidente resultou em uma queda e ferimentos no rosto que exigiram cuidados médicos e, posteriormente, uma cirurgia. Em suas redes sociais, a artista relatou o ocorrido. “A pressão baixou, desmaiei e caí no chão com tudo”, contou. Posteriormente, ela também revelou que já havia tido dois outros episódios e que estava feliz por descobrir a condição para poder se cuidar.
Síncope vasovagal
O médico cardiologista do Ipesaúde, Alexandre Duarte, explica que existem diferentes tipos de síncope, episódios de desmaio causados pela redução do fluxo sanguíneo cerebral, com recuperação espontânea. Entre eles estão as síncopes cardíacas, que são as mais preocupantes e acontecem sem sintoma ou aviso prévio, e as síncopes não cardíacas, como as vasovagais ou hipotensão ortostáticas, que são quedas da pressão arterial, principalmente ao se levantar.
“A síncope vasovagal, que foi o caso da cantora, é uma perda transitória do nível de consciência que ocorre por um reflexo exagerado, não é uma doença, é um reflexo inoportuno. Nós temos o sistema nervoso simpático e sistema nervoso parassimpático. O simpático libera a adrenalina e prepara o organismo para fugir ou correr do problema. Já no reflexo vagal ou vasovagal ocorre o contrário. Quando a pessoa está diante de uma ameaça, ela ao invés de liberar excessivamente o simpático, libera o parassimpático, o que provoca uma queda da pressão arterial e muitas vezes da frequência cardíaca, nesse caso, fazendo a pessoa desmaiar”, explicou Alexandre Duarte.
Nos casos de síncope vasovagal, muitas vezes a pessoa sente uma náusea, vontade de vomitar, operação gastrointestinal, seguida de tontura e desmaio. Esse reflexo tende a desaparecer quando a pessoa cai ao chão, desmaia, e não é causa de morte súbita. Quem vivenciar um caso como esse deve procurar um cardiologista.
Síncope cardíaca
Diferentemente da síncope vasovagal, a síncope cardíaca é mais grave e requer muitas vezes internação hospitalar e procedimentos invasivos, como implante de marcapassos, troca de implante óptico, entre outros. As síncopes cardíacas estão associadas com possibilidade de morte súbita se não houver intervenção e o tratamento depende de sua causa.
“Por isso é fundamental que o cardiologista faça essa distinção, se a síncope é ou não cardíaca. Se a síncope for não cardíaca, o tratamento muitas vezes é de suporte com algumas modificações dietéticas, de hidratação. Algumas orientações médicas conseguem reverter essa síncope, se não cardíaca”, explica o especialista.
Diferenças entre os tipos de síncope
A síncope vasovagal tem maior recorrência na população, muitas vezes começando na juventude, na adolescência e, às vezes, até na infância. “E na medida em que a pessoa começa a amadurecer, o sistema nervoso parassimpático começa a funcionar de forma menos inadequada. Então, muitas vezes, a síncope vasovagal tem uma história de longa duração. Já a síncope cardíaca tem uma tendência a ser mais aguda. Então, todos esses dados são extremamente importantes e devem ser utilizados pelo cardiologista na investigação da síncope”, esclarece Duarte.
Pessoas com cardiopatia conhecida que apresentem desmaio devem procurar atendimento médico imediatamente. No pronto-socorro, exames como eletrocardiograma e outras avaliações podem ajudar a identificar a causa e descartar a possibilidade de origem cardíaca.
Suporte no Ipesaúde
Após o atendimento inicial, caso a causa do desmaio não seja identificada, o Ipesaúde conta com um ambulatório especializado em arritmias cardíacas para investigação mais detalhada dos casos. No consultório, é realizada uma triagem clínica para identificar o tipo de síncope e, quando necessário, são solicitados exames complementares.
“Resumidamente, uma pessoa que já tem o diagnóstico de síncope vasovagal, aquela síncope relacionada ao estresse, ao desconforto, e ela apresenta uma nova crise sem se machucar, essa pessoa talvez não precise ir ao pronto-socorro. Mas se alguém que nunca teve síncope apresenta um episódio, especialmente se possui doença cardíaca ou sofreu algum trauma na queda, é fundamental procurar atendimento imediato. Recebendo alta, sem o diagnóstico, pode vir aqui no nosso ambulatório de arritmias e síncope porque a gente tem o prazer de atender esse paciente da melhor forma possível”, orienta o médico.


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