

O Governo do Estado segue fortalecendo a assistência em nefrologia no Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, referência no tratamento de doenças renais no Pará. Entre 2019 e 2025, foram realizadas 238.575 sessões de hemodiálise, somando os atendimentos do hospital e do Centro de Hemodiálise Monteiro Leite, unidade vinculada à instituição. O serviço garante tratamento contínuo a pacientes com insuficiência renal, que em muitos casos precisam realizar hemodiálise três vezes por semana, em sessões que duram, em média, cerca de quatro horas.
No Hospital de Clínicas, a terapia é oferecida tanto para pacientes ambulatoriais com doença renal crônica, que realizam o tratamento regularmente, quanto para pacientes internados que necessitam de diálise durante o período de hospitalização, incluindo crianças internadas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Para garantir a continuidade da assistência, as sessões de hemodiálise no hospital ocorrem de segunda a sábado, em três turnos — manhã, intermediário e tarde. A coordenadora do Serviço de Nefrologia do hospital, a nefrologista Ana Lydia Cabeça, explica que a hemodiálise é essencial para pacientes cuja função renal está comprometida. “A hemodiálise é necessária quando os rins deixam de conseguir filtrar o sangue adequadamente, como ocorre na Doença Renal Crônica avançada".
Função dos rins no organismo
"Os rins têm a função de filtrar o sangue e eliminar toxinas e substâncias tóxicas, remover o excesso de líquidos do corpo, manter o equilíbrio de sais minerais (por exemplo: potássio, sódio, cálcio e fósforo), contribuir para o controle da pressão arterial, além de produzir hormônios importantes, como os envolvidos na formação do sangue e no metabolismo ósseo”, explica a médica Ana Lydia.
Além do tratamento, os pacientes atendidos no hospital recebem acompanhamento multiprofissional, com suporte de psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e nutricionistas, que atuam na promoção da saúde física e emocional durante o tratamento. Esse cuidado também inclui orientação contínua sobre hábitos saudáveis e a prevenção de complicações associadas à doença renal crônica.
”Os principais fatores de risco para doença renal crônica são Diabetes Mellitus e Hipertensão Arterial, além de doenças do coração, idade avançada, obesidade, histórico familiar e uso frequente de alguns medicamentos como os anti-inflamatórios. É muito importante dizer que a doença renal crônica é geralmente assintomática até fases avançadas. Estima-se que um entre 10 brasileiros têm doença renal em algum estágio e a maioria não sabe disso”, destaca a profissional.
Prevenção e controle
A nefrologista Ana Lydia Cabeça diz que a boa notícia é que, em muitos casos, é possível prevenir ou retardar a progressão da doença renal crônica, por meio do controle da pressão e do diabetes, com o uso de medicamentos que ajudam na proteção renal.
“Também é importante evitar o uso abusivo de anti-inflamatórios, assim como o consumo excessivo de sal e de ultraprocessados na alimentação, além de controlar o peso e combater o sedentarismo. Exames simples de urina e de creatinina no sangue, disponíveis no SUS, permitem a adoção de ações eficazes para reduzir a progressão da doença renal. O diagnóstico precoce permite tratar a doença renal antes que ela evolua para fases que necessitem de diálise”, complementa.
Humanização durante o tratamento
Uma das iniciativas mais recentes voltadas ao bem-estar dos pacientes é o Playnefron, projeto implantado em 2025 no setor de hemodiálise do hospital. A iniciativa utiliza tecnologia, jogos de movimento e atividades interativas para tornar o período de tratamento mais leve e acolhedor.
O projeto foi idealizado pelo fisioterapeuta Patrick Abdoral. Ele explica que "o projeto tem como foco a reabilitação e o ganho de funcionalidade dos pacientes, objetivo central da fisioterapia. No entanto, devido à frequência e à regularidade com que esses pacientes comparecem ao serviço, os métodos tradicionais de reabilitação podem se tornar repetitivos, reduzindo a adesão às atividades".
"Diante disso, com o apoio da equipe multiprofissional, passamos a utilizar estratégias que buscam alcançar os mesmos objetivos terapêuticos por meio de abordagens menos convencionais, como jogos com sensores de movimento, uso de óculos de realidade virtual e atividades interativas. Essas iniciativas contribuem para tornar o processo de hemodiálise mais humanizado, ao mesmo tempo em que promovem a reabilitação de forma lúdica, mantendo o rigor científico e estimulando maior engajamento dos pacientes”, explica o profissional.
Recuperação e qualidade de vida
A percepção positiva da iniciativa também é confirmada por quem vivencia o tratamento no dia a dia. Paciente do serviço, o pedagogo William Lobo, de 38 anos, destaca que as atividades ajudam a tornar o tempo de permanência no hospital mais leve e interativo.
“Eu vim transferido da clínica de hemodiálise por problemas relacionados ao implante do cateter. Desde então faço acompanhamento aqui no hospital. Esse projeto ajuda bastante a distrair a gente. Enquanto participa das atividades, o tempo passa mais rápido e a gente acaba conversando com outros pacientes também. Qualquer iniciativa assim é muito boa para nós pacientes, porque ajuda a distrair e torna o tempo de permanência aqui mais leve”, relatou o pedagogo.
A adesão ao tratamento e o acompanhamento especializado podem trazer resultados significativos na recuperação dos pacientes. Um exemplo é o do engenheiro civil, Fausto Pinheiro, de 46 anos, que realizou hemodiálise no Hospital de Clínicas durante cerca de um ano e conseguiu recuperar a função renal.
“Quando descobri que precisava fazer hemodiálise, eu encarei como mais uma luta para continuar vivo. Eu segui o tratamento à risca, sempre com fé e pensando na minha família. Hoje estou bem e posso dizer que é possível superar esse momento quando a gente acredita e tem o apoio da equipe. Eles não tratam a gente apenas como paciente, mas com muito cuidado e atenção. Isso faz diferença no tratamento e ajuda a gente a enfrentar esse momento difícil”, relembra.
Novos investimentos
Para fortalecer ainda mais o atendimento à população, no mês passado o governador Helder Barbalho assinou a ordem de serviço para a reconstrução da Clínica de Hemodiálise Monteiro Leite, vinculada ao Hospital de Clínicas.
Durante a execução da obra, os pacientes que realizavam tratamento na unidade foram remanejados temporariamente para outras clínicas de hemodiálise, garantindo a continuidade da assistência sem interrupções.
Veja medidas simples que ajudam a proteger a saúde dos rins, segundo os médicos: Manter controle da pressão arterial e da glicemia; Beber água regularmente; Evitar automedicação;
Reduzir o consumo de sal; e Realizar exames periódicos, especialmente para pessoas com fatores de risco.
As orientações ganham ainda mais destaque durante o Dia Mundial do Rim, campanha internacional que chama atenção para a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento adequado das doenças renais.
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