

A Secretaria da Segurança Pública do Paraná (Sesp) amplia o alcance do programa Mulher Segura com ações voltadas à proteção e conscientização sobre os direitos das mulheres em aldeias indígenas do estado. As atividades são realizadas com o apoio de intérpretes que traduzem as orientações para os idiomas originários de cada povo, promovendo o respeito à cultura e às tradições locais.
Criado em 2023, o Mulher Segura tem como objetivo fortalecer o enfrentamento à violência de gênero, como o feminicídio, o estupro e as agressões no ambiente doméstico. Nas comunidades indígenas, o foco está na prevenção e no diálogo, com as palestras ministradas por policiais da Patrulha Maria da Penha, da Polícia Militar do Paraná (PMPR).
Para o coordenador do Mulher Segura, o tenente-coronel Cleverson Rodrigues Machado, a efetividade do programa está no alcance que ele pode ter em diferentes comunidades. “Além de indígenas, as palestras chegam a comunidades rurais, quilombolas, ribeirinhas caiçaras, ilhéus e pescadores artesanais, entre muitas outras”, explica. “Os resultados das intervenções do programa nessas populações são visíveis”, afirma.
Já foram mais de 20 aldeias atendidas em várias regiões do Estado, como a terra Tekohá Guasú Guavirá, em Guaíra, com população da etnia Avá Guarani; e a Aldeia Cerco Grande, em Guaraqueçaba, do povo Guarani M'byá. As equipes do Mulher Segura também estiveram na Aldeia Koguhn Já Mã, em Campo Largo; e na Reserva Apucaraninha, em Tamarana, as duas da etnia Kaingang.
VALORIZAÇÃO – De acordo com a sargento da PMPR Marina Monteiro, da Coordenadoria Estadual das Patrulhas Maria da Penha, o trabalho é estruturado a partir da valorização das lideranças locais. “Nas aldeias indígenas, o trabalho privilegia o diálogo, a escuta e a adaptação da linguagem, de modo que a mensagem sobre direitos, proteção e enfrentamento da violência contra a mulher seja compreendida e incorporada à realidade local”, afirma.
Os tradutores são escolhidos em conjunto com as lideranças indígenas, garantindo legitimidade ao processo e respeito à língua materna. “Eles são acionados tanto pela necessidade prática de comunicação com quem não domina o português quanto pelo respeito à língua indígena, que é parte da identidade e da preservação cultural dessas comunidades”, acrescenta a sargento.
Além das palestras, a Patrulha Maria da Penha também realiza visitas domiciliares e participa de reuniões com integrantes da rede de proteção à mulher nos municípios. O programa ainda promove ações educativas em escolas e associações locais, contribuindo para a difusão de informações e o fortalecimento de vínculos com as comunidades.
A preparação dos policiais envolvidos inclui orientações específicas da coordenação da Patrulha, com foco na adaptação do conteúdo e na utilização de linguagem acessível, evitando choques culturais. “A abordagem, mediada pelas lideranças e tradutores, facilita a receptividade. As mulheres, em especial, se sentem amparadas ao perceberem que existem canais de proteção e apoio. Os homens também têm a oportunidade de refletir sobre o impacto da violência”, destaca a sargento.
PROTAGONISMO– Para a major da PMPR, Carolina Pauleto Ferraz Zancan, coordenadora estadual das Patrulhas Maria da Penha, os resultados são perceptíveis nas aldeias atendidas. As mulheres e meninas indígenas demonstram maior protagonismo e aumentaram as denúncias por meio dos canais oficiais, como o 181 Disque Denúncia e o Boletim de Ocorrência Eletrônico, da Polícia Civil do Paraná (PCPR).
A aproximação com a PMPR contribui para a prevenção de novos casos. A capitã também ressalta a centralidade das mulheres nas comunidades. “No Paraná, as cacicas têm protagonismo nas decisões coletivas e na preservação cultural. Elas representam a voz feminina na decisão tradicional, equilibrando diálogo e firmeza. Sua atuação inspira meninas e mulheres indígenas, mostrando que a liderança também é lugar delas”, afirma.
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